¶ A Maternidade e a Escrita Pessoal
Chateado com a bronca, a criança grita para mim, Nunca mais vou falar com você! E sai de perto, deixando eu, o pai e a irmã especulando. Quanto tempo vai durar o nunca mais dela? Logo depois ela volta remoendo a pirraça e mantendo o voto de silêncio, mas me lança um olhar de desenho animado. Ela está pronta para dormir. Vou até o quarto, seguida de perto. Arrumo a cama observada por uma menina contrariada, e me deito como quem não quer nada ao lado dela na cama.
Mas por que você não vai mais falar comigo, Carol? Muito brava, ela me questiona. Ah, você não sabe o que você fez comigo hoje, não? Esqueceu, é. Olho para o teto, forçando a memória, e me põe a relatar. Because I didn't know I did ban, fregue and massage to be cheirosa. I bought it, assistimos a final happy fit junta. Assim, busquei água duas vezes pra você, porque você pediu, lembra? Depois escovei seus dentinhos. Foi isso que fiz.
Com cara de quem quer rir, mas não pode, deitada e já aconchegada sob o meu abraço, ela olha para um lado, para o outro, ensaia a dizer algo, mas admite o impacto. Também não sei o que você fez para eu nunca mais falar com você, mas ainda estou com raiva. Eu te entendo. Comenta. E ficamos abraçadinhas enquanto ela tenta recordar o motivo. Para minha sorte, o sorriso volta antes da memória e ela adormece. Observo seu rosto tranquilo, os cílios grandes e a respiração calma.
Na manhã seguinte, ela levantou feliz. Hoje dormi sem perceber.
¶ Boas-vindas e Apresentação da Convidada
Sejam bem-vindas e bem-vindos ao podcast As Amigas Geniais, um espaço para cultivar empatia e transformar as relações de amizade por meio de literatura, escrita e arte. Eu sou a Marina Monteiro. Eu sou a Sandra Costa. E no episódio de hoje vamos falar sobre a literatura que permeia a maternidade, as relações familiares, o casamento e a educação. Our convidation genial of hours is especialista in containing stories, traduzing difficulties, and agradable what is complicated.
Ela é jornalista e trabalhou como repórter, editora, colunista e correspondente em Londres para a Folha de São Paulo, a Revista Época e o Jornal do Brasil. Ela ainda escreveu conteúdo didático sobre comunicação, realizou várias palestras, inclusive um TEDx. Nossa convidada publicou quatro livros, sendo que o último foi A Mãe da Lua e do Vento, lançado ano passado pela Jacum Bella.
Because of a temporary vivendo in Portugal, Londres, where is terminated mestrado in escrita criativa in Royal Holloway, University of London. A nossa convidada de hoje é a genial Isabel Clemente. Seja bem-vinda, Isabel. Muito obrigada. Bem-vinda, Isabel. Uhul! Obrigada, meninas. Prazer imenso estar aqui. Muito legal. Obrigada pelo convite. A gente fica muito feliz de ter você aqui com a gente também.
¶ A Decisão de Deixar o Jornalismo
Bom, Isabel, eu já quero começar sabendo assim, você na minha pesquisa aqui sobre você é. Você eu li uma crônica sua que você fala que se tornou jornalista porque queria contar histórias. E aí, no final dessa crônica, você conta da sua decisão de se divorciar do jornalismo para se dedicar à escrita. Então eu quero saber como que foi essa história de que o jornalismo. Só o jornalismo, só o jornalismo. Não foi suficiente para a realização.
Desse desejo, né? Então, conta pra gente seu encontro com a escrita literária. Bem, eu acho que é isso. Eu amo ser jornalista, acho que a gente, uma vez jornalista, nunca mais deixa de ser jornalista. Mas eu precisava dar vazão a algo mais, a uma criatividade que o jornalismo que eu fazia não me permitia tanto.
Eu acho que vai lá de trás quando a gente está fazendo faculdade de jornalismo e pensa a eu quero trabalhar no caderno de cultura porque no fundo eu quero mergulhar tanto nos livros e nesse mundo que eu vou acabar escrevendo sobre eles também. E não foi isso que aconteceu, né? Eu comecei logo repórter de economia e fui para o chamado Hard News. And assumes pesados, difíceis and complicados, and political, and investigações, and denúncias.
Do jornalismo. Eu sou muito grata porque acho que me ensinou. Qualidades e me deu referências importantes para a escrita. Porque se tem algo que eu acredito, gente, é toda escrita é criativa, sabe? A escrita é uma arte. Então, uma vez que a gente começa a escrever, a botar as palavrinhas na tela, no papel, a gente está fazendo uma arte, claro que pode ser melhor. Mais engraçada, mais divertida, mais profunda, mais densa, mais emocionante, com várias qualidades, mas toda escrita criativa.
E eu fui nessa jornada bem longa, né, do jornalismo, mas eu tive que ir amadurecendo essa separação em terapia, porque é um divórcio, como você bem disse, Marina, é um divórcio. A gente tem sobrenome, eu não mudei meu nome. Eu não, você que disse. Oi.
Eu não mudei meu nome depois que eu casei, mas eu mudei meu nome quando eu saí de Jona do Brasil, fui para a Folha, de Só da Folha fui para a época, que você vira Isabel da Época, Isabel da Folha, sabe? A Isabel do JB, e de repente eu não era Isabel de mais nenhum desses lugares. Então eu tive que me lançar nessa me dar essa chance, porque assim o tempo é curto, né? A vida é curta, o tempo é curto. Então, uma vez imersa no trabalho, a gente não consegue dar vazão.
¶ Maternidade: A Grande Inspiração Literária
As outras histórias, anda coincidência o meu primeiro livro, A Pior Mãe do Mundo, ter sido um livro gestado e gerado a partir da minha maternidade, porque a minha maternidade. E aí você fala, ah, ficou em casa com as crianças? Não, não é só isso. A maternidade fez com que eu olhasse para a minha criança. Quem era eu quando criança? O que eu queria fazer?
E eu sou escritora desde criancinha. Assim, eu sonho com isso desde pequena. Eu sempre amei ler. Eu não tinha muitos livros em casa, então eu reli aqueles livros, aqueles contos, aquelas. Contas de fadas várias vezes, o burro que espirrava dinheiro várias vezes, sabe, várias histórias que eu relia, então aquilo eu cresci com essas histórias. E sempre tive uma quedinha para o humor. Então, já que eu não conseguia.
I was reportaged to my family. I reunia for Natal and in final day I distribuía o jornalzinho feito in casa. Com cenas que eu tinha visto, presenciado, testemunhado, ouvido e talvez exagerado, para que eles pudessem rir de si mesmos e eu fazia isso. É o Fofoquinha News. Menos isso, né? Sempre tem pessoas que viram o contador de história, então eu passei por isso. Ask this. Those ultimate times me levou para Portugal no sabbatical with my family, my marriage for a mestrado.
And this story during three years and during three, I terminated my ministry. But reveal a voltage, because afterwards we were in a world that was a great revire voltage, with pandemic, E ninguém saiu totalmente ileso dessa. Eu estou aqui ainda nessa mesma jornada, nessa insistência da minha vida de escritora. Que foi se desdobrando, né? Assim é quando a gente escreve um material didático, um conteúdo diferenciado, que você precisa conquistar audiência com história.
E com a informação transmitida de outra forma, você está usando o poder da história para mobilizar. E eu acho que é isso, eu queria explorar as outras possibilidades além do jornalismo para contar história. Então, já que você falou da pior mãe do mundo, né?
¶ Expondo a Família na Literatura
Tem uma pergunta: Quais são os critérios para ser a pior mãe do mundo? Brincadeira. Não tem um critério, o critério é você achar que você nunca vai ouvir isso dos seus filhos. É super legal, e aí você cai a ficha que você não é legal o tempo todo, atrás de você não é nada legal. Esse livro fala do seu cotidiano, do cotidiano da sua família com crianças pequenas.
Não só do seu próprio, mas seu e do seu marido, né? Fala de educação, dessas relações, né? E eu queria saber como que foi para você essa experiência de transformar. As histórias da sua família em livro, como que você. Lidaram com essa exposição que não deixa de ser uma exposição, e ao mesmo tempo, como é o retorno das suas leitoras, dos seus leitores, das pessoas que se identificam com esse tema. Porque eu fico imaginando assim.
Quando a gente escreve crônica, isso para mim isso já está dado, né? As pessoas ao nosso redor são a nossa história, né? Então tem uma exposição que que às vezes as pessoas não estão as as personagens da história não estão esperando né mas ao mesmo tempo É agir, nós seres humanos somos iguais no mundo todo, né? Então as identificações são muitas assim.
And I can say como que foi para a sua família. Olha, eu acho que eu simplesmente transferi para dentro da minha casa o que o jornalismo me ensinou a fazer, que é observar, quer ouvir, quer entender quem está perto de mim, né? Com o benefício De saber que nesse exercício de olhar para dentro da minha casa, de escutar o que os outros falam, que as crianças, como elas conversam, como os diálogos se passam,
Eu estava exercendo ali, eu estava praticando literatura. For example, o diálogo, o diálogo é uma coisa muito difícil de reproduzir. Já percebeu? Você não pode usar o diálogo para transmitir informação. O diálogo às vezes é um embate de dois monólogos, as pessoas falam, se apropelam e então eu fui.
Eu usei realmente assim o meu ambiente para perceber o quanto aquilo tudo era universal, né? Porque é isso que a gente busca quando a gente lê, né? A gente gosta muito de uma história quando a gente se encontra naquela história de alguma forma, a gente se identifica. Essa coisa do se identificar com a literatura, com uma cena.
Mesmo que não seja assim nos mínimos detalhes, mas com a essência daquilo, com o sentimento que aquilo te transfere, te transmite, era esse o meu objetivo. Eu acho que quando eu lancei o primeiro livro, que foi em 2014. Eu tive que criar perfis nas redes, porque eu não estava nas redes, e realmente assim, o meu objetivo não era me tornar um, digamos, uma influência de maternidade, tá? Eu fugi disso mesmo.
Eu não publicava foto das meninas, eu é. O meu dia a dia tinha que estar contado em palavras, porque eu tinha que dar espaço para a audiência criar. Sabe, não é. Não é sobre as minhas filhas, é sobre criança, e não é sobre mim, é sobre ser mãe e pai, é sobre educar, é sobre cuidar, é sobre esse trabalho inacreditável de ser responsável por uma outra pessoa. Isso se aplica para.
Todos nós, todos nós que cuidamos de um ser dependente, frágil, menor, mais novo. Então, eu realmente, conscientemente, essa era a minha preocupação. Se eu conseguir fazer, eu não sei, mas eu acho que sim, porque Teve até um elemento surpresa nessa história, né? Eu estava preocupada em escrever para que Marina, Sandra, João, Luiz, quem quer que fosse se visse ali naquele lugar.
De preferência, com distanciamento suficiente para perceber o quanto nós somos ridículos, visíveis, engraçados, incoerentes, inseguros, porque somos todos, sabe? Então, essa era a minha preocupação, digamos, ali na. A frente da minha vista, aquilo que eu consegui enxergar. Aí quando eu lancei o livro, no lançamento um amigo da escola foi, e aí ele foi com o filho, ele me falou assim: Olha, parabéns, porque esse é o primeiro livro que o meu filho lê sem que a escola obrigada.
And he laughed. He laughed a lot. Aí eu pensei, olha só... A criança se identificou na fala das crianças. E aí, assim, eu acho que esse foi o meu grande prêmio, o meu grande retorno, porque também no dia do lançamento no Rio de Janeiro, eu voltei pra casa e a minha filha mais velha Letícia, que na época tinha seis anos, estava deitada Na cama lendo o livro. Aí eu passei, olhei pelo corredor, fui embora, daqui a pouco eu ouvi ela rindo alto.
Cara, isso não tem preço, sabe? Eu não sei, ela tava rindo dela, ela tava rindo de mim, do pai, da irmã, ela tava rindo de alguma coisa, não é? Então, eu acho que quando a gente deixa Vazar a nossa verdade quando a gente se expõe nesse sentido, Marina, que eu acho que foi o que você perguntou, né? Como é que essa disposição?
Não era exposição, porque, como eu disse, eu não estava lá botando foto e querendo ganhar seguidor. Talvez eu devesse, talvez eu tivesse vendido mais, mas assim, eu não estava preocupada com isso, eu queria. Que aquela verdade que eu estava colocando nas histórias permitisse que outras pessoas se colocassem nesse lugar. E eu acho legal que você falou das crianças lendo, porque fico imaginando que para as crianças sejam
Um jeito de entrar nos bastidores assim dos adultos, né? Que é um mundo que elas Tem pouco acesso, tanto pela compreensão quanto pelo que é levado para elas. Então ela vê o lado adulto contando a história, imaginando a história, está. Saber o que se passou na cabeça ali do outro lado deve ser uma glória para eles, né? Uma descoberta. Sim, eu acho que é uma portinha que se abre, né? E aí assim você tem. E também enxergar os adultos.
Como humanos, porque nessa idade assim, tão novos, os pais são muito heróis ainda, perfeitos, sabem tudo. E as histórias ajudam eles a enxergarem que a gente só muda de tamanho, mas a humanidade continua mesmo, né? É isso aí, perfeito.
¶ Identificação Universal com as Histórias
Mas sabe, eu estava comentando com a Marina, Isabel, que eu estava lendo nessas. Eu comprei o seu livro e eu estava lendo as primeiras crônicas, e apesar de não ter filhos. São histórias que acabam dialogando muito com a gente também, né? Então, não só os filhos, porque eu também sou filha e também, de certa forma, tenho minha história familiar, mas são histórias em que A gente se vê alguma personificação de uma amiga nossa, uma cunhada, alguém que está ali perto que tem criança.
And a gente se vê ali, né? Então é muito interessante também esse diálogo que ultrapassa aquele que está dentro de uma esfera da maternidade. É isso, como eu disse para vocês, não é uma coincidência eu ter assim aberto a porteira da minha vida literária com esse livro e com essa experiência, porque eu não só estava ouvindo as minhas filhas, eu estava ouvindo a minha criança.
E o que ela queria ser quando crescer, mesmo? Quais eram os planos que ela tinha que ela deixou pelo caminho, que ela não cumpriu? E isso tudo foi uma reflexão muito profunda, porque na verdade eu demorei a perceber que, como jornalista, eu estava realizando esse sonho. Gente, pelo amor de Deus, eu vivia a minha vida escrevendo, não era isso que eu queria fazer? Oi! Então. Sabe, a ficha vai caindo aos poucos quando a gente vai crescendo e olhando o outro como um espelho.
Né, é um espelho que às vezes reflete o óbvio e às vezes reflete uma coisa tão profunda que a gente não tinha se tocado. And you tinha também, ainda na questionada sobre essa questão da exposição, acho que eu falei, no, de repente é melhor dar um tempo. And um livro praticamente escrito que era Mãe da Lu e do Vento. E por causa de pandemia e de tudo, eu olhei para aquele livro.
Depois de uma série de coisas em casa em que aconteciam algumas coisas, aí a Letícia, que é a Magólia, falava assim: mãe, você tem que escrever isso para a gente não esquecer. Ah, que legal! Eu virei, sabe, sabe, o bicivista de bordo, o diarista, né? O escrivão, escreve aí, porque daqui a pouco a gente vai esquecer que isso aconteceu. E eu vou querer lembrar disso daqui a um tempo. Ela me pediu isso.
E eu acho que, sabe, quando desperta assim é outro gatilho, e tá bom, eu já lancei um outro livro sobre um assunto que tem nada a ver. Eu olhei aquele livro e falei, não vambora, que esse livro está aqui avançando um pouco mais na adolescência. And the jornada da escritor também, the minha busca pela escrita, pela realização of my son. And um parallelo aí that meus filhas crescendo ando. Você crescendo também. E aí todo mundo que tem sonho se identifica, né? Porque quem não tem, né?
¶ Publicando 'A Mãe da Lua e do Vento'
Foi falando então agora sobre a mãe da Lua e do Vento, Isabel? Eu queria que você falasse um pouco sobre ele e também sobre o seu processo de publicação. Quando a gente se conheceu lá no Instagram, a gente conversou um pouco e você tinha comentado comigo que tinha sido. O processo de financiamento coletivo, né? Via Catarse. Então, como que foi essa experiência da publicação? Porque foi durante a pandemia que você fez esse processo, e o que você aprendeu ao longo desse caminho?
Ay, fue una locura. É tipo assim: você faria de novo? Gente, não sei. Olha, é. É, o meu primeiro livro saiu por uma editora no Rio, que é uma pequena, mas que investiu, foi lindo. Foram três lançamentos: Rio, Brasília, São Paulo, foi muito legal o apoio e tal. Depois the second living parcel was in 2017. One of the contratted for a text that accompanied a living of photography lindíssimo of a photographer. E aí é como eu disse pra vocês, esse livro estava pronto, sabe, na gaveta, há muito tempo.
Ele estava pedindo para sair. Ele estava ele queria ver a história, ele não queria mais ficar ali, ainda mais com esses acontecimentos, pô, escreve isso para a gente não esquecer. Já era 2021, a pandemia ainda não tinha dado muita trégua. And I told me amadure a idea of esse mestrado aqui in Londres, então sei lá, gente, acho que foi um repente, eu preciso lançar esse livro, and I conseguia falar com ninguém no Brazil. Todo mundo fechado em Copas, crise.
Sem perspectiva, as editoras in crise, as lojas fechadas, e conversas adiadas. Eu falei, cara, não vou esperar não, porque Se eu entrar no mestrado, vai ser outro processo. E aí eu fiquei vendo esse livro dando um tchauzinho pra mim lá da minha gaveta, sabe, da nuvem. E eu falei assim, eu tenho que tirar esse livro daí. Então foi isso. Eu precisava tirar o livro do Sofoco, eu queria que ele existisse. Aí eu lancei a campanha de financiamento coletivo pelo Catarzi.
Tive muito apoio, as pessoas me deram muita força, não, legal que eu quero ler, porque assim é os livros são garrafinhas que você joga o mar, né? E ainda por conta da pior mãe do mundo, que é de 2014, eu ainda venho sendo chamada para fazer palestra, para participar de algum evento ligado ao Lio. Eventuais encomendas, porque o livro, não sei se você consegue achar ele ainda em livraria no Brasil, acho que só na Amazon mesmo.
Então e estavam rolando essas coincidências, sabe, de empresa me procurar, queria encomendar o primeiro livro. Tem demanda, né? Tem os leitores que querem o segundo. Aí foi isso, resolvi me lançar na aventura, acho que aprendi horrores sobre a sobre a linha de produção de um livro, né? Porque tem que contratar todo mundo, a capista, a designer. Diagramadora, revisou, eu contatei três revisoras, tive três revisões para o meu livro, porque são duas antes e uma depois da diagramação feita.
Então eu vi essa máquina funcionando, então chegou uma hora que eu pensei, gente, se eu não tiver prejuízo, está legal. Está legal, está ótimo! Uma gráfica furou comigo, tive que pedir outro orçamento em cima da hora. Bastante atração, digamos que foi ótimo para a trama porque história sem emoção não tem graça. Então, a trama está bem rica. Cheia de reviravolta, momentos de desespero, de choro mesmo, de por que eu fiz isso? Eu tenho mais o que fazer.
Mas enfim, deu certo, deu certo, e aí, olhando pro lado bom, bancando otimista, acho que.
¶ Coragem e Transparência do Escritor
todo esse processo me jogou mais para frente mesmo na minha criatividade na minha na minha digamos Coragem de me lançar, porque escrever, escreva você sobre a sua vida, sobre a sua história, o que quer que seja. A escrita é um processo de muita transparência. You are alive, the palavras are alien. Those people will conceive of a form that talents. Os colegas não conheçam, sabe? Você cria um laço com gente que você nunca viu.
E eu acho que isso também exige um pouco de coragem, você tem que se soltar um pouco e se lançar nessa aventura. E eu acho que eu fui bem ousada porque. I talk piano as criance, I'm amadora, totally amadora, but I resolved compor then. And de repente E vinha uma melodia na minha cabeça, eu ia pegar o telefone e gravava aquela melodia e botava no piano, botava no piano, e aí eu gravei uma musiquinha que eu tinha começado a compor há muito tempo e ela foi evoluindo.
E eu bati essa música de A Mãe da Lua e do Vento e virou o soundtrack, a trilha sonora do vídeo que lindo! Eu meti a mão na massa e fiz tudo. E assim, medo de julgamento, de crítica, eu falei, cara, será que está muito ruim? Será que é legal? Será que não está? fui sabe e fui eu acho que foi muito legal da da vida A história da vida, a música que faz parte da minha escrita, apesar de não sou profissional, mas eu sei que a música ela está completamente ligada.
¶ Mestrado em Escrita Criativa Londres
Bom, Isabel, e você está agora prestes a finalizar um mestrado em escrita criativa aqui em Londres, né? Então eu queria saber, eu estou super curiosa sobre isso, porque eu fiz em Portugal. E, de certa forma, tá, você está até em outro país, mas você se escreve dentro do seu idioma. Como que foi para você escrever em inglês?
E como que foi essa experiência também de estar em um lugar com tanta tradição no ensino da escrita? O que você pegou de principal aprendizado sobre essa experiência? E o que fica depois desses meses de estudo? Muita inspiração que você começou com 48 anos, é isso? É, 48. Eu tenho 44 contas.
Estava conversando sobre você com meu marido e falei a esperança, a esperança. Ainda há tempo, nunca é tarde. Nunca olha, vamos por parte. Landes é uma história antiga. Eu morei aqui aos 19 anos, eu voltei aqui aos 25. Eu vim às 19 sozinha, estava aqui em faculdade, morei aqui um ano estudando inglês, trabalhando como opera, né? Babá. And I'm correspondent to Folha. Folha de Saint Paul had a program of correspondents juniors, and I candidate and escolh.
E aí, o meu então namorado, hoje marido, passou uma temporadinha comigo, pegou uma licença que ficou aqui comigo, e aí eu voltei assim, às 48 do primeiro tempo, com ele e com elas, né? Então. Eu já vi também que vocês estão formando uma banda, porque ele passou aí atrás segurando um violão. Eu já vi passando um violão, claro.
A cientícia canta, Carol tá capiando. Eu tento montar uma banda, mas ele não me acompanhou nessa nível de exposição parou nas crônicas. Então, assim, Londres tinha esse amor antigo. Como você mesmo disse, Sandra, a tradição do ensino de escrita criativa aqui, obviamente, era uma ambição muito grande, porque, gente, vamos lá aprender com quem está estudando esse negócio há mais tempo, né? Por que não?
Os caras fazem, fazem bem, os caras e as minas vão lá, é todo mundo. Então, claro que o peso desse mercado aqui foi um tremendo de um chamariz. E foi outra loucura, né? Depois de lançar um livro sozinha, eu pensei, vou aí fui cumprindo as etapas porque a gente começa meio que desconfiando da possibilidade. Eu estava. Sim, tudo bem. Meu inglês era bom, mas eu estava morando em Portugal, né? Então eu estava escrevendo em português. Aliás, eu estava mergulhada na lousofonia.
Inspirando nos portugueses falados no mundo todo para envelhecer o meu brasileiro, digamos assim. Então, o meu inglês estava ali para filme, podcast e algumas leituras. E de repente, quando eu consegui cumprir todas as etapas e fui aceita e convidada para vir, eu pensei, cara, eu sou louca, né? Assim, eu sou escritora e eu vou cometer erros de gramática, eu vou cometer erros que.
Eu me crucificaria se eu cometesse isso em português. Mas fazer o quê? É o que temos, é o que eu me propus fazer, e cheguei aqui. É chinelinho, né? Baixo com o pezinho descalço. Assim vamos lá. Eu queria muito aprender e eu vim disposta a procurar os recursos intercambiáveis, aquilo que Eu sou apaixonada por lindins, então eu gosto muito, eu estudei
espanhol, francês, eu comecei a estudar italiano em Portugal. Eu gosto muito de línguas, eu acho que as línguas, como a música, né? Tá no mesmo na mesma parte do cérebro e acho que isso tudo está interconectado. Então eu pensei, vai ter alguma coisa aí de escrever inglês que eu ainda não sei o que é, mas eu quero aprender, eu quero aprender, eu quero ver o que vai acontecer. E foi uma jornada, ainda está sendo, porque eu vou entregar o meu último trabalho na quinta-feira, está pronto.
¶ Desafios e Descobertas Linguísticas
Foi uma jornada assim de muitos desafios. A princípio assustador, porque eu queria fazer algo bom. Será que eu vou encontrar minha voz em inglês? Eu tenho a minha voz em português, eu vou encontrar minha voz em inglês. Como é que vai ser ir? E aí, acho que por umas coincidências infelizes de Brexit e. Eu sou a única que não tem inglês como língua nativa. Então assim, eu virei minoria, I so minoria, tá lá de repente essa latina fazendo uma estada em escrita criativa.
Bom, para compensar tudo isso, eu devorei livros. Eu li mais de 60 livros in um ano. Eu descobri escritoras fantásticas, eu estou apaixonada. Que era uma lista. São várias, porque eu precisava ler, eu precisava mergulhar nesse mundo e remergulhar, lembrar coisas que eu já tinha lido.
e não lembrava mais, porque olha só que engraçado, quando eu morei em Londres aos 19 anos, in frente ao meu quarto tinha um estante de livros enorme, e a dona da casa para quem eu trabalhava, fique à vontade, pega o livro que você quiser aí. Aí fui passando o dedinho lá naquela prateleira e, de repente, 100 anos de solidão, em inglês.
E eu pensei, nossa, 100 anos de solidão, eu tava me sentindo super só, né? Porque morando longe de casa, família não tinha internet, não tinha WhatsApp, era carta, demorava a chegar notícia, ligação era cara. E eu estava me sentindo muito sozinha. Eu falei: bom, eu vou ler a história de alguém que se sentiu mais tempo sozinha do que eu, 100 anos de solidão. Aí peguei, Gabriel Garcia Marques em inglês.
And this was a mark in my life, because I didn't live in Portuguese, and I've listened in Spanish. And it was marked my life. And when I cheguei aqui, I come pensar tudo isso que eu achava que estava faltando in my English, form to me comunicar. E isso foi de um crescimento absurdo. Eu amei cada momento, acho que eu fui realmente.
Despindo a roupa de jornalista, de certas manias, de certas referências que eu estava trazendo, que de repente não era mais preciso, eu não precisava fazer daquela forma, eu podia fazer diferente. foi assim que a minha orientadora né me me colocou Assim como a professora principal, que tem um nome aqui específico, mas é quem coordenava o curso até chegar o momento da orientação direta que eu tive com a diretora do mestrado.
E aí, escrevi em outra língua, no caso, uma língua que é uma língua adicional, não é a minha segunda língua, não cresci, não fui educada em inglês. Me mostrou uma coisa muito óbvia. Que são os mecanismos que a gente usa para escrever em português. Porque quantas vezes eu escrevia alguma coisa e aí depois eu voltava correndo no meu arquivo?
Como é que eu esqueci dessa palavra? Essa palavra é linda, maravilhosa. Eu amo essa palavra. Como eu não usei essa palavra? Me desculpe, palavra, por ter esquecido de você. Eu vou botar você agora de volta no meu texto. Eu pensei que você é em português. Como é que eu combinei esse livro? Ia lá no Search e não usei uma única vez? Sabe, a gente esquece o português, a gente esquece as outras várias formas de comunicar alguma coisa.
E por isso ter ficado tão claro no inglês para mim, eu vi que é importante a gente não perder o deslumbramento com a nossa própria língua. Sabe? A surpresa que a língua causa. Porque essa surpresa que a língua me causa também causa em quem está me lendo, a nossa audiência. Se eu me surpreender com a palavra, quem está lendo também vai se surpreender. E aí o fato de eu me...
Tipo uma criança, né? Até descobrindo o mundo. Tudo bem, o inglês não era tanta novidade assim, mas ainda era mais novidade do que o português. Então, por me surpreender com a língua, eu percebi que É preciso cultivar essa surpresa constante da criança que olha o mundo e olha a própria língua com deslumbramento, com encantamento, com curiosidade.
Sabe, curiosidade mesmo. Não é à toa que o meu computador está em cima de um Ruas, eu não uso ele pra nada. Mas ele está aqui me lembrando que a língua tem muitas possibilidades, que uma palavra não é uma palavra. É que ela contém muitas nuances, né? E porque tinha que procurar as nuances do inglês de uma forma mais cuidadosa, eu acho que eu estou mais cuidadosa com o português também.
¶ Encontrando uma Nova Alma na Escrita
E eu acho que essa você ter que se Para você escrever em outra língua, você tem que mudar o seu próprio pensamento, porque você se coloca na cabeça do outro que. Do outro, do nativo daquela língua, né? Você você é como se Sim, eu sou professora de inglês. Eu estudei, dei aula durante 20 anos através da pedagogia Waldorf. Ah. Não sei se você já ouviu falar.
E o Rudolf Steiner, que desenvolveu a pedagogia Waldorf, ele fala assim: que cada vez é uma das coisas mais lindas que eu acho. Ele fala que cada vez que a gente aprende uma língua é como se a gente adquirisse uma nova alma. Porque cada língua tem a sua alma e você começa a pensar com a alma daquele povo, né? Então eu penso assim, que quando você começou a escrever em inglês, a ler em inglês, você foi
solidificando, alimentando essa outra alma que você já tinha aí dentro de você, né? E em inglês, essa alma talvez não fosse jornalística, sabe? Então você se deu essa oportunidade de desenvolver uma escrita de uma outra per de uma outra alma sua, de uma outra personagem, sabe? Foi isso que eu fiquei pensando enquanto você estava falando, porque a sua alma em língua portuguesa ela foi permeada pelo jornalismo, né? E você estava.
Ali agarrada nessa escrita jornalística, né? Então, quando você teve que mudar de alma, vamos dizer assim, nessa sua nova personagem, ela não era jornalista, né? Porque você não tinha as Ferramentas jornalísticas usadas na língua inglesa, né? De certa forma. E aí eu acho que isso pode ter te ajudado. Eu não sei se é viagem minha, né? Mas enquanto você estava.
Estava aí falando, e eu fiquei pensando, ah, é porque uma coisa que deve ter ajudado ela a sair desse pensamento jornalístico, que ela estava pensando e vivendo em outra língua diferente. E isso trouxe essa liberdade, ampliou. Seus horizontes, sabe? É verdade. Olha, não o que você fala tem faz todo sentido, sim, eu concordo. Eu não tinha. E tem duas coisas aí.
Eu acho que essa outra alma da outra língua que aparece nos comentários, sabe? Eu acho que eu tenho uma escrita bem seca, bem digamos, mais contida, sem exageros, mas Nossa, eu encontrei exageros. De repente, porque aqui estavam me falando o seguinte: confia em quem está lendo. Confia. E isso foi assim, sabe, uma marra enorme que me tirou. Ah, ótimo, sabe? Um uma pergunta simples. Você precisa disso? Não, eu não preciso, cortei na hora, porque eu sou realmente assim implemente com a.
Com palavras, eu saio cortando. Essa palavra fica demais. Essa metáfora passou do ponto. Já tinha uma metáfora legal, duas é demais. Então, assim, acho que essa alma que fala inglês ela é mais. Contida, ela deixa mais espaço. Para quem lia. Mas, ao mesmo tempo, Marina, tem algo mais forte que a gente não consegue conter. Então, por exemplo, eu ouvi um comentário de.
Tinha um serviço da universidade que eu podia mandar um trecho, né? Uma parte da minha, a amostra da minha escrita, para um professor ler e conversar comigo e trocar ideia. Eu escolhi o tema, eu quero falar de estrutura de gramática, de coerência, sei lá. E aí eu conheci um professor super interessante, o Jared. Ficamos até amigos, né? Porque a primeira reunião com ele ele falou assim, nossa. Foi tão divertido ler você, e aquilo me deixou assim. Ufa! Sério? Você percebeu?
E aí ele me disse uma coisa muito engraçada: tem coisas que não viriam de uma escritura inglesa. Mas que são ótimas e que vem de você. São as esquisitíssices. Aí eu falei assim: Pois é, o meu desafio é saber quais são as esquisitícias que funcionam e as esquisitícias que não funcionam. É porque a gente traduzir a nossa esquisitice para outra língua, é um grande desafio, né? É, então tem que ficam bonitas, que soam como algo.
Extremamente autêntico e diferente, e que eles gostam, porque também assim eu acho que eu estou lidando com pessoas que são muito abertas à diversidade. Dão as boas-vindas à diversidade, eles gostam disso. Isso é uma experiência de reafirmação muito legal. Você é 48, mulher latina, não fala inglês, e que bom que você está aqui.
Isso é muito bom. Isso não viria de uma escritora inglesa, e é bom. Que legal ouvir isso. Então tem essa coisa de encontrar uma nova alma, mas ao mesmo tempo não perder a minha essência, que é algo único. E aí é difícil a gente sozinho detectar. Nossa, isso aqui ficou muito legal. Eu nunca li ninguém escrevendo isso. Aí eu olhei para aquilo assim, sério? Sério?
¶ Essência Autêntica e Projetos Futuros
O fato da gente encontrar novas almas também não significa que elas estejam separadas, né? Elas são Vão se misturando dentro da gente, né? Justamente por causa da nossa essência. Com certeza. E assim, como eu estou chegando no final do mestrado, foi um processo muito intenso. Eu achava que eu ia fazer esse mestra em dois anos, eu apliquei para dois anos, e aí eu fui aceita para dois anos e a universidade tinha errado. Eles não podiam me aceitar para dois anos.
Por causa de uma questão legal, eu tinha que fazer o mestrado um ano. E isso me deu um susto danado que eu pensei, gente, só um ano para desenferrujar o meu inglês, para pegar tudo, para produzir tudo isso. Me pareceu meio cruel, sabe? Eu falei, não é justo. Minhas filhas estavam preparadas para morar dois anos em Londres, todo mundo preparado para dois anos. E eu falei, gente, ou é isso ou não é nada. Ah, então é isso. E vim.
Já cheguei um pouco ansiosa com essa question. I pensava que eu ia ter two minutes para construir essa história, and de repente eu só tinha one. So I was a final cansatively, demand. कि ये लुट लुट लुट लुट लुट लुट लुट लुट लुट लुट लुट Sabe o que eu lembrei outro dia? Que eu... When you have handball in school, and it was insupportable, arremessing, a ball rolling the channel, was a force absurd.
E a parte mais legal da aula era quando a gente pegava a bola de verdade. Ai, gente, parecia que eu ia sumir aquilo na lua. Eu me sentia tão forte, tão poderosa. Nada, não era a melhor dos atletas. Mas eu me sentia tão forte, tão capaz de fazer um gol com aquela bola, né? Então, assim. É mais ou menos isso, sabe? Eu acho que eu fiquei um ano com bola de medicinebol e meus braços estão cansados, eu tô louca pra sentar e escrever em português para ver onde é que eu vou sumir essa bola.
Talvez eu não seja a melhor do time, mas assim, eu tô me sentindo mais forte, mais capaz de jogar essa bola um pouquinho mais longa. Com certeza, com certeza. Ai, achei lindo, né?
¶ Planos Futuros e Inspiração Diária
E projetos futuros, Isabel? Sei lá, né? Acho que entregar o seu mestrado já é muito bom, mas às vezes você tem mais alguma coisa guardada aí para a gente. Na gaveta, né? Olha, Marisa. As mil gavetas. É, as gavetas estão cheias, as gavetas não estão vazias, não. Tem mais coisa escrita que eu preciso olhar. Eu tenho um livro infante-juvenil que.
Está aqui escrito, mas que eu não tive tempo para ele because I lancei a mãe da Luí do Vento, porque pandemia, Portugal, muda para longe porque é mestrado. Anda é a bolinha que eu quero pegar as Unilge, but I've got to reverse, This temporada, this mergulhook, this pensamento crítico sobre a minha escrita, sobre a scripta often maravilhosa, mudou muchas dentro de mim. Então eu quero pegar esse livro e dar uma olhada nele, editar, e aí seria meu primeiro infanto juvenil, é ficção.
É ficção, mas é inspirado e com muita coisa na realidade. Eu acho que é a É isso, acho que esses livros de crônica me liberaram desse poder de gente. A vida está aí para inspirar a arte, sabe? A arte só faz ser seletiva. Não, mas é tudo vem da nossa história, daquilo que a gente encontra pelo caminho das pessoas, né? Daquilo que a gente ouviu, assim, né? O inglês tem essa palavra.
Marina, me ajuda aí, a palavra é. Ah, minha filha, eu também sempre tive dificuldade com ela, porque fala Eve's Drop, eu fico pensando em espionar com os ouvidos. É, exatamente. Adorei, adorei. Espiona com os ouvidos. Encontro que palavra que é essa em português. É, não, acho que é, não tem. É escuta clandestina, é escutar. Ficar com o ouvido atrás da porta é bedel, né? Meter o BD, não meter o BD depois você fala. Bom, você entendeu? Então acho que esse ato de escutar clandestinamente a vida.
E trazer isso para a nossa escrita faz parte. Fairness, I think those planners, because I have this habit of annotated, a reporter ainda annotated with cadernin. De anotações, e isso é um acervo maravilhoso que a gente precisa ter e precisa manter. Eu só lancei dois livros e tem mais. Se eu quisesse lançar mais um livro de crônicas, eu tinha, porque eu realmente tenho um arquivo aqui. Das minhas filhas desde a infância e adolescência dentro, anotando as tiradas que são muitas, ainda continuam.
And you continuously papel de escrivando a família, para que se um dia eles quiserem lembrar, está tudo escrito. E aí eu fui criando esses outros arquivos com trechos, com diálogos, com ideias, com stories. Então, esse livro, Infantasvenil, está aí. O meu trabalho do mestrado is a livro. Ele é um livro que eu estou trabalhando de pronunciar. Ficção ou de reflexão sobre escrita criativa? Eu fiz escrita criativa de não ficção, né? É, então ele é um livro, é uma nóra, é um menor.
Aí eu tô. Que eu tinha começado a escrever em Portugal, né? Eu tinha começado a escrever um livro sobre Portugal. That you quis public. The living pronto, and I sentient that i serve Portugal, and this liver was transformado, redesignado, reprogrammado, reescrito. totalmente para dar nisso que eu estou escrevendo agora no meu mestrado, que é um livro de um memoir.
Mas ainda tô penteando, ainda tô editando, eu não sei o que eu vou fazer com esse livro em inglês. Tô no ar, eu tô num momento assim, bem de transição, de tomada de decisões difíceis, né? Ainda tem um tempinho aqui pela frente em Londres. Para digerir tudo isso, para esperar o retorno à formatura do mestrado, a gente vê e vamos cumprir o ritual até o final.
¶ Amiga Genial: Sandra e Marta Batalha
Que é muita coisa, mas é muita coisa boa, assim, sabe? De aprendizado. Então, agora vamos para os nossos quadros. Bora! Podemos. Nosso primeiro quadro é minha amiga genial, Sandroca. Qual sua amiga de hoje? Hoje, Marina, eu vou falar sobre a Alessandra. Alessandra foi uma menina que eu conheci enquanto eu trabalhei na Disney em 2002. And I was my roommate for one day.
E foi uma época muito rápido. Na verdade, eu já estava prestes a ir embora, mas a gente se conectou muito nessa época, nesse período. Só que depois a gente se perdeu. E recentemente foi criado um grupo de WhatsApp para unir as pessoas que trabalharam naqueles 2002, né? Na Disney. E a gente acabou se conectando novamente. Foi muito gostoso. Porque depois de 20 anos a gente volta a se falar. E a gente perceber que, apesar dos caminhos muito distantes de vida, de profissão,
De estrutura de família, a gente ainda se lembra com carinho das músicas que a gente ouvia, das risadas que a gente dava, das pessoas com quem a gente trabalhou. Então, Alessandra, um grande beijo. Beijo, Alessandra. E você, Isabel, tem uma amiga para compartilhar com a gente?
Tenho, eu tenho várias, né? Eu falei, gente, olha só, as minhas amigas são todas geniais. Elas são muito geniais porque elas me sustentam aqui, elas me ouvem, elas me ligam, elas perguntam quando eu estou. A gente mantém uma relação muito próxima, mas eu vou ficar o seguinte: eu vou pegar.
Uma amiga do mundo da literatura, das palavras, porque aí eu já vou esticando aquele quadro das dicas, que é a Marta Batalha. A Marta Batalha é uma escritora maravilhosa, que eu tenho a sorte de ser amiga dela. I vou falar do último livro dela, nunca houve em Castelo. Que é muito bom. O primeiro mais conhecido é a Vida Visível de Eurice Guzmão, que virou filme.
Mas esse segundo livro dela é maravilhoso, a Marta é bem humorada. E ela esteve aqui em Londres ano passado, ano passado não. E, gente, nem lembro se o ano passado, que o ano foi tão intenso, mas enfim, ela esteve aqui em Londres, a gente se encontrou, a gente conversou muito. E ela é genial porque Marta é essa que está perseverando no caminho da escrita há muitos anos- super dedicada, insistente, persistente, disciplinada.
And you say the caminada, the long caminhada dela, and me inspired to insist in the caminhada. Ah, esse livro da Euridice Guzmão, nossa, eu achei incrível! Na época a gente leu num clube do livro que até a Tem, né, Marina? E nossa, é uma história tão singela, tão incrível que pessoalmente eu gostei mais. Do livro do que propriamente do filme, né? Que acabou fazendo mais sucesso. Porque a história é de uma profundidade bem maior, né? Esse processo de anulamento das mulheres, né?
Cortarem seus sonhos e ali é colocar de uma forma tão interessante. Sobre essa trajetória da Eurite. Você vai gostar desse também. É muito legal. Poxa, vou atrás. Ele está aqui comigo porque eu fui para o Brasil e trouxe. Aí, na hora de mudar, alguns livros eu tirei da caixa, os livros especiais eu tirei da caixa e esse saiu da caixa, está na estante. Mas eu já li já faz algum tempo. Ah, que legal. Então fica aqui. O fato de é o f assim, eu achei o livro melhor comparando também com o filme.
Mas eu acho que um pouco do que a gente acha melhor é porque a gente. Eu né? Imagino que todo mundo as pessoas devem ter ido com a mesma cabeça que eu, que é de que o filme fosse ser igual ao livro, né? E o filme. O filme é diferente, né? A história do filme é diferente da história do livro. A adaptação é outra obra. A gente não está acostumado com isso, né? Cria uma expectativa, mas o filme é outra obra. Isso, é outra obra, exatamente.
E que é muito bonita também, né? Só que são duas histórias diferentes. É isso que a gente tem que ter em mente. E o legal é isso também é que um chama o outro. Aí você vai lendo o livro e você se surpreende ainda. Quer dizer, não vai. Isso, eu acho. Exatamente. Então, beijo, Marta. Beijo pra Marta. Isso, beijo pra Marta. A minha amiga genial, que eu quero falar hoje, é Maristela.
¶ Amiga Genial: Marina e Maristela
Maristela foi uma das primeiras amigas que eu conheci aqui em São Paulo. A gente ficou falando de mudança, né? Dessa coragem de mudar e tudo. A minha mudança de Belo Horizonte para São Paulo foi uma mudança que as pessoas na época falavam para mim: nossa, como você tem coragem largar tudo e ir para São Paulo? E eu vim pra cá porque conheci meu marido. A gente se conheceu, namorou e casou em quatro meses. Nossa, foi. E para mim, isso tudo estava tão certo.
Que na época as pessoas falavam para mim que coragem eu não imaginava, para mim era uma estava sendo um processo natural, assim, que não demandava coragem nenhuma, apenas um. Uma continuidade da vida, assim do do passo que eu estava dando, né? Mas quando eu olho em retrospecto, Foi uma mudança muito grande realmente, porque eu mudei de tudo, né? De vida, de cidade, de trabalho, né, d muito rápido.
And Maristella was one of the first people that I connected. I was a secretary in the school where I traveled. E eu não tinha nenhuma amiga, né? Eu não conhecia ninguém, então eu terminava de dar aula e ficava batendo papo com a Maristela todo dia. E a gente acabou se tornando grandes amigas. Acompanhei e acompanho o crescimento dos filhos dela e ela me ajudava às vezes apareciam Há alunos que não queriam estudar na escola, mas estavam procurando professora particular.
E a Maristela me indicava, então. nesse começo da minha da minha retoma da minha carreira, né? Essa mudança de lugar que quando eu não mudei de carreira, mas mudei de cidade, então parecia que eu tinha andado uns dez anos para trás na minha profissão, né? E a ajuda da Maristela foi bem crucial para que Que eu tivesse mais segurança, mais firmeza, mais norte assim, nessa. Nessa mudança, então.
Sou muito grata por ter a Maristela na minha vida até hoje. Agora ela não é só minha amiga, mas é amiga do meu marido também, né? Eu falo que não existe nada como o amor de Andres e Maristela, porque eles começaram a trabalhar juntos também, então assim. Nós fomos duas famílias que transformaram muito a vida uns dos outros e sou muito grata por esse encontro.
Que bacana. Então beijo, Maristela. Beijo, Maristela. Beijo para Maristela. Marina, você falou isso tão profundo, sabe? Que a gente olha para trás e aí se dá conta do quanto de coragem foi preciso ter. Para fazer o que fizemos. E a gente não percebe, né? A gente não percebe. Foi isso quando eu saí de Portugal para vir para cá, e alguns amigos portugueses falavam assim: nossa, que coragem.
そして、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私たちは、私た A vida nisso é metade. E aí, só depois que a coisa passa, que você olha para trás e pensa.
Caramba, como é que eu posso? Nossa, é como que eu. Da onde que eu tirei essa ideia? Da onde que eu tirei essa ideia? Mas sabe que eu ouvi muito disso também, porque as pessoas já tinham já tinham. Pensado nessa mudança do Brasil para Portugal. E ver a gente fazendo um movimento. Seguinte, é como se fosse um deslocamento tão fora do que é considerado normal.
Pelo menos as pessoas com quem eu convivia lá em Portugal, os portugueses mesmo, eles tinham muitas raízes. E era essa coisa muito de você estar dentro do seu próprio país, e por que você vai sair se você gosta tanto de lá? E eles me questionavam como se eu. O que é essa insatisfação que te vai te mover tanto, né? O que acontece com você? Não, não é insatisfação, é curiosidade. Muito pelo contrário, né? É satisfação de viver.
Mas eu achava bem curioso também essa postura e esse questionamento que me faziam, sabe? E você falando: ai pra mim não tem coisa que eu fiz melhor pra mim como ser humano. É, foi sair de Belo Horizonte, sabe? Foi a melhor coisa que eu fiz para a minha vida. Eu precisava sair de lá. E quando eu cheguei em São Paulo,
Eu cheguei assim, nossa, com todas as dificuldades e tudo, eu nunca tive dúvida de que eu estava indo para o lugar que eu tinha que ir, sabe? Que o lugar que me oferecia é o que eu estava buscando. Belo Horizonte não me oferecia o que eu buscava, então. Não, gente, olha só, é bom pra trama, né? Ah, é bom pra tudo. Tem que viver. Pra escrever, tem que viver, né?
¶ Girico: Quase Perdi Minha Jaqueta
O nosso próximo quadro é Genialidade de Girico. Sandroca tem genialidade? Olha, não é genialidade, girico, mas é um péssimo hábito que eu tenho, que eu queria compartilhar hoje aqui. Que é de não ter muito cuidado com as minhas coisas. Então, eu tenho uma jaqueta que eu comprei em 2011, uma jaqueta jeans de estimação. Então imagina quantas histórias ela já viveu ao longo desse período.
E ela ainda é bonita, eu gosto muito dela. Minha mãe, quando ela foi viajar para o Alasca de carro, eu emprestei essa jaqueta para ela, foi e voltou da Alasca. Enfim, tem todo um quesito sentimental. E no último mês aconteceram duas situações em que eu quase perdi essa Jaquita. Uma delas, eu estava sentada no metrô, entrei no vagão.
E quando a porta fecha, eu vejo a jaqueta lá no banco. Meu Deus, ainda bem que eu vi, né? Porque você não sabia nem aonde eu teria perdido. Então, voltei, né? Parei na sessão seguinte, volta, pega a jaqueta. E hoje fui num café, na outra extremidade da cidade. E o que aconteceu? Larguei a jaqueta lá. Chegando aqui, eu falei: Meu Deus, a jaqueta! E aí, eu tive que esperar chegar no meu destino para sair, pegar o Google, procurar o lugar. E aí, minha jaqueta está aí, tá.
Então, beleza. Então, assim, a jaqueta está dando chances para mim, para eu ainda. Recuperá-la, mas eu tô sentindo que aí vai chegar um momento em que ela vai falar: desisto, essa jaqueta tá querendo ir embora, Sandra, não é por nada. Não, essa jaqueta tá querendo se mudar de Londra. Ô, Sandra, você que gosta de Paulo Coelho, Você me fez lembrar uma frase do livro dele O Alquimista que eu nunca esqueci desde a minha adolescência. Que é tudo que acontece uma vez.
Pode nunca mais acontecer, mas tudo que acontece duas vezes acontecerá certamente uma terceira. Ai, que medo! Fique esperto aí com essa jaqueta porque. Ela vai ter a terceira perda, hein? Ai, meu Deus. Fica atenta. Mas essa é a situação, gente. Só queria compartilhar isso. Sandra, se te anima. O meu melhor cachecol mais quente, que eu mais amo.
Foi um cachecol que eu achei no metrô. Ah, não! No metrô de Chicago, tá? Então, assim eu tava, eu tava saindo do aeroporto e uma menina andando na minha frente. Com esse cachecol cinza lindo, e eu falando: nossa, que cachecol lindo, que menina estilosa! A gente entrou no metrô, a gente sentou perto no metrô, Ela, a gente sentou naquele banco que uma fica de lado, a outra de frente. E aí, eu sentei lá, voltando do aeroporto para Chicago, da uma hora mais ou menos, de trem, né? E eu estava lá.
Conversando com o Andres e tudo, nem vendo a menina. E a menina levantou e saiu, eu não vi que ela levantou e saiu. E aí, quando saiu, de repente saiu uma outra pessoa do metrô, uma mulher, e ela ficou olhando para mim através da porta- tipo fazendo sinal. E aí eu olhei para a mulher e ela, com o olhar, ela apontou para o banco.
Mostrando que o Cachol estava lá. Eu não sei se ela pensou que era meu e quis dizer assim: Ó, você vai esquecer seu Cachicol. Aí eu olhei para o Cachicol, olhei para ela e ela fez assim, sabe? Tipo, fez um sinal de que, tipo, te avisei. Aí eu falei, nossa, é o cachecol da menina bonita, estilosa. Taquei a mão em cima dele e fiquei: eu pego ou não pego? Eu pego ou não pego. Uma hora de trem. Eu olhei para o Andres e falei: peguei.
Coloquei o cachecol, saí do metrô e ele está aqui comigo até hoje, todo inverno. Todo inverno rigoroso que eu pego, fora do Brasil, principalmente, eu agradeço ao esquecimento dela. Esse foi um presente, né? Assim que o acaso foi um presente do universo. Acho que sim. Espero que ele não tenha tantas histórias como a sua jaqueta, Sandra, para ela não estar triste.
¶ Girico: O Frango e o Açougue
Isabel, então conta pra gente uma genialidade de girico. Pois é, ele é meio de uma coisa ligada à linguagem, né? And what's in Portugal? A Sandra deve experiences similar, I imagine, because I've been telling this. I don't see what done if you go in Portugal and me dá um revertério. E a gente de repente fica com medo de não ser compreendido na nossa língua.
Dá-se uma insegurança, dá um sei lá, a gente quer ser aceito, quer se inserir. Então é muito comum você ver os brasileiros trocando gerúndio para o infinitivo, eu não vejo necessidade nenhuma de fazer isso, mas tudo bem, tem gente que faz, não consegue.
Mas aí eu fui no açougue. E açougue não é açougue, né? Para começar, açougue não é açogue, e açougue é talho. Então já te deixa assim numa situação meio: não estou no açougue, estou no talho, o cara ali na bancada atendendo as outras pessoas na fila, eu na fila, e eu pensando. Olhando coelho, um monte de coisa, um monte de bicho ali, o que eu vou comprar? Eu queria frango.
E aí, na fila, tava meu marido comigo e as meninas. Eu não sei porquê. Acho que é porque no início a gente fazia tudo junto, sabe? Tudo era novidade, a gente até no tário juntos. E aí eu tava lá e o rapaz perguntou o que eu queria, e eu falei que era o. Peito de frango, e aí veio a fatídica pergunta, né? E como vai querer o peito de frango?
E aí, assim, eu tava muito preocupada em me comunicar de uma forma perfeita no português local, entendeu? E aí eu tava pensando em fazer estrogonofe, eu não sabia nem se estrogonofe era um prato conhecido localmente. E aí eu fiquei pensando: como é o se tiver estrogonofe, como é o estrogonofe?
É entirinha ou é quadradinha? Como é que eu peço o frango para o Strogonoff, que eu não sei se é um prato que ele conhece? Aí a loucura baixou, porque não tem outra explicação. Aí eu viro para ele e penso assim: eu vou querer. Não é em bifes, como vocês dizem aqui quando dá pra cortar os quadradinhos? Aí ele me respondeu: cortar os quadradinhos.
Aí as minhas filhas saíram do açougue para ir do lado de fora. O meu marido não se segurou, e eu senti que o rapaz muito educadamente ficou me olhando com aquele sorriso. Contido de paisagem, tipo, então percebi esta dona que onde ela queria chegar. Isso foi ridículo, gente. Eu fiquei tão assim desorientada na hora que aí eu também tentei não rir de mim. Mas foi realmente genial a minha preocupação em falar português. Olha isso. Yeah.
Foi uma lição, eu nunca mais fiz isso. Eu acho que a partir dali eu comecei a me soltar e não tem problema nenhum, nos entendemos perfeitamente bem, não precisa adaptar, não precisa mudar, falamos a mesma língua com várias diferenças, mas. Aquilo foi muito bom. Cortaram as padadinhas, virou piada interna.
¶ Girico: O Sol Nasce em Jacum-Belo
Você me lembrou a minha irmã quando foi morar em Portugal. Ela foi fazer faculdade também, intercâmbio, e estava respondendo. Conversando com alguma secretaria, alguma coisa, eles pediram o telefone, ela foi falar. Aí ela falou, por exemplo, assim, 2, 2, 6, aí ela, 6, a mulher falou 6. Aí ela falou, vocês não usam meia aqui, né? Aí a mulher falou: usamos meia sim, porém somente no inverno. especially in the winter, but especially in the winter.
É, meia. Ó, gente, eu sempre tenho uma genialidade de giri com um mico bom para contar e tudo, mas hoje eu não consegui cavar dentro de mim nenhuma. Nenhuma genialidade de girico, então de hoje vou ficar devendo para todos os nossos milhares de ouvintes. É, eu acho que a genialidade prende a gente, né? Porque assim, nem teu domingo é genial. Não, a gente vai esquecendo. São muitos, né? Mais de 50 episódios. Já contei tudo que eu.
Que eu podia contar e lembrar, mas uma hora vem. A memória tenta apagar umas coisas ruins da gente, ruins ou bobas, ou né? Tenta, tenta. O de o desnecessário, né? O desnecessário. Mas olha só, então eu conto o segundo mico para vocês. Pode contar lá. Vamos adorar. Te dou a minha vez. O meu livro foi lançado pelo selo de Acombelo, certo? Que é o meu selo, que foi a minha. Eu tenho uma editora que se chama Diacombelo. E de Acombelo realmente é o fruto de uma genialidade minha.
Que aí foi particular também, mas que ganhou de conhecimento público, porque a gente estava viajando, eu e meu marido, indo para Búzios de carro e cantando, não tínhamos filhos ainda, e estávamos cantando, e Gilberto Gil rolando ali, a gente cantando o sítio do Pica-Pó Amarelo. Cantando aos berros e tal. Aí, de repente, o Eduardo parou de cantar e perguntou para mim assim: você canta o quê?
Aí, você cantei música. Não, o que você disse? Aí ele já tava rindo, ele já não tava se segurando, ele encostou o carro, pediu pra eu cantar o que eu tava cantando. Eu falei, ué, o sol nasce em Jacob Belly. Como é que é? O sol nasce em Jacambela. Aí eu comecei a ficar na dúvida. Aí ele falou assim, Bebel, minha filha, assim, o sol não nasce em Jacambela. Não! Ha ha ha.
Gente, eu descobri aos 30 anos que eu só não nasci em Jacambelo e eu fiquei muito triste. Você não tem ideia de como eu fiquei triste com aquilo. Eu fiquei revoltada, ele estava passando mal, a gente no acostamento, ele rindo. E eu realmente fiquei assim meio atordoada. Mas olha só, são 30 anos cantando Jacumbelo, Jacumbelo ficava depois no reino das águas claras, lá onde estava o príncipe anarizinho, todo mundo está vendo Jacumbelo. Que isso? Você tirou isso?
Pois é, aí eu descobri que era o Só Nascente e é tão belo. Já virou de tudo um pouco aí, virou o selo da minha editora. Maravilhoso, adorei. Maravilhoso, também gostei. E aí eu solitifiquei isso pra sempre, né? Na história do Giacombelo, gente. Mas foi muito decepcionante descobrir que o Giacombello não era o lugar. Olha, o Gilberto Gil, né?
Bole e Camaral, o cara gosta de neologismo, gente. É claro, foi natural você pensar assim. Então nasce em Jacumelo, que vai saber onde é que o senhor nasce, né?
¶ Genialidade: Palavras e Família
Na nossa família, a gente fala várias palavras assim que as crianças falam erradas, né? Que estão aprendendo a falar, e a gente não corrige as crianças e não fala certo perto delas. Para elas não aprenderem e a gente poder ficar falando a palavra, uma delas é foforido. O meu sobrinho Matias fala assim. Meu super-herói foforido, aí tudo que a gente fala é na frente dele é foforido, sabe? A gente não fala favorito pra ele, não. Aprender rápido e a gente poder falar essas palavras que são
Preciosidade, é maravilhoso. Tem muitas palavras. Algumas das palavras estão registradas nos meus livros. Eu lembro da época que os nomes próprios eles inspiravam muito as palavras, então eram seres humanos. हैं हैं हैं हैं हैं हैं
¶ Dica Genial: Sandra Recomenda Elena Ferrante
Bom, gente, nosso último quadro é a Dica Genial. Qual dica você tem pra gente, Sandroca? Bom, hoje eu vou falar de. Uma leitura que eu fiz e já faz alguns meses, mas está relacionada ao nosso próximo clube de leitura, que é Um Amor Incômodo, da Helena Ferrante. Então a gente vai fazer esse clube de leitura no dia vinte e dois de setembro. E é um livro que é um dos primeiros, que acho que é o primeiro que a Helena Ferrante publicou.
E é um livro muito denso que fala de uma relação entre filha e mãe após a morte dessa mãe. Então, ela vai resgatar esse passado, que inclusive tem relação com o próprio passado dela enquanto criança. Então, é um livro que não é linear, que tem várias digressões e a gente se surpreende muito no final. Então, fica essa dica, pessoal. Participe com a gente dessa leitura, vai ser muito legal.
¶ Dica Genial: Isabel Recomenda Escritoras
E você, Isabel? Dicas. Manda sua lista. Nossa, já tô com o papel aqui. Eu vou me ater as duas aqui, porque, enfim, vocês sabem, por motivos de circunstâncias eu só estou lendo inglês. And this fin de semana eu acabei de ler um livro. I don't dever less, because I'm a dissertation, but it's a super pequeninho da Claire Keegan. A Claire Keegan is irlandesa.
Acabou de ser lançado, então they are in Portuguese, the name is Foster. Gentlemen had 88 pages, and exaggeration, the people who were critics were the type too bad. Pequeno, preciso, brilhante, concordo. O ritmo maravilhoso, delicado, bonito, concordo. É um é um livro que me emocionou muito. É muito bonito, é quase um conto estendido, né? Não chega a ser um conto, é um pouquinho maior que um conto. Então eu amei ler isso, foi um respiro na.
Na loucura, e me apaixonei. E me apaixonei assim, porque eu recebo um e-mail da editora que Franqueou um trechinho gratuito, né? Aí eu fui lá de curiosa ler o trecho gratuito, e na hora eu falei: nossa, eu tenho que ler essa mulher. E eu tenho lido muitas mulheres mesmo, acho que esse tempo aqui em Londres, esse um ano, eu, de propósito, eu procurei mais escritoras, né? Porque a gente cresce lendo muitos homens, homens brancos já mortos.
maravilhosos, mas eu queria realmente ampliar, sei que eu não posso reclamar não, minha infância é coroada de escritoras maravilhosas, infantis. Eu tenho descoberto muitas escritoras, então assim, descoberto. No sentido mais profundo. E aí, uma dica minha que tem em português é o livro de contos da Alice Munro, que é o Querida Vida, aqui é o Dear Life. Alice mudou o prêmio Nobel em 2012 não trezei Pelo conjunto da obra, ela escreve principalmente short stories, e esse é um livro de
De contos, realmente, mas as últimas quatro contos, ela diz que não são quase bem histórias, são autobiográficos no sentimento, mas talvez não tanto nos fatos. Ele faz parte da minha dissertação, ele é um dos livros que eu peguei para a minha dissertação final. Então está super fresquinho. Eu amo Alice Murro, foi uma das escritoras que eu devorei aqui, que eu passei a ler de uma forma assim mais cuidadosa, e que foi uma descoberta maravilhosa aqui na minha.
que raha apesar dela ser muito famosa, eu nunca tinha lido ali sem honro antes de vir para cá. E eu recomendo assim com louvor, porque ela também é uma escrita muito precisa. Muito profunda, muito bonita, bonita. Ela consegue fazer com que a gente enxergue aquilo que ela está descrevendo e também tem humor. Ela tem um humor que aparece assim de uma forma delicada.
Massa, já me indicaram muitas vezes. Eu ainda não li nenhum livro dela também. Esse, o Dear Life, o Querida Vida, é o último livro dela. Ele foi lançado em 2012 e ela disse que estava encerrando a carreira dela. Eu li aquele Namoro, Casamento, Namoro Noivado, Casamento. Enfim, é o nome de um dos contos, e eu, quando eu li, eu fiquei bem surpreendida, gostei muito também. Curiosa para ler as outras. obras dela. Nossa, muito legal.
É, ela é maravilhosa. E não se fala, não se ouve falar tanto dela, né? No Brasil, eu sei. Eu fiquei pensando, será que era ignorância minha? Sabe? Eu sou de ler, eu leio muito, mas eu realmente não sei conhecido, conheci a obra dela, mas assim, poxa, Sandra, eu descobri. Tantas escritoras maravilhosas aqui. Sabe, eu já tinha lido Margaret Edward, mas assim, eu fui reler os ensaios dela. Não lembrava que ela era tão bem humorada. Sabe, ela é engraçada.
E Lydia Davis, e outras, Rachel Kask. Essa tem muitos livros em português. Amo a Radio Cusk, ela tem uma trilogia que começa com rascunho, no Brasil é rascunho, acho, outline. Adoro, é uma escrita que fala pra gente da importância de ouvir o outro. Sabe, eu terminei de ler o livro dela pensando, nossa, eu preciso ouvir mais das outras pessoas. A Deborah Livy, who's sul-africana, but também mora em Londres, ela tem uma trilogia autobiográfica que começa com
Coisas que eu não queria saber, né? Algo assim. É uma trilogia maravilhosa. Sem cantas eu li mesmo, li todas e tô assim, ainda tem coisa aqui na fila, sabe? Nossa, essa fila é interminável, né? A gente vai conhecendo mais e. É interminável, é interminável. Eu estava procurando, eu queria dar uma dica aqui para vocês e para os nossos ouvintes que talvez estão interessados em escrita também. Tem um guia de uma novelista americana que é Anne Lennart.
¶ Dica Genial: Marina Recomenda Livro
Que tá lançado, eu achei em português, é pássaro. Pássaro por pássaro? Não faz sentido. Aqui é bird by bird. Palavras, palavras, palavras. Muito divertido, muito engraçado. É algo assim inspirador para quem está tentando escrever, está travado ou quer refletir sobre a escrita. Não é um manual, entendeu? É muito legal de ler, é muito, é. Hẹn gặp lại các bạn trong những video tiếp theo.
Digamos assim, e eu vi que tem em português é palavra a palavra, se não me engano, maravilhosas tuas dicas. Adorei maravilhosas mesmo. Bom, a minha dica é a Filha Primitiva da Vanessa Passos. Conheci a Vanessa recentemente no lançamento do livro da Eugênia Ribas Vieira. E Vanessa é uma pessoa muito simpática, uma escritora muito querida, e o livro dela é sensacional, uma escrita também muito visceral. Muito humana, e eu quis dar essa dica hoje porque.
Ela fala de relação materna também no livro, né? Ela fala de que são três gerações, avó, mãe e filha. e uma história muito real, assim, sabe? Que fala muito dos dilemas. Da maternidade e de suas formas mais amplas, assim, né? Então acho que vale muito a pena conhecer a Vanessa e o livro dela. Ganhou o prêmio Kindle de Literatura no passado. Ganhou o prêmio Kindle de Literatura ano passado, 2021. Que bacana, muito boa. Então é isso, Isabel. Ficamos muito felizes de conversar com você.
¶ Despedida e Contatos da Convidada
é de conhecer mais. Sua história, de receber suas dicas. De você ter essa disponibilidade de contar duas genialidades de Jerico, foi sensacional. Não é todo mundo que vem com essa disposição. Eu acho que eu tenho algumas. Queremos saber mais como é que a gente faz para fazer mestrado criativo em Londres. Quiser fazer um tutorial.
É um processo, é um processo. Tem uma etapa aí, um passo a passo. Mas eu acho que a dica boa é essa: saber que aqui eles estão abertos à diversidade, sabe? Que é interessante para eles terem. Alguém que tenha o inglês como segunda língua. Eles gostam dessa química, sabem. Isso é muito bom. Com certeza. Muito sucesso pra você, Isabel. Muito sucesso pra você. Você está encerrando nesse mestralado.
O Marina está vendo esse piano atrás de você e você não sabe como é que eu tô com inveja disso, porque. Porque tô vendo seu aí também. Ah, pois é, mas esse é um eletrônico que a gente comprou em Portugal para eu não ficar órfã, mas o meu piano acústico ficou no Brasil, né? Eu vendi. Estou olhando nada se compara um que é na Cusco. Nada. Quando eu mudei para cá, eu estava conversando sobre a mudança com meu marido. Aí ele falou assim: Mas você acha que você vai precisar de um caminhão de mudança?
Aí eu falei, eu tenho que levar o meu piano. Aí ele falou, mas o piano vai? Eu falei, não, querida, você não está entendendo. O piano vai onde eu for, eu só vou se o piano for. Sem piano não tem marina. Mais ou menos isso. A gente se mudou de Portugal pra cá porque a gente se mudou com a roupa do corpo, né? Tá tudo aí lá no Rio. E aí tinha livros, tinha roupa e tinha o piano.
E o violão. Então é isso. A gente vai agora com o pianinho nas costas. Ele é bom porque quando eu tenho essas ideias que não são de girico, aí eu vou lá e gravo a musiquinha e pelo menos eu não esqueço. E eu falei para o Andres assim. É não, o Andres falou. Quando eu perguntei para ele, né? Você não quer que eu leve o piano? Você está achando ruim de ter um piano em casa? Ele não, é que eu nunca imaginei que eu fosse morar numa casa que tivesse piano. É chique mesmo. É muito chique.
É um elemento, né? Não é professora, não, é um elemento muito importante. No meu caso aqui, é o elemento mais valioso da minha casa. Exato, exato. Muito legal, gente. Olha, adorei perfeito. Eu já ia te chamar de Vanessa. Falei da Vanessa e fiquei. Já ia te chamar de Vanessa. Isabel, deixa para a gente, para os nossos milhares de ouvintes, o seu contato. Quem quiser te encontrar nas redes, ou por e-mail. Nas redes sociais, está lá Isabel Clemente Reiter, botei esse sobrenome em inglês.
Por motivos óbvios de circunstância novamente, tá? Tô no Instagram, tô no Twitter, o Twitter é Bel Clemente, é mais fácil. O meu último livro está vendo assim dessa forma direta. Tem um estoque, tem alguém tomando conta desse estoque para mim no Rio, então chega por correio rapidinho, entrega esto no Brazil. Aqui em Londres eu tenho pouquíssimos exemplares que eu trouxe. Numa de, de repente, algumas pessoas compram e aconteceu.
But there are exemplars, so I encompassed ebook. I think it's rapid do que o email. O e-mail é jacombeloedora.gmail.com. Mas rede social eu fico atenta e no final do dia eu olho e respondo. Obrigada, Elsa. Obrigada, Isabel. E antes de finalizar, a gente gostaria de convidar nossos ouvintes e os nossos ouvintes para participar do nosso clube de leitura As Amigas Geniais. Os eventos estão sempre abertos no Simpla. É só acessar nosso link na bio, arrobageniais no Instagram e se inscrever.
A gente lembra também que toda terça-feira tem podcast novo, com entrevistados geniais, literatura, arte e muita inspiração. E se você tem algum projeto, evento ou ideia genial e quer que as amigas geniais participem, então é só entrar no nosso perfil no Instagram e mandar uma mensagem para a gente. Esse foi mais um episódio do podcast As Amigas Geniais, um podcast para ser amiga, um podcast para ser genial.
