5. O sonho se dissolve na chuva - podcast episode cover

5. O sonho se dissolve na chuva

Nov 18, 20251 hr 7 min
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Summary

No último episódio, mergulha-se nas ruínas da Avestruz Master, desde a descoberta de seus vestígios até o trágico fim de milhares de avestruzes. A narrativa explora o colapso financeiro da empresa, o impacto devastador na família Maciel e a persistente questão sobre a verdadeira natureza do negócio: um golpe intencional ou uma gestão inepta. É uma reflexão profunda sobre sonhos, ganância e as complexidades da justiça, finalizando com a análise do legado e a dificuldade de lidar com tais "esquemas".

Episode description

A esperança na recuperação judicial da Avestruz Master teve vida curta, e em meados de 2006, ela entrou em falência. Ela nunca teve as centenas de milhares de aves que ela prometeu para os investidores. Mas o que aconteceria com as dezenas de milhares de avestruzes que de fato chegaram a nascer e prosperar em terras brasileiras, quando da noite pro dia elas perderam o seu valor? E o que seria das pessoas que investiram tudo nelas?

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Transcript

Intro / Opening

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Buscando as Ruínas do Império Avestruz Master

Depois de muitos meses de apuração, depois de alguns anos convivendo com essa história, a gente estava chegando nas ruínas de um grande império. Já não tinha nem o letreiro da empresa. Nem a foto enorme de um avestrui subindo pela fachada. E nem o ovo gigante no topo. Mas o prédio ainda estava lá. Aonde que era o avestrui gigante? Tem até uma sombrinha. A gente teve que dar razão pra Carolina Moraes. Não sei direito o que a gente tava esperando. De fato.

Era só um prédio de três andares, numa rua no Setor Bueno, um bairro rico de Goiânia, que estava com pouco movimento naquele dia. O prédio estava cercado de tapumes. Nada que impedisse uma pequena investigação. Podem ir neste momento espiando, tentando espiar pelos tapumes. Não tinha ninguém à vista, mas tinha uma campainha.

Tem um carro aqui dentro. Tem um capacete para visitantes, ou seja, a gente pode ser visitante. Também tinha uma placa. Não é a placa. Então proibido estacionar sujeito a guincho, evite constrangimento. Agora está fazendo 20 anos da quebra da Vestruz Master. Durante a apuração, muitas vezes parecia que tinha sido ontem. As pessoas com quem a gente conversou lembravam de tudo. E nem elas estão tão diferentes assim das fotos daquela época. Mas muitas vezes, nessa viagem para Goiânia e Bela Vista,

A gente se deu conta de que 20 anos é também uma vida inteira. É como se aquele império de avestruz nunca tivesse existido. Não sobrou nada. As fazendas passaram por outros donos. No lugar das avestruzes, hoje tem soja, milho, gado leiteiro. Sei lá, era como se a qualquer momento a gente pudesse descobrir que tudo não passou de uma alucinação coletiva.

Mas é um dia, numa dessas idas e vindas entre Goiânia e Bela Vista, a Paula Escarpim viu uma coisa. Não era uma avestruz. Era um monumento que ninguém tinha lembrado de derrubar. Uma caixa d'água pintada nas cores da empresa. Azul embaixo e amarelo em cima, já meio enferrujada. E com o nome, Avestruz Master, que ninguém também se deu o trabalho de apagar.

O Fascinante Mundo dos Avestruzes

Era a prova física que a gente estava precisando para assimilar que tudo aquilo tinha sido real. Vamos lá. Avestruz Master já não está mais entre nós. Então a gente queria voltar um pouco para pensar no bicho. O bicho por quem tanta gente se apaixonou. Seja por ele em si, seja por tudo aquilo que os humanos pensaram que ele poderia render. O avestruz é a maior das ratitas, das aves que não voam, das aves que ficaram de fora da festa do voo, ou que acham que bater asa nem tem tanta graça assim.

Mas o avestruz nem sempre foi o mais parrudo da turma. Um ancestral dele foi ainda maior. A ave-elefante. A ave-elefante morava na ilha de Madagascar. E pelo nome, já dá pra sacar que ela era enorme. Tá, é um pouco de exagero. Ela não chegava ao tamanho de um elefante. Mas ela pesava mais de meia tonelada. Perto dela, um homem adulto parecia uma criança pequena.

A ave e elefante chegam naquele tamanho por causa de um fenômeno evolutivo chamado gigantismo insular. O nome diz tudo, né? Esse tamanho todo tem a ver justamente com o fato dela estar em uma ilha. Esse fenômeno não foi identificado só com elas na base de estudos. Ele foi observado em vários outros animais. Gigantes. Em ilhas. Teve os falcões enormes de Cuba. Os ratos gigantes de Tenerife, as lontras imensas da Sardenha, os pombos grandões de Fiji.

A ave-elefante, as aves-elefantes, na verdade, que foram várias espécies, elas viveram grandemente durante milhões de anos ali em Madagascar. Até que apareceu um predador perigoso. E não, não foi o próprio elefante, nem um mamute ainda maior que elas. Foi a gente, o ser humano. Não se sabe direito em que momento que ela foi extinta.

Mas o que dá para saber é que a gente matou cada ave e elefante que cruzou o nosso caminho. Tudo que sobrou delas foram os esqueletos nos museus de história natural. E a sorte dos avestruzes da Master... Não foi muito melhor. Eu sou a Flora Thompson-Devô. Eu sou a Paula Scarpin. E eu sou a Carolina Moraes. E esse é o último episódio de Avestruz Master. Uma série original da Rádio Novelo.

Episódio 5. O sonho se dissolve na chuva. Nós estava todo mundo na fazenda trabalhando e do nada, pum, estourou.

O Colapso e o Trágico Fim dos Avestruzes

Avestruz Master foi o primeiro emprego do Ricardo Carvalho. Ele entrou lá como operador de máquina no incubatório, mas em 2005 ele virou o motorista dos funcionários. Ele levava a galera de uma fazenda pra outra. Ah, tem gente que fala que sabia, mas isso é igual o fim do mundo, ninguém sabe que dia que vai ser. Lá eu acho que ninguém esperava que ia quebrar.

O Ricardo contou pra gente que ele nunca investiu na Master, mas que não era desconfiança. Era porque ele nunca tinha grana sobrando. Mas apesar de não ser credor, ele sentia que tinha investido demais na empresa. Então, quando a administração judicial assumiu o negócio, ele resolveu ficar. E nós lá, os meninos, a turma que não saiu, que ficou daí até o final. Porque nós que tomávamos decisão, o que tinha que ser feito na fazenda, corria atrás e salário atrasava, depois pagava.

do jeito que eles queriam, mas a gente nunca abandonou, né? Daqui lá foi uma coisa assim, foi o amor, né? Dessa turma apaixonada que ficou até o final, você já conhece a Nicole Leão. A gente tinha muita ave, né? Muita ave. Então, com a falência, elas começaram, aos poucos, algumas vieram morrendo, porque a gente começou a não ter mais acesso à ração, à água.

Eu me lembro que eu dei uma entrevista falando que as aves poderiam ficar tanto tempo sem beber água, tanto tempo sem comer, e aí o Gerson... Me acha, me liga do nada, que você é doida. Você não pode falar isso. Eu falei, mas eu vou dizer que vai sobreviver do quê, né? Que a gente tinha uma quantidade de alimentos pra uma temporada. Depois elas iam começar a morrer.

Lógico que cada uma biologicamente de acordo com a sua resistência. E foi o que foi acontecendo. A gente até pediu ao juiz para que houvesse uma liberação de parte dos bens para a alimentação das aves. Mas algumas aves começaram a morrer. E eles utilizaram a morte das aves para pressionar ainda mais o judiciário. Esse é o Daniel Salgado, procurador do Ministério Público, que a gente ouviu no episódio passado.

Eles levaram essa questão da morte das aves para o Tribunal Regional Federal e levaram, ó, se ele não voltar para a administração, as aves vão morrer. Então, na época, eles usaram... esse discurso para pedir a soltura do principal administrador da empresa, do senhor Gerson. E conseguiram a soltura com esse discurso. No fim das contas, a recuperação judicial não durou nem três meses.

Em meados de 2006, a empresa foi oficialmente à falência, com todos os bens bloqueados. Isso significava que a água, a ração, até a luz chegaram a ser cortadas, porque a master já não tinha mais caixa. Não tinha liquidez. Para conseguir qualquer dinheiro, ela precisava vender os imóveis, os carros, os helicópteros. E mesmo esse dinheiro, quando vinha, não dava conta.

E algumas aves morreram, eles pegaram a carcaça das aves e jogaram eles ou algumas pessoas ligadas a eles. Não foram eles especificamente. investidores e tal, pegaram e jogaram carcaças das aves na porta da Justiça Federal. A gente não achou registro desse episódio na imprensa da época. Mas o fato é que dentro das fazendas, a situação das aves estava ficando cada vez mais crítica. Vi avestruz que não levantavam. Não levantavam. É como você ver uma pessoa idosa que está...

Os funcionários tentavam segurar a barra do jeito que dava, acionando comida, tentando cuidar dos bichos que pareciam que tinham mais chance de aguentar. Outros, eles sacrificavam. Nós abatemos muitas aves, nós ficamos com freezers lotados de carne. Isso porque o abatedouro, aquele que ia levar a master para outro patamar, ele chegou sim a ser inaugurado.

Só que a inauguração chegou tarde demais. Em vez de dar início a uma nova era, ele foi testemunha do fim. Então assim, a gente tentou fazer o máximo para que elas não viessem morrer precariamente, né? Nós reunindo um barracão cedo, igual aqui, chegar e falar, não, fulano, fulano, fulano, nós decidir entre nós. Cada um não vai fazer isso, o outro vai fazer aquilo e ir embora para fazer acontecer.

Porque senão, eu acho que o final teria sido mais trágico. Eu acredito que sim. E mesmo assim, com todo esse empenho, o final foi bem trágico. É, eu fui um que abri muitas valas, né? A gente abria vala, digamos aí, de 50 metros, né? De comprimento assim, ó. Funda. Vala que... O carro dentro, essas coisas assim, é que lá na semana tava lotado. Já tinha que abrir mais.

Como é esse que é o valor de abrir vala? É um trator? É um trator, uma paca, é tipo uma reta, só que uma paca regadeira. Dessas máquinas aí, a gente abria as valas, colocava a terra e ia despejando animais e enterrando, né? Às vezes não tinha nem dinheiro para pagar o combustível do trator. Algumas propriedades vizinhas começaram a reclamar do mau cheiro. As aves morriam rápido demais para aproveitar...

todos aqueles produtos maravilhosos que tinham sido anunciados. O couro, as plumas, a carne, tudo ia pra vala.

A Procura por Avestruzes e o Idoso do Zoológico

Recentemente, eu li num livro que quando os avestruzes estão felizes, eles dançam. Eu fiquei tão perplexa com essa informação que eu fui atrás de vídeos. E realmente, não tem outro nome pra isso. Eles dançam mesmo. Eles giram, eles rodopiam. Tem gente que chama isso de valsa do avestruz. É um bicho que tem poesia, sabe? Só que nessa história, os avestruzes tinham virado uma moeda. E quando essa moeda perdeu o valor, ninguém mais lembrava que os bichos existiam. Ou quase ninguém.

A justiça foi muito falha naquela época, por esse lado. Eu acredito que, igual assim, tem os defensores dos animais, não apareceu nenhum. Cadê? Cadê? Não teve. A única manifestação que a gente viu mais ou menos nesse sentido não aconteceu em Goiânia. Em março de 2006, uma fazenda arrendada pela Master em Vitória, Pernambuco, foi ocupada por centenas de cem terra.

Eles estavam protestando contra o que eles chamavam de a mentira do agronegócio, justamente o divórcio entre a terra e o valor dela. Tem uma matéria do Correio Brasiliense sobre a ocupação que diz assim Os manifestantes colocaram água nos coxos de alimento e fizeram muito barulho, expressando o pena dos animais, que ainda não se alimentam com a frequência e regularidade devidas. A manifestação durou só uma hora e meia. A gente passou muito tempo tentando achar sobreviventes da Master.

Parecia lógico que tivesse vários por aí, porque afinal um avestruz pode chegar aos 70 anos. Logo cedo, na apuração, eu vi um post no Facebook, uma selfie de um cara da Bahia com avestruz. que ele dizia que tinha resgatado da Master. Eu tentei mandar mensagem pra ele, depois a Carol assumiu a missão, até que um dia ele respondeu. Não, minha amiga, ali foi só uma...

Ali foi só uma resenha, só foi uma diversão mesmo. Ele disse que era uma piada, que ele tinha tirado essa foto num parque em Palmas. As aves da Sílvia, do episódio passado, foram para o abate. Essa era a resposta mais comum que a gente ouvia. Ou as aves tinham morrido de fome dentro das fazendas, ou elas tinham sido vendidas na liquidação. Mas a gente continuou procurando.

Foi assim que a gente foi parar no zoológico de Goiânia, onde ainda tinha uma unidade de avestruz. O nosso animal é um animal que já está para idoso, né? A gente tem uma... É uma aproximação, porque não tenho a certeza que ele tem por volta de 35 anos, mais ou menos. Essa é a Jamile França, que é a Supervisora-Geral do Zoológico. E hoje, pela característica física dele, a gente sabe que ele está entrando na fase senil.

As penas vão ficando mais frágeis, o animal vai ficando com esse aspecto um pouco mais velhinho. Além de tudo, esse senhorzinho era viúvo. Durante muitos anos, ele viveu com uma fêmea, mas ela morreu em 2010. Esse avestruz aí tem nome? Não tem nome, por incrível que pareça, porque a maioria dos animais do zoológico tem nome. Ao contrário da leoana, ao contrário do urso robinho, da onça Tony... e dos papagaios Eduardo e Mônica, aquele avestruz nunca foi batizado. Pelo menos ainda não.

Quando a gente esteve ali com a Jamile, ela disse que não sabia a data exata da chegada dele, mas que ela ia investigar. Mais tarde, ela mandou uma mensagem. O avestruz sem nome foi doado em 1995.

A Realidade Econômica Pós-Master

Ele chegou ali antes da Master existir. Ele ficou ali durante todo o auge da empresa, durante a queda, e nunca ficou sabendo de nada. Ou pelo menos, a gente espera que não. O jeito certo era a quebra, a venda desses animais ou a realocação deles para outras fazendas que tivessem condição de criar, entendeu? Ratear o dinheiro que tinha, que ia dar para pagar uma mixaria de gente mesmo, mas era aquilo.

Essa é a Juliana Tomazini, que a gente ouviu rapidinho no episódio passado. Hoje em dia, é ela quem administra a massa falida da Avestruz Master. O pouco que sobrou. Um terreno e dois apartamentos, que vão ser vendidos para pagar dívidas trabalhistas. Não tem dinheiro suficiente para reembolsar nenhum investidor. Entre os lesados, aliás, devem estar o Pablo e o Luizão, o pai do humorista Paulo Vieira. Talvez você tenha visto uma versão ficcionalizada dessa história na série do Globoplay.

em que eles resolvem investir numa empresa chamada Avestruz Max. A gente passou boa parte de 2025 tentando entrevistar o Paulo, os pais dele e o Pablo. E a gente ainda não perdeu as esperanças. Quem sabe ainda venha aí. Tem gente que diz que o judiciário fechou a Master muito rápido, que não deu chance para a empresa.

Mas olhando em retrospecto, a Juliana acha que a falência devia ter sido decretada até antes. Eu acho que, como ali estava no começo da lei, fizeram muito para não quebrar avestruz. A lei, no caso, é a lei de recuperação judicial, que tinha acabado de ser aprovada ali em 2005, como a gente comentou. A recuperação judicial entende que uma empresa compra uma função social maior. Ela emprega gente, gera renda.

Tem muitos motivos para não deixar uma empresa cambaleante se esborrachar. Mas também tem o outro lado. Se ela não for recuperável, cabe ao judiciário quebrar... relocar o dinheiro e botar esse dinheiro pra movimentar. Porque insistir numa empresa que não é viável é péssimo. E hoje em dia, a Juliana bota a Master nessa categoria. Porque, na verdade, hoje a gente olhando o negócio, não era um negócio viável.

A Tragédia da Família Maciel e o Pós-Crise

Não era um negócio recuperável. Não tinha como fazer um plano que fosse sustentável. Não dá para dizer que a própria Master não tenha sido responsável pela tragédia. Olhando a contabilidade deles, o investimento em compra de aves nunca foi proporcional ao investimento para o manejo delas. O foco sempre foi no investimento em marketing. O cuidado com os bichos estava sempre no final da fila. E isso deu no que deu. A Master precisava de novos investidores até para fazer compras básicas.

Tudo nosso estava investido nas fazendas. Foi uma fase muito complicada. A Elisabeth Maciel contou para a gente como foi para a família quando a Master perdeu tudo. Eu fiquei muito perdida por ser tão apaixonada pelos animais. Eu fiquei bem baqueada. E vou te falar que até hoje eu sou. Eu não sarei, tá? Não sarei. Não sarei. Acho que poderiam ter feito... Qualquer desconfiança poderia ter sido feita de uma outra maneira. Se é que tinha alguma coisa errada.

Tinha que ter sido feito de outra maneira, não fazer o que fizeram. No começo de 2006, a família foi embora de Goiânia de novo. Meu pai arrumou um amigo, tinha uma casa em Campo Jordão, nós fomos seis meses lá em Campos. Pra sair da muvuca, porque o pessoal tava ameaçando mesmo sequestrar as crianças. Meu filho tinha um ano, a filha do meu irmão tinha um ano. Pra achando que se sequestrasse, meu pai ia dar o dinheiro. Não tinha!

A justiça entendeu essa viagem como abandono da empresa. E isso, claro, não ajudou a defesa. Nove meses depois do fechamento, o Gerson Maciel foi preso. Alguns meses depois, em agosto de 2006, foram o Gerro, o Emerson Correa, e o filho, Gerson Júnior. Todos acusados de estelionato e de crimes contra o sistema financeiro nacional.

A Beth contou pra gente que um dia, visitando o pai na prisão, ela fez uma pergunta pra ele. Falei, pai, tem algum dinheiro no exterior? Tem algum dinheiro em qualquer lugar? Porque nós estamos lascados. Ele falou, filha, eu nunca coloquei dinheiro no exterior. O dinheiro tá todo aqui. Está todo aqui. Eu nunca faria isso com vocês, nunca. Nada do que a gente levantando a apuração leva a crer que o Jefferson estivesse mentindo para a filha.

Tem muita gente que acha que a gente tem dinheiro guardado, que a gente está super bem, não tem noção do que nós passamos. Não tem noção do que nós passamos. Depois da falência, os Maciel voltaram a ter trabalhos normais. A Betty fez marmita para fora durante um tempo. Hoje ela trabalha com artesanato. A Patrícia trabalhou com banho e tosa de cachorro. O Emerson trabalhou num restaurante.

O Gerson Júnior faz corrida de aplicativo. O Júnior chegou a combinar de encontrar a gente em Goiânia, depois voltou atrás. E depois de várias outras tentativas frustradas, ele mandou um texto longo dizendo, em resumo, que preferia não falar. Vou ler um trechinho. Quero que me desculpe por não ter atendido vocês antes.

Vocês não fazem ideia do que eu e minha família passamos. É triste, mas quero viver em paz e voltar até a minha vida, trabalhar e vencer. Não posso falar tudo o que eu sei. Grande abraço e boa tarde. O tempo das Ferraris, dos helicópteros e dos safaris foi curto e ficou para trás. A gente volta já já depois do intervalo. When the holidays start to feel a bit repetitive, reach for a Sprite Winter Spiced Cranberry and put your twist on tradition. A bold cranberry and winter spice flavor fusion.

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Promessas Irreais e o Verdadeiro Valor do Avestruz

Em 1996, uma década antes da Vestrus Master, outra empresa de estrutural cultura foi a falência. Ela se chamava de Ostrich Center e ficava no Reino Unido. Ela só existiu durante seis meses, mas ela chegou a arrecadar mais de 800 mil libras. Assim como a Master, essa empresa vendeu mais aves do que ela tinha. E assim como no caso da Master, quando a casa caiu...

Teve gente que foi lá buscar as aves, que nem a Silvia. Os investidores do Ostrich Center também não conseguiram reaver o dinheiro deles. O dono da empresa tinha mandado centenas de milhares de libras para contas fora do país. Ele acabou fugindo, que nem os Maciel. Mas em vez de dar um tempo numa casa alugada, ele virou o chefe de uma quadrilha de drogas.

um dos mais procurados da Grã-Bretanha. Ok, eu sei que essa história acabou de dar uma guinada meio abrupta. Às vezes, a vida real é bem mais doida que a ficção. Mas eu acho que vale a comparação aqui da Master com a Street Center para frisar um pouco o que a família Maciel não fez. Não, é. É viável, eu creio. Assim, é que... Se for falar do animal, eu sou apaixonado, né? Se quiser, eu fico o dia inteiro falando de avestruz de boa. O animal é fantástico.

Esse extrútil entusiasta é o Claudio Gardini, ex-zootecnista da Master. E ele contou que quando ele foi chamado para trabalhar na empresa, ele estava desenvolvendo uma pesquisa de pós-graduação sobre o mercado de avestruz. Então ele sabe do que está falando. E ele fez uma ressalva importante. O animal é produtivo, é interessante, desde que tenha produção perfeita para a carne. Plumas, para couro. Produção perfeita. A pegadinha está aí. Para o couro de avastruz ser vendido naquele preço premium,

Ele não pode ter nenhuma cicatrizinha, nenhuma marquinha. Então, se um animal subiu no outro, quando pequeno, passou a um e riscou o couro, já não é o prêmio, já não vale dois mil dólares aquele couro. Nem sei quanto está o preço hoje, mas assim... Não vale mais. Também não é qualquer pluma de avestruz que pode virar matéria-prima dos adornos mais luxuosos. Pessoal, quando a gente ia fazer...

aula prática, demonstrativa, a gente abatia, o pessoal ficava catando plumba no chão, umas pluminhas desse tamanho, desesperado, porque achando que valia mil reais o quilo daquela pluma. Eu falei, não, gente, isso aí é lixo, é lixo. Não existe. O foco da Master sempre foi na carne. Bem naquela onda pós-vaca louca. Porque a carne do avestruz, a carne do avestruz, a carne do avestruz. E carne do avestruz era subproduto. Sempre foi subproduto. Nunca foi o produto principal.

E o pessoal ficava se preocupando com carne, carne, carne, e esquecia de pluma e couro, que é o carro-chefe. Todos os cálculos da viabilidade da Master estavam baseados num mundo ideal. Usava estruzes mais gordos, com couro impecável e todas as plumas choronas, em que cada pedacinho de carne era igual à filé mignon. Só que a realidade nunca é assim.

Olha, um animal adulto vai te dar 30 quilos de carne. 30 quilos de carne a 100 reais é 3 mil reais só de carne. Não é. Tem carne de primeira, carne de segunda, carne de pescoço. Tem carne que é retalho, que só serve para carne moída. Por isso que eu falo que as contas não batiam, porque por esses números, qualquer criador vai ficar milionário. Os planos de investimento se apoiavam nesses números fabulosos.

A Controvérsia: Master foi Golpe ou Erro?

Estava aí os 10% ao mês. Não era uma mentira completa. Só não era compatível com a realidade. Vários funcionários com quem a gente conversou juraram pra gente, de pé junto, que nunca foi golpe. Que o Gerson tinha um plano pra viabilizar a Master a partir do acordo com a CVM.

Que todo mundo já tinha entendido que os títulos dos bichos não correspondiam a um número certo de avestruzes. E que eles iam converter esses títulos em ações. Tudo certinho. Ou seja, que os investidores iam continuar sendo investidores. Só que em outro esquema. Ia virar a Avestruz Master S.A. Hoje eu acho que não tinha nenhuma condição de virar S.A. Sabe? Não tinha.

Essa é a Juliana Tomazini de novo, a administradora da Massa Falida. O produto dele nem era bom, não tinha aceitação que ele vendia, que esse produto tinha, sabe? Ele criou o mercado. Ele criou, ele fantasiou o mercado e jogou com os players todos e prometeu uma rentabilidade que não era real. É tudo ilusório. Hoje eu acho que toda essa situação era muito, muito...

muito de estelionato mesmo, assim, sabe? Não sei nem se ele tinha consciência do crime que ele tava cometendo, se era, porque aí já parte pra sanidade mental do indivíduo, mas eu não sei, ele era tão bom pra convencer que às vezes eu acho que ele achava que era mesmo, sabe? A Juliana está dizendo que talvez o Gerson Marcial conseguisse convencer tanta gente porque ele próprio estava convencido de que esse sonho era verdade.

Dinheiro Sem Riqueza e Lealdade Inabalável

E nesse sentido, talvez os sócios e os investidores não sejam tão diferentes assim. Porque a grande maioria dos investidores jamais teve a intenção de criar um avestruz de 3 metros de altura. A Master representa mais do que a febre da avestruz. A Master faz parte da ideia de que qualquer um de nós pode ser um investidor. De que dá para resolver a vida produzindo dinheiro sem produzir riqueza.

Como se esses dois conceitos, dinheiro e riqueza, pudessem ser separados. Mesmo sem vender quase nada de carne, de couro ou de plumas, A família Maciel se convenceu de que ela estava produzindo muita coisa. Mas eles só estavam circulando dinheiro. Eu sou o cara muito, vamos dizer assim... É muito fiel. Eu sou fiel aos meus patrões. Esse é o Reinaldo Macedo, que a gente também já ouviu aqui. De garçom em feira agropecuária, o Reinaldo virou chefe e homem de confiança do Gerson Maciel.

E ele também investiu na Master. Na época, eu acho que eu tenho pedido uns 200 mil. O Reinaldo estava deixando o dinheiro dele girar e crescer. Ele tinha vontade de abrir um dia, ele mesmo, um berçário de avestruzes. Ele falou para a gente que o Gerson era entusiasta dessa ideia. Aí ele falou, se você comprar a terra, eu entro com a infraestrutura e nós vamos ser sócio. Eu falei, tudo bem.

E aí não deu tempo de comprar, de fazer nada. Depois que a Master entrou em colapso, o Reinaldo ainda trabalhou mais um tempo lá. E apesar do dinheiro perdido, ele não guardou o mago do patrão. Ele não forçou ninguém a ir lá. Vou pôr uma arma na sua cabeça, vem cá comprar agora. Todo mundo foi porque quis, porque cresceu o olho para ganhar dinheiro. É um investimento, mas todo investimento tem risco.

Depois de sair da empresa, o Reinaldo fez tudo o que ele pôde para demonstrar solidariedade ao Gerson Maciel. Até na prisão. Eu sempre tentei deixar ele bem à vontade, entendeu? Procurar se ele estava bem de saúde, se ele precisava de alguma coisa. O que a gente podia fazer para poder melhorar o bem-estar de lá dentro? A única coisa que ele pediu foi um jantar. A gente perguntou se foi algum prato de avestruz. Mas, na lembrança do Reinaldo, foi um bobó de camarão.

A Morte e o Mistério de Gerson Maciel

Eu visitei ele umas duas vezes quando ele foi preso, né? E quando ele adoeceu, eu visitei ele uma vez no hospital. Logo depois que o Gerson Maciel foi preso, ele começou a emagrecer muito. Ele sentia muita fraqueza. Tinha dores, falta de ar. No começo de 2007, ele foi diagnosticado com câncer de fígado. Eu acho que ali foi um pouco de desleixo na prisão.

Muita pressão psicológica em cima dele, entendeu? O Reinaldo contou que nessa última visita não deu para eles conversarem muito. Aí já estava bem debilitado. Magro, já estava... definhando já, pra dizer. Foi mais assim, só pra falar assim, não, o Reino Abbey viu ele, ele me olhou, e ele brincou comigo assim, é, tá chegando a minha hora. E não falou mais nada.

Depois eu não tive mais contato com ele. E aí já ficou reservado só a família, não abriu mais a gente. Mesmo assim, igual eu era do lado dele e tudo, parece que ele fez questão de... Descruir. Porque falaram que ele morreu e o nosso amor... Às vezes esses rituais, tipo velório, enterro, às vezes eles parecem uma coisa meio proforma. Mas eles têm uma razão de ser, né? Quando a gente não materializa, assim, a morte de alguém...

Às vezes parece que a pessoa não morreu de verdade. Esse relato meio dúbio sobre a morte do Gerson Marcial não veio só do Reinaldo. a gente ouviu uma coisa parecida do Sebastião Rosa, que foi gerente-geral das fazendas da Master. Quando Gerson morreu, Sebastião estava trabalhando fora do país. Então, para ele, a pá de cal no Império da Master ficou como uma realidade distante. Essas mensagens vinham ser tipo o relato chegando de uma vida passada.

Mas a Paulinha encaixotou com a palavra que o John usou. A Nicole estava ali com a gente. E o único que viu ele, né, viu o corpo dele, eu falei assim, foi o Gerson Júnior, né, depois, mas ninguém viu o corpo, né. E não teve velório, não teve enterro, né, disse que...

cremaram o corpo dele. Quem sabe? Então, até essa semana, acho que foi antes de ontem ou ontem, eu fui despedido do cliente ali. Então, você acha que o seu gesto morreu mesmo? Eu também já ouviu. Não sei se foi ontem ou foi antes de ontem à noite. Ele estava indo embora. Eu falei, ó, eu não sei. Ah, disse que ele estava lá para não sei aonde, como que é mesmo falar Austrália, né? Ele falou, é, Austrália.

A Dor da Perda e o Adeus Final da Família

A Nicole tinha uma interpretação para essa boataria toda. A gente não teve câncer na família. E o hepatocarcioma, o médico, falou que é o câncer da tristeza. Então foi muito complicado, sabe? Eu vi aquele homem de 1,86m, fortão, morrer com 64kg. Foi complicado, foi complicado. Sabe, aí eu acho que entra...

Aquela parte que você deixa de ser egoísta. Foi o que eu fiz, o amor que eu tinha no meu pai era tanto, que eu cheguei pro meu pai e falei, pai, vai, pode ir, porque eu vou cuidar do meu, eu vou ficar bem com o Bruno. E veio meu pai parar de respirar. Aquilo não vai sair da minha cabeça nunca. Aquela injustiça que fizeram com ele. Foi injustiça. Qualquer erro que possa ter havido, que eu acho que não teve, qualquer erro que possa ter havido não justificou tudo que foi feito.

Não justificou. Nunca deram uma satisfação de nada, só acusações, só jornais acabando com a gente. Fizeram questão de filmar a gente sendo preso. Tudo bem. E eu não quero isso pro meu filho, eu não quero que meu filho veja essa, eu quero que meu filho um dia possa ter orgulho de falar assim, não, minha mãe provou que ela é, minha mãe não fez nada. Porque é muito duro, sabe, você trabalhar uma vida inteira e de repente ver tudo jogado fora.

Tudo jogado no esgoto. Não falo nem que é no fundo-poço. O fundo-poço ainda pode recuperar. O Gerson Maciel morreu no dia 23 de fevereiro de 2008, aos 68 anos. Foi a Bete que foi buscar as cinzas dele. Porque ele tinha dito que não queria que o corpo dele ficasse em Goiás. Foram 13 horas de viagem com as cinzas do meu pai no corno.

É estranho você ver uma pessoa que você idolatra e que você tá junto e você não imagina ver nada, sabe? Pegar e eu falei, pô, literalmente eu tava com uma caixinha no colo e era meu pai. Os irmãos não estavam juntos, mas eles combinaram um lugar no interior de São Paulo para espalhar as cinzas. A Beth ia avisar a hora, para eles todos estarem juntos em pensamento. Ai, gente.

Eu fui jogar a cisa do meu pai e meu filho foi comigo. Ele tinha três aninhos, né? E meu filho, deixa, mãe, deixa? Deixo. Eu tava tão desnorteada, sabe? Daqui a pouco eu olho pro Bruninho. Mãe, o vovô é salgado. Eu falei, misericórdia, ele tá com medo do meu pai. Ele pôs assim na bofeta, salgadinho, vovó. Eu falei, o meu pai eterno.

Acabei rindo porque eu falei, a gente não dá pra resistir. Ele é a mãozinha toda suja de cinza. Eu imaginei, meu pai já tá morrendo de rir ali. Ah, tava, com certeza, cara. Ele já tá se divertindo. Na hora foi esquisito, mas... O Gerson foi embora.

O Legado e o Impacto Negativo da Avestruz Master

E o sonho do avestruz próprio foi com ele. Era uma expectativa muito grande, um sonho muito maior do que a realidade daquilo que é o avessur. O avessur é uma atividade realmente extraordinária, lucrativa, boa, mas não ao ponto... Esse é o Manuel Piveta, que a gente ouviu no primeiro episódio. A gente chegou a falar que ele é o dono do maior plantel de avestruzes no Brasil hoje.

Mas a gente não falou o tamanho do rebanho dele. Hoje o criatório da Vessuz se resume muito pouco. Nós somos hoje um criatório com aproximadamente 5 mil aves no Brasil. Um site da empresa dele, a Strut Alimentos, diz que o rebanho chega a 7 mil. De qualquer forma, dá uns 15% do que a Master tinha no auge. E uma fração pequeníssima do que a Master dizia que tinha.

A Carol perguntou para o Piveta aquilo que a gente estava se perguntando. Você acha que estaria diferente se não fosse esse episódio da Instituto Master? Sem dúvida nenhuma, só em Mato Grosso do Sul, nós tínhamos 169 criadores. A Associação de Criadores de Avestruzes do Brasil, a ACAB, até resistiu uns anos, mas depois acabou. Para muita gente, avestruz virou sinônimo de golpe.

E o Piveta sentiu isso nos negócios dele. Já era ruim aquilo que faziam, porque não é possível fazer aquelas promessas e cumprir aquilo que eles propunham. A pessoa queria que nós oferecêssemos as mesmas coisas, não podíamos fazer isso. Agora, quando tudo virou do avesso, as pessoas acham que a gente tem responsabilidade sobre aquilo. E o Avessus pagou a conta.

O preço da carne, que tinha sido o principal ativo no marketing da Master, despencou. Para você ter uma ideia, nós começamos a atender inclusive merenda escolar. Já imaginou essa carne tão nobre sendo oferecida em Merenas? Agora foi a forma que nós encontramos. A gente comprava o... o pessoal queria descartar os produtos, tinha um preço bem acessível que dava para fazer isso, nós fornecemos beleza escolar. Mato Grosso do Sul, São Paulo, próprio Paraná, Campinas.

Parece que os pequenos campineiros gostaram bastante da carne do futuro. Mas a situação estava tão ruim que uma hipótese curiosa Cruzou a cabeça do piveto. Eu cheguei a achar que ele foi um estrategista para dar um grande golpe no setor. Mas nós do Avestruz sempre procurávamos buscar as pessoas, os bons funcionários, os bons veterinários. E eu fui lá tentar pegar o que tinha sobrado, certo? E eu estive com...

Uma veterinária, Nicole, ela jurava que o Gerson tinha sonhos e quem prejudicou ele, quem atrapalhou ele, foi a irresponsabilidade do grupo familiar que estava por trás. O Piveta não conseguiu recrutar a Nicole, que naquele momento preferiu ficar em Bela Vista. Mas ela deixou uma impressão forte nele. Não estou aqui fazendo uma defesa. Posso tomar ele, certo? Infelizmente, ele já não está mais aqui para provavelmente se defender disso que nós estamos falando, certo?

Mas essa menina garantiu que ele tinha um sonho e uma vontade, mas não alcançou a vaidade que estava em redor dele. Essa é a grande realidade.

As Terras da Master e a Repetição dos Golpes

Estou estrelhando a estrada para eu mostrar para vocês onde é a Master 10, que a gente vai passar por ela, que a Master 10 é antes da cidade. O Piveta não foi a única pessoa que ficou encantada com a visão da Nicole da Master. A gente teve a sorte dela ciceronear a gente em Bela Vista de Goiás. E antes mesmo da gente chegar em Bela Vista, ela queria mostrar o terreno da Master 10, a última fazenda que a empresa chegou a arrendar em Bela Vista, e que hoje pertence ao cantor Gustavo Lima.

Talvez você já tenha sido impactado por alguma notícia sobre uma mansão dele que parece um filhote goiano do Partenon. Essa mansão fica em terras outrora avestruzes. Nessa região aqui era Master 10. A gente foi dirigindo e a Nicole guiando. Aqui era Master 3 da Beth. Fora aquela caixa d'água azul e amarelo,

não tinha nada que sugerisse que aquelas terras ali tinham sido pisoteadas por dezenas de milhares de pés, com só dois dedos cada. Ó, uma torre aqui, ó. Já em... Essa daí é uma torre de vigilância. Essa parecia vermelho e amarelo. Não, é azul. Mas é que o azul tinha descascado e enferrujado. E aí a entrada vai ser à esquerda. Vocês vão ver a entrada. Tá vendo o gado? Olha lá a torre.

A caixa d'água, eles pintaram tudo. Não tem nada azul e amarelo. A estrutura da Master 1. A gente estava chegando no coração do Império da Master. Tirando a casa do Gustavo Lima e algumas outras fazendas que a Master só alugava, quase todas as terras da empresa, inclusive a Fazenda Sede, foram arrematadas no leilão pela Piracanjuba. uma empresa de laticínios. A Carol tinha passado um bom tempo tentando falar com qualquer pessoa da Piracanjuba que pudesse liberar a nossa entrada. Mas, no final...

A gente esbarrou na porteira. A Nicole ficou recriando a paisagem para a gente. Ali era o restaurante, ali era o escritório. Ali era a torre onde os clientes subiam para ver as aves no pasto. Isso, pronto. É o cartão postal da fazenda. Era a Master 1. A Piracanjuba comprou as fazendas em 2008, por quase 12 milhões de reais. E hoje, o gado voltou a ser o centro da vida em Bela Vista. A roda da economia local travou durante um tempo.

Mas voltou a girar. E a roda dos golpes também. Ainda em 2007, antes das últimas aves serem abatidas na Master, antes do Gerson se despedir, o Ministério Público pediu a suspensão das atividades de uma empresa goiana chamada AquaJoin. O negócio deles era engorda de camarões da Malásia. Procura depois pra você ver, porque esses camarões realmente são de um tamanho impressionante. Mas os detalhes da proposta da Aquajoin são estranhamente familiares. Você investia um dinheiro, o camarão crescia...

E se ganhava 10% ao mês. O dono tinha sido até funcionário das fazendas reunidas boi-gordo, aquela que fazia propaganda no intervalo do rei do gado. Ouvindo tudo isso, Você deve estar pensando em mais algum esquema esquisito de investimento. Mais algum golpe na praça. Que pode ter rolado na sua cidade, com alguém que você conhece. Talvez seja assim porque o motor desse tipo de golpe é muito...

Muito forte. Teve um investidor que não quis aparecer no podcast, mas que falou assim. A vida é tão complicada, sabe? A gente trabalha tanto para ganhar, tão pouco. Como que a gente não vai querer um pouquinho de facilidade?

Falhas Judiciais e a Busca por Responsabilidade

Na hora, ele se sentiu muito idiota por ter acreditado. Hoje em dia, ele compara a experiência toda a uma hipnose coletiva. Obviamente, a gente tentando fazer o nosso trabalho da melhor forma possível, mas a resposta também relacionada à resposta do judiciário... Talvez a resposta do legislador é uma resposta muito aquém daquilo que a gente espera. Aqui o Daniel Salgado, do Ministério Público Federal. Para ele, a nossa lei ainda não sabe lidar direito com esse tipo de crime.

Os crimes, por exemplo, esses crimes contra o sistema financeiro, são crimes em que a pena é pequena, a pena mínima de dois anos. A pena máxima já é uma pena um pouco mais elevada. A Penala chega a seis anos no caso do artigo 6º da 7492, em que eles foram coordenados. Eles, no caso, são o Gerson Júnior, o Emerson e a Patrícia. O Gerson Pai morreu antes do julgamento.

O Júnior e a Patrícia foram condenados a seis anos e o Emerson a cinco. Eles só começaram a cumprir a pena em 2019, 14 anos depois da quebra. Isso gera para o Ministério Público... uma sensação de ineficácia se comparada ao esforço que foi dispendido para isso, comparada à pressão, comparada ao esforço todo que foi feito.

Eu vi que a foto de perfil no WhatsApp seu é uma ilustração do Don Quixote, né? É uma ilustração do Don Quixote. Você se sente um Don Quixote na vida? É o meu personagem preferido. Me sinto sim. E mesmo depois desses anos todos de instituição, com algumas vitórias em prol da sociedade e com algumas derrotas, eu procuro ainda manter a minha chama acesa, de alguma forma.

O Don Quixote é conhecido como o cavaleiro das causas impossíveis. E o Daniel parecia incomodado até hoje com a expectativa que a sociedade coloca em cima do trabalho dele. E outra questão também que eu acho que é interessante é que as pessoas, elas acham que o sistema de justiça criminal vai ser adequado para resolver os problemas delas, dessas pessoas. E não é.

Na realidade, quando o sistema de justiça criminal passa a atuar, é porque o caso já aconteceu. O crime já está consumado. Eu também não sei se uma pena mais alta, um julgamento mais rápido, teriam feito tanta diferença assim. E no caso da Master, tem uma dúvida até anterior que andou atormentando a gente. Até que ponto eles sabiam que eles estavam cometendo um crime? Essa foi uma das nossas primeiras perguntas na apuração.

Que a Master virou um esquema insustentável não cabia dúvida. Mas a pergunta era se ela nasceu como um golpe. E se não, em que momento ela se enveredou por esse caminho?

O Grande Debate: Inépcia ou Má-Fé?

A gente estava aberta para todas as respostas. Mas logo no começo, eu comecei a sentir uma disputa de narrativas dentro do nosso time. De um lado, tinha a hipótese de inépcia bem intencionada. Eu nem sei se bem intencionada é a palavra, mas eu não vi nenhuma evidência de que tenha sido um golpe. O que me parece, e isso acho que é muito comum em empresas familiares,

É que ninguém ali parecia ter formação pra gerir uma empresa daquele tamanho. Com vocês, a advogada da Inépsia, a Paula Scarpino. E eu vou ser advogada de má fé, então? Advogada do Trambique? Não sei se eu tô gostando desses nomes que você inventou, Flora. Os nomes são um detalhe. Eu só queria que vocês dessem uns argumentos de vocês. Eu começo, então? Ok, bom. A gente sabe que o negócio cresceu muito rápido.

O Hipólito Gadelha, aquele consultor do Senado, falou pra gente aquilo de que qualquer um com um semestre de contabilidade ia saber que aquilo estava errado. E ninguém ali na administração da Master tinha nenhum semestre de contabilidade. Eu consigo imaginar um mundo em que eles estavam naquela euforia dos avestruzes, meio tropeçando pra frente, de repente até dando umas engambeladas contábeis, mas com fé que o negócio era tão bom que tudo ia acabar se resolvendo.

E assim, por que eles iam montar fazendas daquele tamanho com tanto profissional qualificado só de fachada? Até o abatedouro, que foi um projeto milionário, acabou saindo do papel. Eles botaram todo o dinheiro que eles tinham nos avestruzes. Nos avestruzes e em marketing pesado. Em Ferrari, em Hummer, em helicóptero. Tá, gente, ponto pro trambique aí.

Mas vocês não acham que se fosse um golpe pensado, eles não iam fazer uma reserva pra hora do baque? Tipo Suíça, Ilhas Fiscais, sei lá, botar no nome de outra pessoa. Tá, vamos passar para a advogada da sacanagem, a excelentíssima Carolina Moraes. Bom, primeiro tem os antecedentes, né? Que foi aquele condomínio que o Gerson Maciel fez em Ilhabela não muito antes de abrir a Master.

Ele acabou sendo processado porque o terreno não estava regularizado e porque ele não entregou as benfeitorias que ele tinha prometido. E isso aconteceu logo antes dele se mudar para Goiânia e começar o projeto da Master. E aí, olhando a expansão da Master... Tem um momento ali que parece que essas engambeladas são bem deliberadas, não é uma coisa mal feita.

Teve até aquela questão envolvendo os CNPJs da empresa, porque eles começaram a maquiar esses dados e aí eles fizeram parecer que o império da estrutura que eles estavam construindo era muito maior do que de fato era, né? As contas da empresa são realmente bem confusas. Por exemplo, em 2004, o ativo da Master saltou de quase 3 milhões para quase 134 milhões. E aí o natural seria...

Se tem mais gente comprando avestruz, cresce o gasto com os bichos nas fazendas, né? Mas quase todo esse dinheiro ia para um outro setor chamado estoques, que não era especificado. Ou seja, não dava pra saber direito o que eles estavam fazendo com o dinheiro. Virava e mexia, eles pagavam despesas da Master direto com cheque de investidor, anotavam coisa em papel de pão. Aquilo é tudo que você já sabe.

Tá, mas de novo, isso podia ser consequência da falta de preparo da família, né? Pode. E outra, né? Não que isso seja argumento de que não era golpe, mas no fim, os Marcel não saíram dessa história melhor que os investidores. Eles tiveram aquele momento de esborne ali. E aí eles voltaram pra vida que eles tinham antes. Até pior, porque eles estavam marcados por essa história. Com antecedentes criminais, com mais dificuldade pra arrumar emprego. E tem uma coisa de classe aí também.

O Sonho que Persiste: Retornar à Master?

Eles não tinham costas quentes, eles não caíram pra cima, não arrumaram emprego de fachada na empresa de algum contatinho. Parecia que eles estavam entendendo que essa ascensão tinha sido sólida, que a empresa era sólida. Quer dizer, a queda foi um susto pra eles. Na reta final do processo criminal contra a família, contra o Júnior, a Patrícia e o Emerson, a responsabilidade recaiu toda sobre o Gerson Maciel, que não estava mais ali para contar a versão dele da história.

A defesa dos três, dos únicos que acabaram respondendo criminalmente pelo caso, porque a Beth só cuidava do lado dos bichos, não da empresa, a defesa deles foi para esse lado. A mente por trás do negócio era o Gerson Maciel. Ninguém mais apitava nada lá dentro. E se a justiça achava que a Master tinha cometido crimes, a responsabilidade só podia ser do Gerson.

É consenso que o Gerson era controlador, que tudo passava por ele, e que, portanto, ele era o principal culpado. Mas, no fim das contas, quando ele saiu de cena, esse consenso acabou sendo bastante conveniente. Meu sonho era poder voltar, levantar, e as pessoas que naquela época perderam, recuperar. Mas para recuperar, a gente tem que criar de novo, a gente sabe que tem que fazer. Tenho. Tenho. Eu tenho. É um sonho que eu tenho. Porque...

Me incomoda o prejuízo que as pessoas tiveram, mesmo sabendo que não foi culpa minha, me incomoda. As pessoas apoiaram seus sonhos na gente. Então, isso me dói. Porque... Quanta gente, tudo bem, tem gente que fala assim, ah, tá bom, eu perdi X milhões, eu perdi X mil, não importa. Mas levar a vida pra frente, a nossa vida não deu pra ir pra frente.

A gente vai até onde a gente consegue. Meus irmãos, eles falam, eles não acreditam que um dia a gente vai conseguir fazer alguma coisa. Eu acredito. Eu acredito. Que a hora que as pessoas souberem o que realmente aconteceu... E vão saber, a gente vai conseguir dar a volta por cima e fazer, respaldar alguém, você entendeu? Qualquer coisa. Eu não sei como seria essa volta por cima.

Mas quando a gente viu, a Beth já estava vendendo para a gente o sonho do avestruz próprio de novo. O avestruz é muito rápido o ganho com ele. Para quem, por exemplo, tem um treino pequeno... Um casal rende muito. Pra quem fala, não tem tempo pra criar um gado, né? Gado é só cinco alqueires por cabeça. Um avestruz você coloca até 10, 12, mil metros, que não é nada.

Só que por causa da Master, tem muita gente que não quer ver avestruz nem pintado hoje em dia. Teve uma senhora que a gente encontrou em Goiânia, que quando a gente pronunciou o nome da empresa... Ela só cortou dizendo sangue de Jesus. A gente estava de gravador e microfone na mão, mas ela fez a gente guardar e fez ameaças bem concretas de vingança caso a gente resolvesse gravar escondido.

Tem muita tristeza e muita vergonha em torno dessa história toda. Mas a Beth não é a única que ainda não abriu mão do sonho. Uma coisa que a Nicole falou na nossa primeira conversa ficou ecoando na nossa cabeça. Se o seu Gerson voltasse e fizesse vou abrir uma empresa, quero você comigo, eu ia. Essa pergunta não estava na nossa pauta.

Mas depois da Nicole, a gente acabou ouvindo de muita gente que elas iam adorar voltar para a Master. Também. Voltaria sim. O Sebastião Rosa ia voltar porque ele adorava trabalhar com o Gerson Maciel. Já o Claudio Gardini ia voltar por outro motivo. E aí tem a Manu com o estoque.

A gente pensou que a gente fosse se aposentar lá dentro, porque a gente nunca mais ia sair lá dentro, porque a gente nunca ia ter família, porque a gente não precisava de mais nada. Era tão engraçado. Mas eu não sei se a gente tem saudade de um sonho, ou se a gente tem saudade daquela realidade.

Sabe assim? Que aquela realidade nunca mais voltaria a ser igual. Eu acho que todos nós paramos naquela realidade. Eu sempre comento assim, você conheceu alguém, qualquer pessoa que fala eu sou 100% feliz? Não existe. Eu posso dizer que eu fui mais de 100% feliz. Eu não tinha mais que querer mais nada. Eu estava feliz.

Avestruzes no Carnaval e a Metáfora Final

Para alguns, não para a maioria com certeza, mas para alguns, a Master foi um momento de glória, no meio de uma existência um pouco mais comum, que nem o carnaval. Quando a gente conversou com o Milton Cunha, o grande decano carnavalesco da nossa era, eu joguei uma pergunta para ele bem no final da entrevista. Você lembra de ter avestruz incorporados no enredo de algumas costas? Sim, já teve. Rosa Magalhães fez uns avestruz na África dela. Sim, é... No meu ano do enredo de...

Preto e branco a cores África do Sul. Eu fiz uma ala de avestruzes, sim. Uma ala de avestruzes. A gente foi ver o desfile do qual ele estava falando. Foi do Porto da Pedra. O vídeo do desfile já é meio antigo, mas dá pra ver a bicharada da África do Sul desfilando pela Sapucaí. As girafas, depois os elefantes, depois os leões e depois... Bom, depois tem uma ala em que os componentes estão usando roupa preta no corpo, plumas brancas nos ombros e o que parecem ser cabeças gigantes de... galinhas?

Bom, pelo menos tinha pluma envolvida. Você lembra se você comprou plumas brasileiras para isso? A Paulinha ficou intrigada porque esse desfile aconteceu no começo de 2007. Então as plumas de avestruz teriam sido tiradas no ano anterior, 2006, quando, pelo menos teoricamente, a massa falida da Master poderia ter vendido. E o Milton achou que talvez, talvez, ele tivesse pedido pelo menos algumas plumas de um criatório nacional. Além da ala de avestruzes, ponto de interrogação,

Ele lembrava de ter usado pluma sem tintura para as fantasias da bateria. A gente ligou para o Porto da Pedra, mas eles, compreensivamente, não tinham notas fiscais de 20 anos atrás. Não tem como saber se as aves da Master puderam realizar um sonho que nunca foi delas. Um sonho puramente humano. O de desfilar pela Sapucaí e chegar na apoteose. O avestruz na chuva, ele mingua. Ele já era, ele vira um talo. Isso que o Milton falou, a gente não sabia. Avestruz é um bicho desértico, né?

Ele não foi feito para lidar com a chuva. Porque é a pluma mais nobre. É a pluma gorda, que faz volume, que dá leveza. que dá um movimento lindo pra vedete, pro carnaval, pras estrelas, pras musas, pras rainhas. Choveu, meu amor, a gente chama de galinha molhada, porque só sobra o talo e fica horrível. Foi um pouco isso que aconteceu com a Master. Choveu.

e uma pluma opulenta se transformou num talo minguado. Tem uma história que eu li num livro chamado Dream Birds, de um autor sul-africano, o Rob Nixon. Era a história de um rapaz que encontrou um diamante absolutamente enorme numa região que hoje pertence à costa da Namíbia. O negócio é que não tinha diamantes naquela região específica.

Quer dizer, nunca ninguém tinha encontrado diamantes naquelas terras antes. O povo começou a fuçar e fuçar enlouquecidamente, mas nada surgia. Até que um dia um caçador matou um avestruz... e encontrou um diamante na moela dele. Não sei se você já viu galinha ciscando e comendo pedrinha. Bom, tem muitas aves que fazem isso para ajudar na digestão. O avestruz não foge à regra.

E eles, assim como muitas aves, também gostam de coisa que brilha. Daí que um avestruz deve ter engolido aquele diamante enorme em algum outro canto do continente. Andou, andou, correu, viveu. E foi fazer as necessidades lá na costa da Namíbia, provocando uma corrida mineral. E o que se seguiu não foi muito mais digno. Óbvio que começou uma caça selvagem aos avestruzes.

reza a lenda que tinha um com 53 diamantes na barriga. Isso que é sinônimo de opulência. Eu lembrei dessa história porque eu acho que ela tem um pouco a ver com a nossa. Durante alguns poucos anos, era como se os avestruzes amastas tivessem diamantes na barriga. E eles pagaram o preço por uma mentira que não foram eles que espalharam.

Agradecimentos e Ficha Técnica

Obrigado por ouvir o Avestruz Master. A gente queria agradecer todo mundo que nos ajudou a contar essa história, mesmo os depoimentos que acabaram não entrando. Muito obrigada a Luciana Batalha, o Celso Carre, o José Augusto Leão.

o Maximino dos Santos Alferes, a Malu Longo, ao Murilo Lobo, a Cileide Cunha, o Luciano Pires, o Ademir do Rancho Colibri, a Brits Lopes, o Cassim Zaidem, o Eduardo Scartesini, o Lorenzo Ferrari, o Marcelo de Resende, o Eduardo Rec de Sá, a Beatriz Bastos, a Daniela Fredo, o Levi de Alvarenga, a Helena Lobo da Costa, a Tânia Maria, o Júnior Lima,

aos investidores e envolvidos que deram depoimentos em off e a todo mundo que ajudou a gente nessa extrútil aventura. Avestruz Master foi uma série original da Rádio Novelo. No nosso site tem conteúdo extra de todos os episódios, com fotos da apuração e referências para mergulhar ainda mais no mundo da Master. Agora, se você quiser ter acesso a ainda mais conteúdos dos originais da Rádio Novelo,

vem fazer parte do Clube da Novelo. Aqui na descrição do episódio tem um link para saber mais. Aqui na série Avestruz Master... A pesquisa e a reportagem são da Paula Scarpin, da Carolina Moraes e minhas. Eu sou a Flora Tom Sondevô. O desenvolvimento de roteiro é da Valentina Castelo Branco, com o texto meu, da Carolina e da Paula.

A produção executiva é da Marcela Casaca e a estratégia de produto é da Bia Ribeiro. A produção é da Carolina Moraes, com assistência da Tainá Nogueira e da Ashley Calvo. A montagem é da Evelyn Argenta, o desenho de som é da Paula Scarpin e a mixagem é da Júlia Matos. A presidência da Rádio Novelo é da Branca Viana. A edição executiva é da Natália Silva.

A gerência de produto é da Juliana Yeager e a de parcerias é da Luiz Assad. A identidade visual da série Avestruz Master foi feita pelo selo gráfico, com a Natasha Gompers e a Júlia Rezende. e com coordenação do Gustavo Nascimento. A Lari Constantino faz vídeos com motion design para as nossas redes. Nossa estagiária é Isabel de Santana.

A produção musical é da Stella Nishini e do Alma Medrado, em colaboração com os músicos Jordi Amorim nas cordas, Gordino Miranda na bateria e Thaís Mello no trompete. A gente usa também música adicional da Blue Dot. O apoio de pesquisa em Goiânia foi da Eduarda Veríssimo e do Gustavo Marques. A checagem é da Eta Rudnitsky. E a revisão das transcrições dos episódios é feita pela Flora Vieira. Obrigada por ouvir a gente.

This transcript was generated by Metacast using AI and may contain inaccuracies. Learn more about transcripts.
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