#26 Paulo Finuras - "Pode Darwin ajudar-nos a perceber a psicologia humana?” - podcast episode cover

#26 Paulo Finuras - "Pode Darwin ajudar-nos a perceber a psicologia humana?”

Jul 04, 20181 hr 33 min
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Summary

José Maria Pimentel conversa com Paulo Finuras sobre Psicologia Evolutiva, uma área que casa ciências sociais e naturais. Analisam como a evolução continua a moldar a nossa psicologia, impactando desde a escolha de líderes e padrões sociais até comportamentos de risco e a própria religião. A discussão foca-se no "princípio da savana", o desfasamento evolutivo e a importância de entender a nossa natureza biológica para navegar os desafios do mundo contemporâneo, alertando para as falácias do "natural é bom" e a complexidade do comportamento humano.

Episode description

Paulo Finuras é Doutorado em Ciência Sociais e do Comportamento (especialidade de Ciência Política) pela ULHT, Pós graduado em Gestão e Política Internacional e Licenciado em Sociologia (ISCTE-IUL). É investigador na área da Biossociologia e da Psicologia Evolucionista e investigador integrado do CICPRIS da Faculdade de Ciências Sociais da ULHT. É também autor dos livros: Gestão Intercultural (3ª Ed. 2011), Humanus: pessoas iguais, culturas diferentes (2ª Ed., 2012); O Dilema da Confiança (2013), Valores Culturais e (Des) Confiança nas Instituições (2014), Primatas Culturais: Evolução e Natureza Humana (2015) e Bioliderança (2018), todos editados pela Sílabo

A Psicologia Evolucionista é uma área que me interessa há já algum tempo e o Paulo é um óptimo convidado para a discutir, pois é dos poucos académicos em Portugal com investigação e prática neste campo. Falámos a propósito de dois dos seus livros mais recentes - Primatas Culturais (2015) e Bioliderança (2018) - embora, na verdade, a conversa tenha acabado por divagar ao sabor da pena, como é hábito.

Uma vez que mergulhamos logo em aspectos aplicados deste tema, vale a pena aproveitar esta introdução para explicar rapidamente de que trata esta área. O que é, então, a Psicologia Evolucionista? A definição mais sintética é talvez a de que é uma área que tenta, de certa forma, casar as Ciências Sociais e as Ciências Naturais. Para isso, estuda a origem da nossa espécie, isto é, o processo evolutivo que deu origem ao Homo Sapiens, sob a lente da Psicologia. A investigação nesta área concentra-se em identificar quais os traços da personalidade humana que consistem em adaptações da evolução relativamente ao ambiente em que o Homo Sapiens surgiu e viveu a maior parte do tempo. No fundo, trata-se de aplicar ao comportamento humano a mesma lógica de selecção natural, social ou sexual que a Biologia Evolutiva usa para explicar a estrutura física ou a genética dos seres-vivos.

A grande vantagem desta área da Psicologia Evolucionista, para mim, é a possibilidade que nos dá de ir à raiz de muitos fenómenos que a Psicologia geral tem estudado de uma forma algo isolada da biologia humana. A desvantagem - ou o perigo - é, claro, cair-se no erro de ver todos os comportamentos humanos contemporâneos sob esta única lente. No fundo, é aí também que está o desafio: perceber até onde chega, e até onde não chega, a explicação evolucionista para a psicologia humana.

Foi uma conversa que me deu muito gozo gravar. Espero que gostem também de a ouvir!

Agradecimentos: João Vítor Baltazar; Ana Mateus; Salvador Cunha; João Gil; Vasco Sá Pinto; “Falcão Milenar”

Ligações:

Biografia detalhada: Paulo Finuras nasceu em Lisboa em 1962. É Doutorado em Ciência Sociais e do Comportamento (especialidade de Ciência Política) pela ULHT, Pós graduado em Gestão e Política Internacional e Licenciado em Sociologia (ISCTE-IUL). É investigador na área da Biossociologia e da Psicologia Evolucionista e investigador integrado do CICPRIS da Faculdade de Ciências Sociais da ULHT. É também autor dos livros: Gestão Intercultural (3ª Ed. 2011), Humanus: pessoas iguais, culturas diferentes (2ª Ed., 2012); O Dilema da Confiança (2013), Valores Culturais e (Des) Confiança nas Instituições (2014), Primatas Culturais: Evolução e Natureza Humana (2015) e Bioliderança (2018), todos editados pela Sílabo.

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Transcript

Introdução à Psicologia Evolutiva

Bem-vindos ao 45 Graus. Neste episódio estou à conversa com Paulo Finuras sobre Psicologia Evolutiva. Esta é uma área que me interessa há já algum tempo. e o Paulo é um ótimo convidado para a discutir, pois é dos poucos académicos em Portugal com investigação e prática neste campo. Falámos a propósito de dois dos seus livros mais recentes, Primatas Culturais e Bioliderança,

Embora, na verdade, a conversa tenha acabado por divagar ao sabor da pena, como é hábito deste podcast. Uma vez que mergulhamos logo em aspectos aplicados a este tema, vale a pena aproveitar esta introdução para explicar rapidamente de que trata esta área.

Definição e Âmbito da PE

O que é então a psicologia evolutiva? A definição mais sintética é talvez de que é uma área que tenta, de certa forma, casar as ciências sociais e as ciências naturais.

Para isso, estuda a origem da nossa espécie, isto é, o processo evolutivo que deu origem ao Homo sapiens, sob a lente da psicologia. A investigação nesta área concentra-se em identificar... quais os traços da personalidade humana que consistem em adaptações da evolução relativamente ao ambiente em que o homo e sapiens surgiu e viveu a maior parte do tempo.

No fundo, trata-se de aplicar ao comportamento humano a mesma lógica de seleção natural, social ou sexual que a biologia evolutiva usa para explicar a estrutura física ou a genética dos seres vivos. A grande vantagem desta área da psicologia evolutiva, para mim, é a possibilidade que nos dá de ir à raiz de muitos fenómenos que a psicologia geral tem estudado de uma forma algo isolada da biologia humana. A desvantagem, ou o perigo, é claro que é isso no erro de verde.

todos os comportamentos humanos contemporâneos sob esta única lente. No fundo, é aí que está também o desafio, perceber até onde chega, ou até onde não chega, a explicação evolucionista para a psicologia humana. Já vai longa esta introdução. Mas justifica-se porque foi uma conversa que me deu imenso gozo gravar. Espero que gostem também de eu ouvir. Paulo, muito bem-vindo ao podcast. Obrigado. Este é daqueles temas que eu queria falar já desde o início.

Já vamos no episódio 20 e tal e finalmente pegamos nisto, porque é um tema ultra interessante. Como o Paulo diz, é uma área, esta área da psicologia evolutiva... que está mais ou menos relacionado com a biologia comportamental também, mas no fundo é a parte humana, digamos assim, dessa área, é um tema interessante porque, por um lado...

faz uma espécie de ponte, ou permite fazer uma ponte entre as ciências naturais e as ciências sociais, se quisermos, ou seja, entre a biologia, por exemplo, e a psicologia, ou a sociologia, ou a antropologia, do ponto de vista das ciências sociais e humanas.

O Cérebro Modular vs. Inteligência Geral

E, por outro lado, é uma área que tem implicações em quase tudo. É difícil encontrar algo que tenha a ver com o ser humano ou com a sociedade para que isto não tenha implicações em quase tudo. Em minha área, falávamos há pouco que a economia tem, vai beber aqui algumas coisas da economia comportamental e tem mesmo uma área que é, obviamente, o nicho da economia evolutiva, ou evolucionista, não sei qual é a tradução, que está exatamente relacionada com isto.

Só para dar, se calhar, antes de avançarmos para... Para falar daqui alguns pontos concretos que são engraçados, só para dar aqui uma apresentação do tema, para quem não conhece, a psicologia evolucionista tem como pressuposto que a nossa psicologia, a nossa psique, A nossa psique está embutida na nossa própria biologia e resulta de adaptações que ocorreram durante a evolução aos desafios do ambiente e que são comuns a toda a humanidade, de certa forma.

desenvolveu mecanismos adaptativos exatamente, ou seja, no fundo o que diz e isto é, parecendo que não é relativamente polémico Mas também, para mim, é mais ou menos evidente que a evolução, obviamente, não terminou no pescoço. E, portanto, da mesma forma que nós nos tornámos bípedes, que ficámos com membros mais guios, por exemplo, comparativamente com os homos anteriores, também o nosso cérebro foi evoluindo.

ao longo destes milhões de anos e particularmente... E continua. E continua, exatamente. E, aliás, até há candidato que acelerou, o que é curioso. Sim, embora também haja evidências que... De há 10 mil anos, esta parte encolheu um bocadinho, mas isso terá a ver com a hipótese da domesticação da própria espécie, não é? Agora explique aí. Há um...

Há um autor, agora está-me a escapar aqui o nome, que refere isso. Parece haver algumas evidências, do ponto de vista da paleoantropologia e da arqueologia, de que o cérebro foi crescendo. Que foi um dos grandes conflitos que a natureza teve que resolver, não é? Desde logo do tempo da gravidez. Exato, sim, sim. Essa é uma das implicações que eu mais perdi. E, portanto, terá sensivelmente, quando iniciarmos a agricultura...

ter-se-á como que é encolhido um bocadinho por já não necessitar de continuar a aumentar dimensões. Certo, certo. E esse autor chama, que por acaso curiosamente é um economista. Sim. Eu descobri a referência. Não, eu já peguei isso. Agora que o Paulo disse isso. E o que ele refere, o que ele cia e defende é que terá a ver com o que ele chamou a domesticação também da nossa própria espécie. Ao domesticar-nos, portanto, teremos ficado com a dimensão necessária para resolver...

Natureza, Cultura e "Tabula Rasa"

os problemas adaptativos. Sim, e acho que deve estar relacionado com, de certa forma, enquanto grupo, temos resolvido muitos dos desafios ambientais que forçaram o crescimento do cérebro. E, por outro lado, a nossa especialização... levou a que não precisássemos de ter um cérebro tão polivalente. Se nós nos compararmos com o ser humano pré-histórico, nós hoje em dia temos uma polivalência muito menor.

Nós tornamos-nos, por exemplo, nós estamos a gravar com microfones, que eu não construí. Estamos a gravar com computador, que eu não construí. Sentados em cadeiras, que eu não construí. Eu... tal como o Paulo, estou de certa forma especializado eu acho que até tem algo que está a ver com isso o que está a dizer mas pegando aquilo que estávamos a falar antes e a ligação com isto

A perspectiva, a perspectiva atual, quando eu falo a perspectiva da PE, é para abreviar a Psicologia Evolutiva, para não estar sempre a repetir. Exato. A perspectiva da PE... neste domínio, é a ideia do cérebro modular. Sim, esse é um conceito interessante. E é um conceito muito interessante, porque... Até porque, desculpe interromper, até porque há muita gente que discorda dele. Exato. O que torna mais interessante.

Há de haver sempre discordâncias. Mas é um ponto contencioso, é o que eu quero dizer. O que, aliás, isto implica até uma ruptura muito grande com os conceitos clássicos da inteligência, não é? Porque a visão do cérebro modular vem dizer, basicamente... A ideia do modular é uma metáfora, não é? Sim. Mas é uma boa metáfora, como muitas outras. Nós temos módulos para resolver problemas específicos.

E não um módulo global polivalente. Aliás, o Kanazawa, por exemplo, é um desficientíssimo. A própria inteligência fluida, que nós vulgarmente chamamos de KI, não existe enquanto modo de resolução de problemas específicos. E há uma... E não uma inteligência geral. Porque a ideia... A ideia da inteligência geral está errada. Porque, na verdade, não há inteligências gerais. Há inteligências específicas para resolver problemas específicos. O que é geral...

é que este módulo foi-se disseminando em toda a pressão, em toda a espécie, não é? Isso é católico na geral, mas não há uma inteligência como somatório das inteligências. Mas os proponentes da inteligência geral, não é? Esse é um tema, o que aí a inteligência geral não sabe o mesmo, não é? A inteligência geral, no fundo, é... que normalmente eles abreviam por G que é o que ele postula não é que há uma inteligência geral é que as inteligências específicas estão correlacionadas

Ou seja, uma pessoa que é muito inteligente em letras, verbalmente, há uma correlação com a inteligência lógica. Nós sabemos que existe. Não é que é a mesma coisa, acho que eu. É verdade, mas considerando... estes diferentes módulos, e entrou um cano no que estava a falar há pouco, estes diferentes módulos são, no fundo, os mecanismos adaptativos que nós fomos desenvolvendo. O que é que isto tem de interessante? Para mim foi uma verdadeira epifania.

é que, de facto, isto consegue integrar uma raça de coisas que estavam desintegradas, na minha perspectiva. E fez-me uma luz autêntica. Exatamente. Até há pouco tempo... E ainda, o que prevalece no domínio das sexos sociais é basicamente a ideia de que, de facto, a evolução no homem parou no pescoço.

O Princípio da Savana

E porquê? Porque isso é politicamente correto e porque sabe bem ouvir isso. Esse tal debate do Nature of Us Nerd... Esse tal debate que estamos a falar em outro. Sim, esse debate do...

do inato e adquirido, atualmente, na verdade, no quadro da PE, já nem sequer é discutido, porque já não faz sentido. E não faz sentido porquê? Porque, se pegarmos, por exemplo, naquilo que o Maíra fala, o Maíra é um biólogo, que tem trabalhos notáveis sobre evolução, e ele tem um conceito muito interessante, que é o conceito de abertura de sistema.

E o que é que isso quer dizer? Quer dizer que... E vai mostrar porque é que esse debate já não faz sentido e ainda há de ter adquirido, não é? Porque há de facto uma coevolução. Dos dois, exatamente. Dos dois. Não dá para destrinçar, no fundo. Porque o nosso sistema tem essa particularidade, vem aberto... de início, preparado para receber os inputs do ambiente e, portanto, ele vem com abertura para adquirir a cultura.

Sei o qual não se desenvolve. Mas isso é a nossa natureza. E o que durante muito tempo se quis fazer, e continua-se ainda a fazer, que é o tal modelo padrão das ciências sociais, é a partir do princípio que há tabo rasa. Porque convém que haja uma tábua rasa. Nós sabemos exatamente que não é rasa. E vem bem escrita, não é? É uma série de coisas. Porque cai-se logo num extremo.

Porque se essa pode-se, por acaso, vingar, que não há, de facto, uma tábua rasa e que, de facto, os elementos que estão pré-existentes são importantes, isso levanta uma série de problemas. que são incómodos. Há sete temas que são incómodos neste país. O que a pena é, mesmo quando há críticas, não serem fundamentadas. Serem as críticas só, tipo, às vezes, à domine ou... Já me aconteceu isso, não é? Porque as pessoas...

Neste quadro sobre a questão da evolução eu devo dizer uma coisa até muito mais chocante. Eu acho que há muitos colegas meus mesmo na área que nem sequer conseguem perceber o conceito da evolução. ou ainda nunca perceberam a ideia que há é porque é muito simples ao mesmo tempo porque o algoritmo da evolução é extremamente simples como aliás a natureza é extremamente simples só que para ser simples

e isso implica o patamar máximo de complexidade para chegar à simplicidade. Isso é que é difícil, é tornar simples. O que é diferente do simplismo, de cair em explicações simplistas. Eu costumo dar um exemplo a brincar, porque eu acho que muitos colegas meus, quando eu falo, ou quando me criticam sem qualquer base,

me colocam é que faz-me lembrar aqueles indivíduos que fazem aqueles cursos de leitura rápida de russo e há um indivíduo que fez um curso de leitura rápida de russo e depois de perguntar, então e como é que correu? Correu bem? Correu muito bem. Então já leste o Guerra e Paz, já tem o que é que trata? Mete guerra, não é? Pronto, mete guerra. E é isto que tem a ideia da evolução. Fazendo aqui uma brincadeira com esta algoria, mas muitos deles desconhecem o...

uma série de princípios ligados à evolução. E a ideia de que nós estamos isentos das forças da evolução, estamos como cacima da natureza, retiramos o homem da natureza, basicamente. porque isto me ter a natureza é muito mais complicado quando não percebemos que tudo o que nós fazemos é a nossa natureza é a nossa natureza mesmo a cultura é a nossa natureza e portanto não se trata de nenhuma superentidade

que é a nossa própria natureza a funcionar. E nós continuamos a ser uma extensão e estamos dentro da natureza. A questão é que isso implica...

Desfasamento Evolutivo e Comportamento

Por acaso, ainda queria falar disso, porque uma das implicações que isto tem, já agora, dando um passo atrás para contextualizar isto, que acho que é importante, um dos princípios da psicologia evolutiva é o chamado princípio da savana, que no fundo não é mais do que dizer que o grosso do nosso período enquanto...

espécie foi na savana. 99%. 99%, dependendo de onde nós contamos. Se é dos primeiros homens, ou há 2 milhões e meio de anos, não é? Não, não, então ia, ia, não, não. Perdão, há 2 milhões e meio, Paulo. Recua só...

Se recuarmos só, eu costumo dar isto mesmo, quer em aulas, quer em formação, explico isto quando falo sobre liderança, por exemplo. Vamos considerar que aquilo que é mais consensual neste momento, até algumas escavações feitas em Marrocos há pouco tempo, porem isto em causa porque ainda...

fazem-nos redatar isto mais para trás. Aquilo que é relativamente consensual é que o homem moderno do qual nós fazemos parte tem 200 mil anos. Se considerarmos os 200 mil anos, que já é uma boa dose de tempo, digamos assim...

e convertermos isso eu gosto muito de convidar o pessoal a fazer este exercício porque é um exercício giro como nós não temos consciência do que é que são 200 mil anos não temos não temos essa capacidade então vamos converter esta escala numa outra escala em vez de pegarmos em 200 mil euros perdão, era bom, por causa do jeito este lapso foi importante

Pegamos em 200 mil anos e convertemos-nos num metro. Mas fazemos reconversão de escala. Um metro já é mais fácil de nós entendermos o que é. Então imagina bem. Num metro, ou seja, 100 centímetros, penso que ainda não se alterou, não é? Os últimos 10 mil, nota bem, 10 mil estão no último meio centímetro. Então, o que quer dizer que... Eu costumo dizer, a gestão moderna tem 200 anos, está onde? Se os últimos 10 mil estão no meio centímetro, onde é que estão os últimos 200 anos?

E a esta escala, vendo esta escala, percebe-se melhor o que é que se quer dizer com as tais pressões que fazem com que o nosso cérebro esteja ainda fundamentalmente formatado para trabalhar com os problemas da savana. Não teve ainda tempo de fazer este upgrade. E vai levar muito tempo ainda. E a alimentação é um excelente exemplo. Eu costumo dar esse exemplo. Sim, sim. A alimentação é um exemplo típico. Continuamos por N razões evolutivas orientadas para açúcares e para gorduras. Como se...

não soubéssemos se comemos amanhã, como se fosse raro e tão difícil como era na savana encontrar açúcares e gorduras. Exatamente. Aliás, falei disso no... E o resultado é as doenças que temos. Exatamente. No episódio sobre a nutrição, porque é um ponto interessante, que não é fácil, não é fácil depois de...

trinçar, mas claramente parte da verdade está aí. Daí o princípio do desfazamento. Exatamente. Que decorre do princípio da savante. O que acontece é que o ambiente mudou tão mais depressa, a um ritmo... tal ordem, como ainda está a mudar, e vai continuar, não é? Porque a mudança, a diversidade e a mudança ao longo tempo é a primeira característica da evolução, portanto esta mudança está a ser um ritmo mais forte

do que aquilo que o nosso cérebro parece estar capaz de aguentar. Enquanto espécie, dou-me o referir, enquanto espécie. E, portanto, obviamente que vamos adaptando, uns melhor, outros piores, pois repercute-se, digamos, em todos, cada um à sua maneira.

Mas há um desfazimento ainda entre as respostas necessárias e as exigências deste ambiente. As pressões deste ambiente colocam outros problemas para os quais nós não estávamos preparados. Claro, claro. Exatamente. E dá erros. Exatamente. E dá uma série de... A nível...

cognitivo, a nível comportamental, há uma série de erros, como por exemplo essa questão da propensão para o consumo de açúcar. Como na liderança? Como na liderança, já lá vamos, e dá-nos uma série de enviasamentos cognitivos. Claro. Aversão à perda e uma série de coisas. Um deles que, curiosamente, não...

vinha no seu livro, pelo menos explicitamente, e eu penso muitas vezes, e nos leva àquilo que o Paulo estava a falar há pouco, é a incapacidade, ou a grande dificuldade em pensar de uma forma que não binária.

Ambiguidade, Género e Liderança

Preto e branco. E o desconforto com a ambiguidade. Por exemplo, o que é que este campo traz? Este campo da psicologia evolutiva traz às ciências sociais uma dose de ambiguidade. Porque o que diz é, nós somos o animal, como toda a gente sabe, não é? portanto, sujeitos ao processo evolutivo, também no cérebro, não estamos tão presos à nossa natureza como...

Um cão está porque a nossa evolução... Porque o nosso sistema é aberto. Porque o nosso sistema é aberto, justamente, e porque evoluímos em grupo e porque criámos alguma coisa chamada cultura. Mas também não temos a blank slate, não temos a tábua rasa, não é? Ou seja, não vimos ao mundo, digamos assim, por escrever. E esse meio termo... Que não é meio. É algures.

no espaço que está no meio, é uma ambiguidade. Quer dizer, obriga-nos a estar na incerteza. E o ser humano tem muita... Isto vê-se em N coisas. N tópicos de discussão pública se vê isto. Que há uma grande dificuldade em estar no meio. E leva-nos a...

partir para um extremo. Se nós não estamos num modelo, temos que estar num modelo contrário. Socialmente é muito difícil gerir isso. E vê-se muito no debate político, vê-se imenso. Por exemplo, quando a pessoa parte de um modelo, quando a sociedade se larga um modelo...

tendo a ir para um modelo oposto. Por exemplo, a questão da identidade de género, que falávamos em Neóf e que eu falei com o Lusvig Kripal, por exemplo. Para mim é um exemplo claro disso. A sociedade viveu durante, depende da sociedade que quisermos falar, mas pós-revolução agrícola, nos últimos 10 mil anos,

a vontade vivemos ou 12 mil anos vivemos com um modelo patriarcal, quer dizer, homem e mulher, cada um com funções específicas, de repente percebemos e acertadamente que aquele modelo já está desfazado culturalmente. E depois queremos ignorar que há diferenças biológicas entre os dois sexos, que é evidente que existem, não é? Mas querer partir desse modelo e ao mesmo tempo não esquecer que existem diferenças biológicas é estar no meio terreno...

Que é muito difícil de gerir. Eu acho que há uma grande dificuldade em gerir. É difícil de gerir e propenso, de facto, extremismos, sem querer... Sem querer olhar para outras evidências, para outras investigações, é quase querer negar a existência da masculinidade e da feminidade associadas aos géneros, incluindo em termos de valores, não é? Claro. Por exemplo...

Um dos modelos com que eu trabalho, penso que sabes isso do Hofstad, quando fala na dimensão masculinidade-feminidade, que levanta sempre, mesmo na formação, porque as pessoas estão agarradas perante o mesmo significado e atribuem significados que não são... aqueles que querem ser dados, não é? Mas, por exemplo, ele refere a investigações de que quando se vai, por exemplo, pesquisar valores dentro de uma população, o valor da masculinidade, o que está associado ao género da masculinidade...

conquista, ação, etc. A guerra. A guerra é um assunto masculino, sempre foi. Claro. Isto parece que o que queremos dizer é assim, não, isto é testosterona, não tem nada a ver com isto. Tem! Tem muito a ver com isto. A guerra, por exemplo, e a violência... É dominantemente praticada por homens. Não há praticamente mulheres a praticar crimes violentos. Eu tenho investigação feita sobre... Há dois anos atrás, tive a oportunidade...

convidaram, pediram-me isso e eu fui fazer algum trabalho de investigação sobre isso. A questão da criminalidade. Eu já andava a escrever algumas coisas sobre isso e às vezes há a questão da liderança. E eu sento isso para mim extremamente claro. O...

A tendência da propensão para a liderança ser ocupada por homens é exatamente a mesma da criminalidade. Inclusive os raços são muito parecidos. Porque esse tipo de atividades tem bases... fortemente associadas à evolução do homem e da mulher ao longo da nossa história.

Compreender a Natureza Humana

E é evidente, e eu sou o primeiro a defender, por isso é que me custa certas críticas que eu ouço. Eu sou o primeiro a defender que precisamos de mais mulheres na gestão. Eu defendo isso acérrimamente. Hoje, para mim, isso é claro. Agora, não é... É como se pensa que vai acontecer assim.

porque quando se começa a estudar este assunto começa-se a perceber que há coisas muito mais complicadas por trás disto que é a questão dos custos da parentalidade e o Paulo agora fez um ponto importante que é quase a chave da análise deste tipo de tema em termos das implicações que tem. A lógica disto, e é desta conversa que nós estamos a ter, e deste campo da psicologia evolutiva, que tem algumas polémicas por causa disso, não é dizer que... Nós não vamos fazer mais do que...

do que é a nossa biologia. Se fosse isso, ainda estávamos na savana. Claro. Tudo o que nós fizemos na savana foi ir para além da nossa biologia. O que é dizer é uma coisa distinta dessa. É dizer, nós vamos para lá da nossa biologia, mas não podemos ignorar a nossa biologia. Absolutamente. Sabendo que ela...

Existe isso. Mas deixe-me de outra forma. Aliás, eu tenho este modo, que é o sistema... Antes disso, havia um indivíduo, Chekhov, dizia assim, uma frase que acho que é bastante eloquente para explicar o que eu quero dizer. A única forma de mudar o homem é mostrar-lhe como é que ele é. Exatamente, exatamente. E se nós...

Queremos, de alguma forma, intervir no sistema da natureza. O que não é mais do que a natureza é a intervir sobre si próprio, no fundo. Temos de conhecer as regras da natureza. Porque a melhor forma de atravessar o rio é conhecer a corrente do rio. E não negar a corrente do rio. Não, não há corrente nenhuma.

Ah, e vamos ver como é que conseguimos ajustar isto. Exatamente. O que é que acontece? Essa frase é muito boa. Como é que é para mudar o homem? Para mudar o homem tem que se mostrar como é que ele é, para que ele ganhe a consciência de como é que ele é.

Democracia e Tendências Humanas

Porque isso reflete-se em tudo. Não sei se já pensaste nisso ou se muitas pessoas que nos eventualmente estejam a ouvir já pensaram nisto. Eu já escrevi sobre esta questão, por exemplo. Se pensarmos um bocadinho, isto é uma coisa que nós também não nos sentamos a pensar nisto todos os dias, se pensarmos um bocadinho. Vejamos a democracia.

Quando olhamos para a democracia como sistema político, o que é que nós verificamos? A maioria dos países é democrata ou não é democrata. Sente que isto não é binário porque está a graus de democracia. Claro, justamente. É também um espectro. São as poliarquias, como o Dahl chamava, não é? Mas... Dentro dos graus...

uma democracia considerada plena, que reúne todos os requisitos, oito a nove requisitos. Se aplicarmos esta grelha, nós vamos verificar, e nem é preciso aplicar esta grelha, mas se aplicarmos esta grelha, que aliás é usada para algumas organizações, algumas instituições, a Economist tem...

sobre isso. E eu estou a dizer isto porque o meu último artigo saiu na Rádio Pública e na Ciência Política é exatamente sobre esta questão. A perspectiva biológica sobre a própria democracia. A maioria das cidades humanas não é democrata. esmagadora, não é democrata. Mas nem perto, se aplicarmos o grau de democracia plena. Pois há democracias, há democracia, enfim, com...

com falhas, até a Estados que não são democráticos. E, mais uma vez, é preciso entender a nossa própria natureza. Porque quer dizer que se não é a maioria, quer dizer que nós não caminhamos da democracia para a democracia. Nós caminhamos de coisas que não são democracia para a democracia. o percurso e o produto de ser o quê? É a herança evolutiva. A nossa propensão é para as estruturas hierárquicas, como outros mamíferos e outros primatas. E a democracia?

Não deixa de ser uma estrutura hierárquica. É uma estrutura hierárquica participativa através das pessoas que são criadas. E depois há outro ponto interessante que a pessoa aprende com esta área, que é... A democracia é muito mais do que simplesmente a questão que o Tocqueville falava da ditadura da maioria, da maioria mandar. É muito mais do que isso, porque isso é biológico. Mas mesmo essa maioria, essa maioria, é biológico. Justamente, exatamente.

de maioria prevalecer nem sequer é um exclusivo humano. Não é, não. Exatamente. Os veados decidem com base no maior grupo para onde vão. Há muitos macacos que decidem com o maior grupo para onde vão.

Esse conformismo e seguro grupo, até com o mecanismo de defesa, não é? Que nós também praticamos. Exatamente. É uma herança, quer dizer, que nós temos. E por isso é que o que se leva a quê? Temos que ter muita atenção para manter a democracia. A democracia tem que ser cuidada. E, de facto, é como o Churchill dizia, quer dizer...

É o pior de todos, não contando com todos os outros. Não encontramos um melhor ainda. Mas isso tem mesmo que ser construído, porque a nossa tendência não é para isso, de facto. Pode ser que daqui a 100 mil anos, provavelmente isto seja tudo ridículo o que está agora a ser dito. Mas nesta fase... neste estágio ainda é assim negar isto é para um querer negar a matemática na engenharia que não faz sentido para mim já não faz sentido há outros que

fazem, eu respeito nisso. E a questão da democracia como... Se compararmos a democracia com a anarquia, por exemplo, o problema da anarquia é justamente... ir contra a natureza humana. E não quer dizer que não dê para criar algumas bolsas de anarquia, mas se forem criadas contra a natureza humana, dificilmente vão perdurar. O problema é que a gente fala de anarquia, a maior parte das pessoas acima.

Escolha de Líderes e Competição Sexual

que é a anomia que não tem nada a ver com a anarquia, não é? E isso é mais uma das coisas que levanta problemas. Só que voltando um pouco atrás, ao centro da que estávamos a falar, se olharmos para isto nesta perspectiva, nós vamos verificar que o que... está a acontecer agora, é quase como se ainda não tivesse acontecido à escola evolutiva. Isto pode parecer estranho. Sim, sim, claro. E estamos ainda tão pressionados, tão pressionados e tão presos...

Enquanto espécie, é tudo aquilo que é típico da savana. E a máquina não percebeu, já não estamos na savana. A maioria já não está na savana. A savana é um ambiente que desapareceu, provavelmente irá desaparecer e a continuação será este. Estamos a levar tempo a fazer este projeto e cometemos muitos erros. e há erros dramáticos. O caso da lideração, insisto em isso, porque é um caso típico. Continuamos a escolher líderes erradamente em muitas situações. Desde logo, continuamos a escolher homens.

o erro começa logo por aí quando em muitas situações já não é necessário e enfim e altamente duvidou-se que pelo facto de serem o que os homens têm algum talento para a liderança não têm justamente nenhum isto é chato para malta-te a ouvir se calhar é pá mas não temos nenhum talento especial

Sim, sim, têm mais... Têm mais testosterona e têm mais o facto... Têm mais apetência. Isto agora é polémico que eu vou dizer. As mulheres também são, entre aspas, responsáveis por isto. Porquê é que são responsáveis nesta perspectiva? Porque, no fundo...

O que os homens fazem permanentemente é aplicar aquilo que o Zavi chamava, não é? Tem a ver com o princípio do handicap, não é? Exato. Que é dos mais interessantes. Exato. E eu escrevi uma coisa uma vez sobre isso. Meio a brincar e meio a sério. Porque até era a sério. Tive de pôr meio a brincar para...

baterem muito. Porque é que há sempre tantas minhas bonitas nos salões automóveis. Tipo, é logo apelidado uma série de coisas, porque muitos nisso querem ler o que está escrito. Quando falo de facto...

Não é porque se venda mais carros, estão lá mulheres bonitas, não é? Embora embelezem bastante aquilo e... o que acontece é que está ali em representação de um bolo tudo o que acontece leva às questões de liderança ou seja quem escolhe é a mulher e como quem escolhe é a mulher o que o homem faz é procurar por vias legais a maior parte deles ilegais 10% encontrar recursos que o tornam atrativo. Esta é que é a questão. Nesta arena de reprodução que existe...

Porque esse é o objetivo último, é a reprodução. Nem sequer é sobreviver. Isso é um ponto importante. É isso que os homens fazem, é procurar ter recursos e mostrá-los para que se tornarem atrativos, porque não são selecionados para a reprodução. E não sendo selecionados para a reprodução, a pior coisa que pode acontecer é ficar...

fora da corrida. Claro, exatamente. E há um ponto interessante disso que é muito engraçado. Nós temos o dobro dos antepassados mulheres face aos antepassados de sexo masculino. Tem imensa piada. E é exatamente o reflexo disso hoje. Os homens... Metade dos homens perderam a corrida, em certo sentido. E os outros ganharam duas corridas.

E continua a acontecer com a questão da poligenia, com a questão da monogamia, com as questões todas à volta disso. E pode ser, mesmo na sociedade atual, por exemplo, nós não temos na sociedade ocidental poligamia, mas não é muito difícil encontrar casos de... Mas estás a dizer poligamia que és...

é poligenia. Poligenia, sim. Poligenia que é dos homens, poligamia é o termo mais genérico. Mas temos pessoas que se casam várias vezes. Não, não. Nós temos, continuamos com muita poligenia. Com muita mesmo. Sem um artigo, não deves perder isso, de uma investigadora... eu tenho me contatado com ela por escrito mas até lhe perguntei da última vez se ela é portuguesa porque ela chama-se Fortunato o último nome, não me lembro qual é o primeiro só me lembro de ela vira Fortunato mas não é

Ela está em Londres, tem um artigo excelente sobre a questão do casamento, da antropologia ligada ao casamento, e há um mapa que ela mostra da investigação que é extraordinário. Se considerares que não apenas... ter mulheres ao mesmo tempo, mas ter várias mulheres sequencialmente, tipo a poliginia sequencial, ela continua a dominar. Mas é isso que eu estava a falar. Tem que haver sempre um limiar, tem que haver no sentido, há um limiar...

poligenia em todas as sociedades. Mas, mais uma vez, porque a mulher é esperta, é inteligente, porque uma mulher, professora número 2 ou 3, em determinados contextos, Pelas variáveis económicas, tudo aquilo. Sim, sobretudo conceitos de esquecer. Porque é óbvio que é muito mais inteligente ser o número 2 de um indivíduo com muitos recursos ou o número 3 do que de um que não tem recursos e não lhe garanta reprodução.

O que é que não está aqui a perceber? Agora, o efeito em geral que isto tem em termos de pressão que existe dentro dos géneros e daí a guerra dentro ou intra-sexual, no caso dos homens, pela busca dos melhores recursos. Pela busca dos melhores meios ou a capacidade de mostrar perspectivas de ter bons meios que o tornem atrativo.

Mas é aquilo que eu falava há pouco, o Paulo agora chamou-lhe poligenia sequencial, não sabia se era esse o termo. E isso nós vemos em Portugal, não precisamos sair de Portugal para ver isso, nós vemos que... É muito comum vermos o caso dos homens bem-sucedidos que se casam 3, 4 vezes durante a vida. No fundo não é mais... Isso é o prémio. É exatamente isso, só que é sequencial, porque a nossa moral condena a poligionia e bem, e portanto é sequencial. É uma...

E se calhar muito mais paralela, só que nós não sabemos também. Eu pensava que o Paulo estava a falar disso no início e até há uns casos conhecidos de poligenia. Mas isto para dizer que esse prémio continua a existir. Há um ponto aí importante que o Paulo fez e eu acho importante referir para quem nos está a ouvir que é...

Reprodução, Valor Biológico e Longevidade

É muito importante em relação à forma como a natureza evoluiu. Deixa-me dizer uma coisa para terminar só a conclusão. É por isso que a maioria dos líderes são homens. É exatamente por isto que a maioria esmagadora dos líderes são homens. Claro que isto pode ser amplificado ou reduzido. Por via cultural, em alguns aspectos é, mas no Japão ainda é mais amplificado. O rácio de homens e mulheres em gestão de topo no Japão é de 97% de homens, 3% de mulheres.

É uma sociedade muito, muito masculinizada. É, e é que tem valores mais masculinos. Exatamente. E não só, e outros estudos têm replicado isso. Mas à parte disso, este padrão é geral, é genérico. Não interessa aqui nada se varia um ponto ou dois pontos por cento. Não interessa nada. Este é o padrão. É 90%. Homens, 10%. E se fizeres qualquer análise ou meta-análise de estudos feitos, etc. E mesmo historicamente, encargas-lhe de topo, de facto, de decisão, o rácio é este.

É 9 para 1. 9 para 1. Mas isto resulta desta... Agora, confundir isto com o que nós gostaríamos que fosse, ou o que é que achamos sobre isto, isto é outro dossiês, os misturos dossiês de outros. Primeiro temos que ver... Como dizia aquele físico, primeiro olhamos as tendências, depois encontramos as explicações. Mas primeiro temos que perceber porque é que há esta tendência, o que é que faz isto. E agir conscientes dela e não ignorando. Claro, claro.

Negar isto, é como eu digo, negar a matemática na engenharia não vale a pena. Para mim não vale a pena. E o que está subjacente a isso, era o conto que eu ia fazer, é que, e o Paulo disse isso há bocado, e isso é o tempo importante para perceber a maneira como as coisas funcionam. A natureza, nós... enquanto seres vivos, estamos programados biologicamente, depois, como seres racionais, obviamente ultrapassamos, em certo sentido, mas estamos programados para a reprodução.

Aquilo que o Paulo dizia há pouco, não é a sobrevivência ou a longevidade, é a reprodução. Cada ser vivo é tão mais bem-sucedido quanto mais se consiga reproduzir. Mas não é nós, é os nossos genes. Os nossos genes, exatamente. Sim, sim, exatamente. Cada ser vivo está programado para isso. Todos os seres vivos da natureza estão programados.

para isso. E isso, no ser humano, leva a essas duas atitudes, tendencialmente, este tendencialmente é importante, ou seja, em média, diferente entre os dois sexos, de o homem historicamente

têm possibilidades de reprodução praticamente infinitas. Claro. A mulher não. E essa é uma diferença brutal. Por isso é que também morremos mais. Por isso é que também morremos mais, justamente. E porque também a mulher tem um papel... Eu não sei se isto é verdade. Estava a pensar isto quando estava a ler o... Nós temos menos valor do ponto de vista bioeconómico para a natureza que as mulheres. Ou temos um valor menos... Não, o valor do mercado. Chamemos assim, o valor do mercado.

O espermatozoide vale muito menos do que o óvulo. O óvulo é muito mais raro que o espermatozoide. E o que me parece que está na origem da nossa menor longevidade, a minha intuição, seria que o homem... No fundo, nesta lógica reprodutiva, o homem tem essa missão reprodutiva que ele pode fazer ao longo da vida inteira, mas obviamente vai se tornando cada vez menos eficaz. Um tipo de 95 anos pode ser pai, mas é muito menos provável do que um tipo de 20. A mulher na cultura humana...

é quase 100% de uma menina, e não de um menino. Ah, é? Ah, curioso. Não sabia dessa. A mulher tem um papel na nossa espécie humana, homo sapiens, o papel biológico da mulher vai para lá... de ser mãe. É o papel também de cuidar até pelo menos aos netos, que é curioso. E isso é uma das explicações que é dada para... Por que é que tem a menor pausa? Por que é que tem a menor pausa?

No fundo, é uma seleção natural para essas características e eu acho que isso ajuda a explicar a maior longevidade. No fundo, a idade natural da mulher será talvez os 70 anos, até os netos crescerem. Sim, sim, sim. E o homem não, quer dizer, o homem a partir do momento em que... A ideia, só em reforço do que está a dizer, o...

Em termos de, mantendo aqui a linguagem, o jargão da gestão, em termos de mercado, de facto, a mulher tem muito mais valor que o mercado biológico. Mas o que leva os homens a morrer mais do que as mulheres, para além dessa questão, tem a ver com a interesse à própria... the gentleman's queen.

Desde logo a questão, voltando à questão da testosterona, porque eu li que alguns indivíduos defendem que a testosterona, a longo prazo, destrói o sistema imunitário. Exatamente. Nós temos 30 vezes mais dinheiro. Há quem diga que, deixa eu só fazer um parênteses, há quem diga que isso é também uma coisa, um mecanismo de compensação, porque...

ao criar um sistema imunitário mais fraco, melhorava a recuperação das lesões? Porque obrigava o corpo a... Bom, isto é uma parte. Outro é porque, na sequência do que falámos antes, porque é justamente o homem que se arrisca mais a tudo.

morre mais em todas as atividades porque arrisca-se mais a tudo porque é que ele tem que se arriscar mais? porque é que se tornar mais atrativo não é? e porque é a mulher que escolhe e porque é a mulher que escolhe genericamente mas no mundo de espécies acontece é a fêmea que faz a seleção é, mas na nossa é particularmente

por exemplo, a fêmea humana, não é? A mulher tem... É a mulher a recoletora. Há um livro do Wilson sobre isso. Exatamente. O homem cassa e a mulher recoletora. Chama-se mesmo a mulher a recoletora. É em inglês, é claro que está em inglês, mas é isso. É a mulher a recoletora.

Há coisas mentiras, por exemplo. Eu hoje verifiquei isso, porque façamos a vida. Eu costumo dizer, vão ao supermercado. Quando estão a uma grande superfície, vão reparar uma coisa muito interessante. Em 90% dos casos, quem é que segura o carrinho e quem é que faz a recolha dos produtos para dentro do carrinho? Basta olharem para isso.

o homem inclusive quando vai fazer a recolha tem que ir com as testes da mulher e dizer exatamente o que é que ele vai tirar, de onde é que vai tirar e para não fazer as negras mas continua a ser a mulher a fazer a recolha isto é uma coisa muito interessante de ver porque

Qualquer pessoa assiste a isto. Isto é o chamado Darwin no supermercado, que era um livro do professor Nelson. É... Fez isso. Sim, mantém-se hoje em dia, exatamente. Geralmente fez isso. Essa distribuição. E a natureza aí, de facto, fez com que nós morremos mais e mais cedo que as mulheres. Temos menos...

Adaptação, Atração e Contexto Social

nesse aspecto e de facto como eu costumo dizer elas é que mandam o poder a delas na nossa espécie o poder a das mulheres sim porque escolhem e no fundo o resto é um subproduto quer dizer o Aspetos que muitas vezes parecem de dominação masculina são um subproduto disso. Essa é uma das razões. Por exemplo...

O Kanazawa refere, para quem não sabe, o Sartor de Kanazawa é um dos mais retados psicólogos e evolucionistas. Por acaso, também associou-lhe. O que essa seleção levou e conduziu foi o que se chamou Assortive Marriage. que daí a razão dos homens mais altos serem mais inteligentes, em média. Portanto, tem a ver com efeito e sub-efeitos desses processos de escolha e de seleção feitos pelas mulheres.

Mas, de facto, elas são a rainha. Eu sei dessas estatísticas, mas como é que funcionava neste caso? As mulheres escolhiam os homens... Cada vez mais inteligentes que, por sua vez, iam se repercutir em novas escolhas. E isso estará criado... essa tendência e claro que estamos a falar, isto é uma das coisas que quando se fala é logo imenso, mal entendido pensamos que não, não estou a dizer que todos os homens altos são mais inteligentes provavelmente a correlação existe é assim

mas não é grande se eu pegarem mil fazem um teste que aí provavelmente mais alto a correlação positiva com mas os primeiros 400 podem ser todos indivíduos baixos aliás grandes crânios não que têm sido propriamente altos, como nós vimos na ciência. Mas cá está, na política vimos isso, muitas vezes. Nós temos aí fenómenos de liderança e de política, na política em várias áreas, que refletem claramente o desfazamento. Quando um grupo se sente...

derrotado, ameaçado, humilhado, quando um grupo se sente assim, a tendência é sempre para que quando aparece um líder que diz que vai tratar dessas feridas e vai repor as coisas todas, normalmente é extremamente agressivo, autoritário, ele tende a ser escolhido. E nem vou dar... exemplos de situações destas porque todos nós conseguimos perceber muito bem isto isto é claramente um efeito

O desfazamento não serve continuar a achar que é o homem guerreiro. Nesse desfazamento há uma coisa curiosa, por acaso. Porque nós falamos do desfazamento como... Falamos do desfazamento como... Como é que eu ia dizer isto? Falamos do desfazamento como uma coisa real e que é difícil de suportar ou à qual estamos sujeitos completamente, mas o...

A nossa própria biologia tem implícita uma adaptação curiosa. Por exemplo, esse lado, isto que o Paulo disse, no fundo, o que é que nós fazemos inconscientemente? Se estivermos numa situação precária... no fundo igual a esse ambiente da savana em que vivíamos sujeitos a ser inicialmente aos predadores e mais à frente sujeitos aos grupos vizinhos ou seja, sob ameaça se estivéssemos sob ameaça vamos escolher, revertemos para

para o mecanismo da savana e que vamos escolher um líder, homem, alto, viril, de boa saúde, com demonstração de força. E preferencialmente rico. E profissionalmente rico, exatamente. No entanto, se vivemos numa situação de maior conforto, também adaptamos, inconscientemente adaptamos,

o nosso mecanismo de escolha e deixamos estar nesse extremo e entram outros fatores em consideração, o que é curioso. Ou seja, estamos a adaptar. Por exemplo, outra coisa que eu ouvi a propósito disto e que me lembrei logo quando vi isto é a questão da... Aquela questão da testosterona nos homens e do facto das mulheres escolherem em média, acharem mais atraentes em média, homens com feições relacionadas com a testosterona, a história do queixo, do...

da testa. Há uma série de coisas relacionadas com isso. Isso é o cad e o daddy, não é? Não sei. O cad e o daddy. Isso é a estrada. Nós também temos um estado aplicado a nós. Sim, mas... Ah, mas deixa-me só terminar de explicar isto. Está bem. E isso está mais ou menos corroborado. E o que, entretanto, os estudos interculturais, o que mostram que é muito curioso é que...

Isso é muito verdade em sociedades subdesenvolvidas, pobres, digamos assim, e torna-se tão menos verdade quanto mais desenvolvida a sociedade. Por exemplo, nos países nórdicos, esse fenómeno já tem uma correlação baixíssima. Porque é a nossa própria natureza a adaptar e a perceber que aquelas características de...

Masculinidade, exatamente, é curioso, masculinidade naquele ambiente já não são necessárias, tal como acontece em relação às polícias. É curioso, não é? Mais do que isso, vou dar um exemplo se calhar, talvez se me lembrava agora da fonte, mas também qualquer um que queira ver, descobri-se facilmente.

Por exemplo, o colostro das mulheres, colostro é aquele líquido que sai antes das crianças começarem a beber o leite do peito da mãe, da mama. Há um líquido que se chama colostro, que é altamente rico. Por exemplo, foi isso que eu estive a ver.

na Índia, esse colostro tem defesas contra a cólera na Índia, mas nenhuma mulher na Suécia tem isso no seu colostro é justamente essa a inteligência muito esperta a natureza de facto neste aspecto vai-se permanente é maleável vai-se ajustando no final de dia sobra sempre que tem mais hipótese, de facto, da sobrevivência. Porque o que acontece? Aí se está falado, está a implicidade da escolha. Em determinados ambientes, o porte mais agressivo e masculino é mais selecionado.

Porque é a ideia subjacente. Eu acho que é preciso explorar isso bem. Porque tem a ver com o que... Mais uma vez, a lógica é a mesma. Nesse contexto, isso é muito mais, provavelmente, adaptativo. Porque significa que alguém pode obter mais recursos. Exatamente. Ok? Num ambiente mais hostil, pode obter mais recursos. Mas isso...

tem a ver também com outra questão, que há pouco estava aqui, que é o Daddy do Caddy. Ah, sim. Eu não conheço essa. Isso tem a ver com o quê? Digamos que as mulheres querem um... caddy para fazer sexo, mas que era um daddy para casar. Ah, sim. Ok? Sim, sim, sim. E eu acho que isso mistura um pouco de tudo, do daddy e do caddy, não é? Porque, não obstante, se fizer os mesmos estudos na Suécia ou em alguns países nórdicos, se for só em termos de opção para...

para ter sexo, não para... Mas eu acho que era. Mas só para ter sexo, uma parte dos primeiros que eu conheço continuam a dizer que a preferência era para portos mais para caddies do que para daddies, não é? Aliás, o homem também tem o complexo Madonna-Hore, que era casar com uma santa. Como dizia as chaves de palavras de um Marco Paulo.

Estratégias Reprodutivas e Monogamia

Não funciona sempre com adaptações, não é? A natureza vai fazendo e vai se gestar, e a cultura do tempo para ele é muito importante. E há aqui um lado, e exatamente nós falávamos há pouco, que é... E é uma das razões, porque algumas pessoas rejeitam este tipo de conjeturas, embora erradamente, é que, obviamente, a espécie humana é mais complexa.

do que outras espécies e nós temos muitas complexidades embutidas e é difícil também reduzir tudo a uma simplicidade deste género. Por exemplo, historicamente os homens, ou seja, o macho da espécie humana, têm duas estratégias

de reprodução distintas. E que nós vemos ainda hoje em dia. Hoje em dia elas estão todas mais ou menos sob a capa da monogamia, mas vemos claramente homens que têm estas duas estratégias diferentes. Uma é a estratégia de quanto maior a reprodução... melhor, ou seja, espalhar a semente, faz a expressão, no máximo número de destinos possíveis, e há muitas pessoas que têm isso no hardware.

E outra estratégia evolutiva, e que é uma estratégia claramente evolutiva, é da monogamia, que é uma estratégia evolutiva de si mesmo, que é ter... Mais qualidade, menos quantidade. Exatamente. E é um negócio com... aquela mulher, no fundo é em troca da garantia da reprodução, há uma garantia de que ficam

sobretudo durante o tempo, e era aquilo que o papo falava há pouco, que a criança leva a desenvolver-se. Que é outra especificidade da espécie humana. Mas é que há aí uma questão que ainda complica mais isso, que é chamar de dúvida fundamental. e é mais uma vez uma preparação muito interessante da natureza para não arrumar uma ideia. A dúvida fundamental faz com que, por definição, o macho humano, o macho, nunca sabe se está a apostar os seus genes, não é?

E esta é a questão da monogamia? Aliás, isso reflete-se, por exemplo, de uma forma extremamente clara na... na criminalidade sobre crianças infelizmente as estatísticas quando se põe agressões de pais a filhos as agressões de pais a filhos biológicos são

raríssimas, muito raras, muito raras. Claro que basta aparecer uma na televisão com choque, mas isso é o efeito da disponibilidade de informação, é outra questão. Outro enviasamento cognitivo que nós tivemos. O problema é que muitas vezes as estatísticas são todas colocadas, isto é a propósito da tal palestra que eu fiz. sobre a questão da criminalidade, em 90% dos casos são padrastos que fazem mal aos filhos. Exatamente nessa questão. Voltando à questão da dúvida fundamental.

O investimento, atenção, há padrastos muito mais competentes que pais biológicos. Muito mais competentes que pais biológicos. Não, mas a questão não é esta. A questão é que, evolutivamente, não fazia sentido nenhum que nós fizéssemos mal às nossas crias. Claro, claro.

Não faz sentido nenhum, ultimamente nunca perduraria. Ao mesmo tempo que, digamos assim, no algoritmo deste mais está que o espalhar, como se o nosso computador orgânico tratasse as coisas sem saber algumas coisas que está a tratar, mas tratasse só do ponto de vista processual. de matemática pensasse assim quanto mais é espalhado mais probabilidades

no calo das probabilidades, está de que, sem terem conta se está a espalhar bem, se está corretamente, se aquilo vai ter conseguido ou não. O que a ideia é que, em termos computacionais, está a espalhar. E, portanto, como está a espalhar a semente, está a aumentar a probabilidade destes anos de serem espalhados.

É, muitas vezes, um desfazamento do próprio cérebro. Agora, eu concordo que a monogamia, nesse aspecto, foi uma boa, e continua a ser uma boa resposta. E equilibra muito mais as coisas. Até em termos de violência.

independentemente dela ser uma boa resposta quer dizer, nós hoje em dia culturalmente a consideramos uma boa resposta, ela é evolutivamente uma boa resposta, porque gera esse benefício mútuo do homem saber que se consegue produzir e esse ponto que o Paulo levantou que era essencial e que eu me estava a esquecer há pouco de ter a certeza ou quase de que vai ser pai de que é o pai daquela do futuro filho exatamente e do lado da mulher

que é fundamental e explica, outro aspecto muito curioso disto, das mulheres tipicamente, lá está tendencialmente, em média, serem mais pragmáticas e mais desconfiadas, porque têm que garantir que... Elas têm toda a razão e evolutivamente faz todo o sentido. É inteligente ser, não é? Porque o custo é muito mais pesado para as mulheres do que para os homens. E porque a espécie humana tem essa característica que tem a ver com o nosso bipedismo, não é?

rapidamente, o nosso bipedismo leva aqui o canal por onde sai o feto, seja muito o bebê, seja mais estreito do que nas outras espécies, ele tem que nascer mais cedo e, portanto, desenvolve-se muito tempo, tem que se desenvolver muito tempo fora. do outro, no meio ambiente e esse tempo tem que ser supervisionado. Basta pensarmos que quando...

Provavelmente essa foi uma das formas de resolução do conflito com a questão da necessidade de aumento do cérebro, mas a incapacidade, aliás, ainda hoje, o parto humano é altamente arriscado e é perigoso. Na verdade, quando nascemos somos um feto astrotrino. Exatamente. E, portanto, vamos necessitar de cuidados durante muito tempo. Curiosamente, no programa, no programa evolutivo, como eu chamo, isso...

gera, aquilo que tem a ver com a segunda dimensão do Ofsted, do individualismo e do coletivismo, gera a questão, o segundo problema que nós temos que resolver, que é o problema da dependência dos outros. Nós somos altriciais. Portanto, dependemos dos outros durante muito tempo. Ao contrário das outras espécies, a autonomia ganha. Claro, claro.

Dependemos biologicamente. Exatamente. Não é culturalmente ainda, é mesmo biologicamente. Das duas formas. Das duas, exatamente. Mas mesmo biologicamente. Dependemos biologicamente desde logo.

e depois porque todo o resto do desenvolvimento psicogenético, chamemos-lhe assim como o Piás é chamado no fundo, vai depender dos inputs de informação que vem desse ambiente desde logo a linguagem o grupo mais restrito e toda a sobrevivência está daí eu aliás eu costumo dizer que não há na brincadeira eu hoje não gosto de chamar a dimensão do óssea do individualismo coletivismo mas faz muito mais sentido falarmos em graus de coletivismo porque na verdade o que existe há um instinto

instinto social tribal, que se vê todos os dias em muitas situações, e esse instinto, como outros instintos, vai sendo dominado pela inteligência, pelas coisas que vamos adquirindo, mas que está cá de base e tem a ver com esta questão da altericialidade.

Coletivismo e Doenças Infecciosas

Esse é um ponto importante porque a própria psicologia trata no fundo o... O fator análogo a esse na nossa psique, que é a questão da extroversão, também evoluiu para a tratar como graus de extroversão e não extroversão versus introversão. E isso que o Paulo está a dizer está completamente na muscula. É o problema do simplismo, pois, não é? Zero, um. Nós somos gregários. Ou seja, mesmo...

Por exemplo, o Ofsted, eu não expliquei há pouco, embora eu já tenha falado várias vezes do Ofsted no podcast, porque gosto imenso da... dos temas que ele aborda é um sociólogo holandês que trata as diferenças culturais na verdade é um engenheiro da IBM exatamente

E ele estuda, no fundo, as diferenças culturais entre países. Essa diferença do coletivismo versus individualismo é muito curiosa. E, na verdade... E tem variável biológica. Pois tem. E tem uma variável biológica, com o Mark Schaller, que depois ele mostrou. Eu peguei esse tema e... e fiz lá uma investigação sobre isso, sobre a questão da diversidade linguística, também, pegando-me.

Nessa ideia. A ideia que o Marcos Schala mostrou, para quem quer saber, vale a pena ler o artigo de Altação Civil na NET, que a prevalência histórica de doenças infecta ou contagiosa está positivamente e fortemente correlacionada com o coletivismo. E justamente por uma questão obviamente de defesa, de mecanismo de defesa, porque nós ganhamos imunidades e ganhávamos sobretudo imunidades ainda hoje, a partir daqueles com quem interagimos.

Alguém vir de fora, entrar no sistema de fora, significa pôr em causa a imunidade do grupo. E, portanto, a questão da imunidade do grupo, aliás, é uma das hipóteses que existe, chama-se mesmo imunidade do grupo. tem aqui um papel de inflexionista. Hoje em dia assistimos a um mapa de maior frequência e prevalência, digamos, de valores coletivistas, onde houve também prevalência de mais doenças infecciosas.

Eu peguei nesta ideia como um proxy, como se chama, não é? E pensei assim, então provavelmente se isso acontece é natural que também haja uma diversidade linguística correlacionada com a prevalência das doenças. E com... E, neste sentido, com a densidade populacional, o que é curioso. Há mais diversidade linguística, num sentido mais... Diversidade em que sentido? De haver várias línguas? Diversidade de várias línguas, não é? Há mais probabilidade de encontrar pessoas a falar.

várias línguas, onde há mais densidade populacional e não onde há menos. E isso é extremamente curioso. Foi isso que me chamou a atenção. Quando comecei a fazer a estatística e a perceber que de facto a tendência...

existe essa significativa, isto é, onde houve também mais doenças infecciosas, há mais diversidade linguística. Provavelmente a própria língua serviu como crachada de diferenciação a que grupo é que cada indivíduo pertence pela língua que fala. Estou percebendo. Pela língua, pelo código.

Dimensões Culturais e Adaptações Coletivas

e que utilizam, não é? E portanto, mais uma vez o que quer chegar com isto é que é mais uma vez uma variável biológica que ajuda a explicar outras coisas. Não é única. Seguramente não é. Não conseguimos com uma causa só. Mas é uma variável de suporte.

importante para entender as outras. Sim, sim, sim. E é muito curioso. Esta questão do coletivismo, essa ligação do coletivismo à presença de agentes patogénicos, é incrível. É. E, de repente, faz luz sobre isto. E, no fundo... O coletivismo é um processo, é uma adaptação evolutiva, faz todo o sentido que seja.

É uma adaptação evolutiva, é um ambiente difícil. Esse ambiente é mais difícil se houver mais agentes patogénicos que tragam infecções e, portanto, nessa... É uma ameaça. É uma ameaça e nessa ameaça o que faz é que os grupos se fechem.

Isso é uma resposta. E o que mostra, o que explica, eu achei muita piada aí também por isso, porque explica, ajuda a explicar, ou é mais um... mais evidência para ajudar a explicar aquilo que o Hofstad também diz e que está estatisticamente comprovado, que quanto mais desenvolvidas estão as sociedades, economicamente e socialmente, mais elas caminham para um galo menor de coletivismo, que é exatamente...

o mesmo princípio adaptativo que é o coletivismo torna-se menos necessário tal como a questão das feições masculinas sendo completamente verdade ou não aquilo que falávamos há pouco é a mesma coisa tal como a questão dos líderes agressivos é a mesma coisa se as ameaças

que forçavam uma adaptação nessa época da savana, digamos assim, desaparecem ou se tornam menos pronunciadas, então os mecanismos de adaptação vão se tornando os próprios mais leves. Embora não desapareçam. Vão se ajustando. Vão se ajustando. este trabalho do Mark Schaller está de facto fabuloso e eu no livro na altura mandei isto ao Offset aliás foi a primeira pessoa que lhe enviei o artigo assim que saiu mandei o Offset e ele gostou imenso

Agradeceu-me e falámos um pouco sobre isso, não muito. Falei mais com o filho. O filho é biólogo, não é? Exatamente. E tive algumas trocas. Ainda há pouco tempo eu lhe dizia, porque ele questionava-me.

como é que eu trabalho no modelo do office, há muita gente que pensa que é incompatível com a psicologia evolutiva. Eu acho que é exatamente o contrário. Eu procuro tentar ver também as questões absolutas e não só próximas, não é? As variações, ver também aquilo que é a base sobre a qual a variação existe. Eu, neste aspecto, considero, e só pego nas primeiras quatro e meiações do Office, são as que me interessam fundamentalmente.

e tenho, enfim, sou um pouco cético em relação à quinta e à sexta, embora sei que trabalho com elas, sim, porque eu acho que as quatro dimensões dele funcionam como quatro hipóteses, e essas quatro hipóteses são, para mim, há evidências que as confirmam, que as tornam sustentáveis. e que são o equivalente, em termos coletivos, dos mecanismos psicológicos adaptativos. Eu chamo isto de mecanismos antropológicos adaptativos. Porquê? Porque eles são a resposta coletiva aos mesmos quatro problemas.

Como é que lidamos com o poder? Como é que aceitamos e esperamos que o poder seja diferente? Como é que resolvemos o problema da dependência dos outros? Coletivismo. Como é que nos posicionamos em termos do competir? o cooperar, o masculinidade e a feminidade, e como é que lidamos com a incerteza. E estes quatro mecanismos coletivos são uma resposta, mais uma vez, coevolutiva à resolução de problemas fundamentais, como nós temos mecanismos individuais adaptativos, como se...

Liderança, Falácias e Evolução

O ciúme do homem e da mulher não são a mesma coisa, justamente pelas regras, digamos, ditadas pelo programa evolutivo. Ou seja, o ciúme no macho humano reacende imediatamente a questão da dúvida fundamental. é sempre um ciúme sexual não importa em que altura da vida acontece abre a possibilidade de

abre sempre a possibilidade de a dúvida fundamental se concretizar. A descendência não é minha. O ciúme feminino não. E projeta-se muitas vezes sobre o outro homem e não sobre a mulher. O ciúme feminino não. E agora depois vou ter que andar disfarçado aí nas ruas para ninguém me reconhecer.

Com o que eu vou dizer, isso tem a ver com o símbolo dos recursos, basicamente. Porque uma outra mulher significa uma ameaça em relação aos recursos que, num quadro monogâmico, seriam previstos para aquela família, para aquela reprodução de investimento naquela reprodução. Ora, se há uma outra despesa, implica...

um desvio de recursos. E esse ciúme é um ciúme diferente do ciúme sexual. Não quer dizer que não haja ciúme sexual, não quer dizer que não haja também ciúme de recursos no homem, mas que não é esse o quadro geral. E a espécie humana é complexa, mas esse ponto é importante. E neste aspecto eu vejo uma ponte extraordinária e tem-me dado uma imensa satisfação, querendo aulas, querendo aulas, querendo mesmo executivos, empresas, explicar as coisas nestes termos.

Por exemplo, desmontar. Eu já há uns anos esta parte que achava que muitas coisas que eu falava eram psicotréta. Autenticamente, não é? Um monte de discursos se dão aí sobre liderança, que aquilo exprimido e aquilo não diz nada. Todos são diferentes.

são iguais, aquela conversa da treta é psicotreta mesmo, não é uma realidade nova e quando descobri o modelo da psicologia evolutiva aplicado à liderança e que tudo se encaixava fazia um sentido enorme a grande A grande descoberta para mim foi exatamente não só de que precisamos muito mais mulheres liderar,

todas as razões e precisamos mesmo desesperadamente muito mais mulheres em cargos de topo e que elas se predisponham a isso basicamente os homens estão a dar cabo muitas situações que contrariamente ao que se possa pensar A psicologia evolutiva o que propõe é que toda a gente é capaz de liderar. Só tem que descobrir quais são os papéis da natureza para ser um líder. Embora hoje também saibamos que há influência genética na propensão para. Que é o...

O RDS4950, o gene que foi descoberto, que explica 20% da variação. Mas esse gene é um gene da apetência ou da aptidão? É da apetência, não é? É um gene, sim. É um gene que explica... E não da capacidade. Não, não, não. Pois essa é que é a questão. Exato.

Não diz nada sobre eficácia. Justamente. Apenas diz que determinadas pessoas têm mais propensão para assumir rapidamente posições de influência e de ascendente. E podem ser os mais estúpidos, os mais agressivos, os mais idiotas, os mais imbecis, mas têm essa propensão.

são. E o problema é que há muita gente que vai atrás. Claro. Esse é que é o problema. É que seguem este tipo de pessoas. Por N razões seguem. Olha o Trump, olha tantos exemplos. O mesmo princípio do desfazamento é aquilo que nos leva a perceber que não é por acaso. que estão mais ou menos em posições de liderança, e isso é resultado da nossa evolução, mas isso em si mesmo está desfasado face ao que nós precisamos agora.

No fundo é isso. Eu defendo que sim. Isso é natural? Eu defendo que sim. Mas não é bom. Não é? É a tal falácia da... Como é que é? Ah, é uma falácia naturalista. Falácia naturalista. Aliás, eu ainda bem referi-lhe isto. Eu gosto sempre de chamar a atenção, por acaso, de duas falácias. Sempre. Quando se fala este tema. Para as pessoas em alerta. Não só a falácia naturalista, como a falácia moralista. Que é o outro extremo.

Liderança Feminina e Síndrome Abelha-Rainha

Que é, exato. E daí a questão, por exemplo, quando eu falo na bioliderança, as pessoas caem na falácia quando pensam que pelo facto de ser bio é bom. Porque há uma ideia implícita que os produtos biológicos são melhores. Tudo que é bio é bom porque é da natureza. É natural. E não, não é assim. O facto de ser da natureza não quer dizer que seja bom.

Há um monte de coisas más na natureza, como as doenças, as bactérias, os vírus, são todos naturais. O câncer é natural. Eu não acho que seja preciso tão longe sequer. Mas há a outra que anda braço dado com esta, que é moralista, que então se é natural...

é bom ou logo é assim que deve ser. O que, segundo este raciocínio, absolutamente imbecil, faria com que eu tendo uma ferida, não é? É natural que a ferida, se eu não for tratada, enfente. Portanto, é natural que se eu infectar e não fizer absolutamente nada, possa morrer de uma infecção geral. no corpo, portanto é bom, quer dizer isto é um bocado, infelizmente há coisas que são tratadas quase como se fossem assim esta é a primeira forma de mostrar ao homem como é que ele é

Exato. Temos de parar, de continuar a seguir indivíduos só porque são machos. Basicamente é isto. Ou tendencialmente a escolher entre dois um que é mais alto.

Sem sequer nos apercebermos porque é o que estamos a fazer. Ou que tem determinado ruas com determinado tipo de características. Podemos estar a ser induzidos em erro. Como somos em muitas situações todos os dias. Sim, sim. Temos que controlar isto. Para controlar isto temos que conhecer isto. Eu não posso mexer na máquina sem conhecer a máquina.

Exatamente, é questão de conhecer e perceber porque é que o estamos a fazer e também assim vamos corrigi-lo da maneira certa e não da maneira errada como muita gente propõe, que são exageros. Não estou a dizer que todas as mulheres vão ser...

líderes eficazes. Aliás, sobre esta questão... Nem está a dizer, se calhar, que precisamos de 50-50. Não, mas vamos conseguir isso. Isso eu não acredito que vamos conseguir. Nem sequer perto. Eu já me dava muito satisfeito. Se fosse pelo menos 75-25 já era muito... porque não vamos e não vamos também e aqui

Isso é verdade, que eu acho que em muitas situações são muito mais inteligentes que nós. Aqui, neste aspecto, não vou dizer que são mais inteligentes que nós, mas podiam ser um bocadinho mais inteligentes entre elas. E o problema é que, também entre elas, elas são responsáveis.

Por exemplo, ainda não há muito tempo, voltou a ser uma outra investigação, em que quando as mulheres são questionadas, elas próprias preferem homens a liderar do que mulheres. Não só não se chegam à frente, como ainda preferem. E preferem porquê? Porque são mazinhas umas para as outras. E nós conseguimos ser amigos uns dos outros, juntar-nos, elas não conseguem. Exato, mas o que é que foi? Então, pera lá.

Daí há uma lha rainha. Sim, então vamos com calma. Eu quero falar sobre isso. E se calhar vou dizer uma coisa ainda mais politicamente incorreta. Para salvar o Paulo de depois ser abordado na rua. Vamos os dois com cebolas na rua. Exatamente. Biosciógico. Como é que é possível. Exatamente. Como osam. Antes disso, só para concluir, aquilo que o Paulo estava a dizer há bocado tem toda a razão, que o que é natural não é inevitável, não é bom necessariamente, há muitas coisas naturais que nós...

como contornamos e queremos contornar, mas até nem é preciso de tão longe. Ou seja, há uma coisa natural que foi boa no ambiente anterior e que pode não ser boa no ambiente atual. Escolher líderes homens, evolutivamente. Exatamente. E escolher líderes contra essas características faziam sentido. Elas já fizeram sentido. Não fazem agora, que se não é essa.

Mas se existem, é porque fizeram sempre de algum modo sentido e foi eficaz de algum modo. Exatamente, exatamente. Porque sempre se mantém. Quando deixa de ser útil, sai. Claro, mas há... Nem todos os casos são assim. Há uns casos de subprodutos. Há subprodutos que...

Paradoxos Comportamentais e Prestigio

Há exaptações que não são adaptações. Exatamente. E muitas vezes nós não sabemos o que é uma coisa que é a outra. Mas neste caso, eu acho que é mesmo uma adaptação. Já não está adaptada ao atual, porque o atual evoluiu muito rapidamente. Mas em relação às mulheres e homens, eu digo que isto é politicamente incorreto.

Também porque se baseia, eu não sei até quando é que isto se baseia em investigação propriamente, mas é daquelas coisas que culturalmente todos nós sabemos que é mais ou menos verdade. E eu não consigo explicar isto completamente de forma, pela evolução, tenho algum palpite, mas não consigo explicar completamente. E acho que o Paulo, de certeza, já pensou mais nisto do que eu. Que é isso exatamente do que o Paulo falava agora. Nós temos, todos nós sabemos, que existe...

competição e competição muito aguerrida no sexo masculino. É o que nós falámos, lá está. Uma espelhafatosa. Uma espelhafatosa e o risco é maior e é que... Aquele mero facto que eu falava há pouco que nós temos o dobro dos antepassados do sexo feminino do que temos do sexo masculino mostra que metade dos nossos potenciais antepassados homens perderam o jogo.

perderam o jogo evolucionário. Perderam-no. Ou seja, não se reproduziram. E isso é brutal e leva a que haja claramente uma competição por recursos. Ao mesmo tempo, temos um aparente paradoxo com isto, que é aquilo que o Paulo falava daquela... espécie de lealdade masculina que nós vemos muitas vezes e está muito institucionalizada culturalmente, não é da pessoa não cortar as vasas ao outro e de se ajudar em muitas coisas, que é um bocado um paradoxo. E nas mulheres...

vemos o contrário, não é? Vemos esse síndrome da velha rainha. Não tem problema nenhum de ser um paradoxo. Só tem um problema para si porque você não é chinês. Se fosse chinês não tinha problema nenhum com o paradoxo. Isso é uma questão cultural também. É questão da amiguidade. Claro. O Fitzgerald dizia que a primeira medida de um cérebro inteligente é a capacidade de alguém viver com informações paradoxais e continuar a funcionar.

Nós achamos que quando há um paradoxo é inconsistente, mas não tem problema nenhum. A natureza está cheia de paradoxos. A vida está cheia de paradoxos. É um puzzle, mas eu não acho que claramente isto está a ser consistente. Eu ainda não percebi qual é a chave. da revolução disto não é desta não sei se alguém sabe não é? eu acho que eu eu tenho uma teoria em relação a isto ocorreu se quiser posso é um palpite é um palpite em relação a isto que é

O que me parece existir é, da parte da mulher, da fêmea humana, da espécie humana, existe uma... Como é que eu ia dizer? Existe um jogo em que pode compensar... uma estratégia que possa vir a ser desmascarada à prazo, mas que permite a reprodução no imediato.

daquele mais que se considera, para um motivo qualquer, que tem genes melhores. Do ponto de vista do homem, como a visão é muito mais de espalhar os genes por o máximo número de parceiras possível, a estratégia tem que ser uma estratégia sustentada.

E, portanto, a estratégia de cortar as vasas ao inimigo, ou de dizer mal dele, ou de uma coisa qualquer do género, ou com o inimigo, isto é, o adversário, não vai ser sustentável, provavelmente. Enquanto uma estratégia baseada na dominação, no poder, ou...

e se calhar já vamos falar sobre isso na questão do prestígio, é muito mais sustentada a prazo. Isto foi um papito que me surgiu a pensar nisto. Imagino que tenha alguma coisa a ver com isto, mas parece-me que tem mais do que... Mas de resto, atualmente... de uma forma geral e generalizada nas sociedades atuais.

O prestígio é um mecanismo evolutivo mais concentrâneo com a própria seleção dos líderes e dos recursos. Justamente. E o prestígio é incompatível. O prestígio é incompatível com uma estratégia de, em média, incompatível. Não é que não haja pessoas que se safem... com isso, mas por norma o prestígio é incompatível com estratégias desonestas mesquinhas. Ou seja, dificilmente alguém que obterá um prestígio sustentado...

com base em maldicência ou em tentar cortar as vasas ao adversário. Não quer dizer que o vestígio seja limpo, mas é uma estratégia que pode ser difícil de...

Persistência de Padrões Antigos

Ser sustentável. Eventualmente, não sei. Nunca pensei sobre isso. Estou conjecturado. Não sei. E a questão do síndrome da abelha-reinha, como o Paulo lhes chama, e que no fundo tem a ver com essa questão de que... Eu acho que ela tem uma explicação. terá uma explicação biológica, também tem uma explicação não biológica, já lá vou. Mas ela é conhecida, todos nós a conhecemos mais ou menos. Como o Paulo dizia, isso está comprovado por alguns inquéritos.

Há casos muito conhecidos. Eu lembrei-me logo da Margaret Thatcher, por exemplo. Ela era muito conhecida por não gostar de se rodear de mulheres, não era obviamente na vida privada, mas na vida enquanto Primeiro-Ministra. Não gostava de ter mulheres no corpo ministerial, por exemplo. Não gostava de ter... Não se esqueça que os ingleses são uma cultura também com um valor de masculinidade alto. E aí, nesses contextos, quando a mulher alcança posições que são...

tradicionalmente do homem, ela tende a ser ainda mais masculina que do homem. Exatamente. E era isso que eu ia dizer. Esse é o ponto que eu acho que não é biológico. A mensagem para quem está a ouvir é cuidado com as mulheres polícias. São mais duras que eles. Nunca tinha pensado nisso. É verdade. Mas sim, talvez. Nunca discuta com uma mulher polícia. Como? Nunca discuta com uma mulher polícia. Com a polícia pode discutir, mas com a mulher polícia não. Não vale a pena. Nunca tinha pensado nisso.

Mas faz sentido, sim. E é um mecanismo adaptativo compreensível que acontece em muitas outras áreas. Nós vemos isso. Uma mentalidade de escassez... Eu achei aqueles comentários, quando se está a falar nisto, aqueles comentários... Ah, mas isso agora já não é assim. Ah, mas isso está a mudar. Esta parte eu concordo. Se falarmos em milhares de anos, está a mudar. Agora, isso agora já não é assim. Agora...

Princípio do Handicap de Zahavi

há cada vez mais, há mais... Não há nenhumas evidências disso, isto é tudo. Crenças, outras ilusões que há, esta é mais uma delas. Wishful thinking. Se começamos a olhar as coisas com algum sentido, com alguma regula, ficamos que não é assim. Agora é chato dizer isto, pronto. Há pessoas que não gostam. Paciência, portanto, outra coisa é chata.

Havia uma coisa que eu há bocado queria ter falado. Aliás, nós tocámos vagamente nisso, mas eu acho importante explicar. Para mim é dos conceitos biológicos, da biologia evolutiva, mais interessantes e menos intuitivos. que é a questão do princípio do handicap. Do Zavi, princípio de Zavi. Zavi, que é o autor, não é? Que é o autor, exatamente. E o Paulo falou há pouco. Eu vejo como estando ligado à questão da sinalização. No fundo, a sinalização é o elemento de uma espécie... Bom, dando...

passo atrás. Toda a gente conhece a seleção natural pelo meio ambiente e existe associada a ela a chamada seleção sexual ou a seleção social um bocadinho mais alargada.

Exatamente, e eu até ouvi, nós falávamos do... No nosso caso, a seleção sexual está implícita na seleção social. Exato, é um subconjunto da seleção social e está relacionado. E eu, por exemplo, o Brett Weinstein, que nós falávamos no... por e-mail, que há uns dias vi uma coisa dele que ele dizia que era que a principal ideia, do ponto de vista dele, do Darwin...

Não era tanto a seleção natural, mas a questão da seleção sexual. Porque era o estímulo revolucionário, porque a seleção natural já havia aquele outro tipo que estava a trabalhar ao mesmo tempo que ele. O Wallace. Exatamente, o Wallace tinha descoberto também. E isto...

A exceção sexual, no fundo, é que os parceiros selecionam-se entre si e, portanto, dão sinais, leva este princípio da sinalização, que dão sinais ao outro da sua fertilidade ou da sua capacidade reprodutiva ou de tudo o que está associado aqui. E leva do lado das mulheres a uma série de coisas. O lado dos homens leva a sinalizar essa aptidão reprodutiva com...

um monte de coisas. No nosso mundo moderno nós vemos o andar com um BMW não é mais do que isso. O andar com um bom relógio não é mais do que isso. O ter uma boa casa não é mais do que isso. E há um subconjunto desta questão da sinalização que é esse princípio do handicap que é fascinante.

porque, basicamente, da maneira como eu entendo, ele é um puzzle, lá está, é um paradoxo aparentemente evolutivo, porque é um elemento de uma espécie... o indivíduo, ter uma característica ou adotar um hábito que é evolutivamente aparentemente negativo, porque, por exemplo, implica consumir, por exemplo, ir caçar um peixe, há uma tribo qualquer que vai caçar, tem o hábito de caçar uns peixes e eles gastam mais calorias a caçar os peixes.

que as calorias que obtenho dos peixes cansados. Isto, ultimamente, não faz sentido nenhum. Há a questão do exemplo das asas do pavão. O pavão tem aquelas asas. Ele está a gastar um monte de calorias naquilo. Mas faz todo sentido. O que é que aquilo é? Ele está a dizer é eu sou...

Eu sou tão bom, eu tenho tantas calorias em excesso, sou tão bom geneticamente, que posso dar-me ao luxo de gastar as calorias nesta hora. O Pavão não diz isso. O Pavão, aliás, como... que salta em frente ao tigre, mas há um que salta em frente ao tigre, exatamente, e é o macho que faz sempre isso, porque no fundo ele está a enviar duas mensagens, está a enviar a mensagem ao portador, que é...

é tão tão bom que não vale a pena ele vir atrás dele porque ele vai fugir mas a principal mensagem é para a fêmea que está a observá-lo e dizer ver bem o quão

Ousado eu sou, que desafio o próprio predador e posso morrer aqui. E, portanto, se eu sou capaz de fazer isto, queres melhor escolha para reproduzir do que eu, que é o que o Pavão faz. O Pavão não voa e o custo é que, por não voar, devido a essa beleza... ele ostenta, o que está a dizer é o custo que eu sou capaz de suportar, a capacidade de suportar custos, o que é a prova, exatamente, que é a prova de que eu sou bom, eu sou uma boa aposta, escolhe-me a mim, escolhe-me a mim.

Ah, aliás, indivíduos vão mais longe. O Miller, o Geoffrey Miller, refere muito a esta questão. O Diamond também refere a esta questão.

Aplicações do Princípio do Handicap

O princípio do handicap, não explicando tudo, ajuda a explicar muita coisa. Inclusive alguns autores falam, por exemplo, a própria música e a arte. E a língua. A explicação evolutiva pode ir por aí. A língua em termos do vocabulário. Sim, exatamente. refere, não é? Na verdade, nós não precisaríamos de mais do que vamos dizer, 1.500, 2.000 palavras, não para as conversas que estamos a ter deste género, mas se não uma conversa que nós tínhamos todos os dias, para funções estritas sobreviver.

vivência. E nós teríamos nação. 1500 palavras chegariam perfeitamente, não é? E o reportório é, bem, para 50 mil, 60 mil, reportório médio, uma pessoa com 16 anos de... de escolaridade, tem à volta de 60 mil. Depende dos estudos, mas é de um por aí. Essa pode ser muito curiosa da evolução da língua. E portanto, é do mil e não só, mas outros têm esta ideia também. Portanto, isso servirá para mostrar o que capacidade de recursos que a gente tem ou pode vir a ter.

A questão dos estandes automóveis é isso que eu estava a referir. As senhoras estão lá para mostrar que quem adquire aqueles carros vai exibir capacidades que merecem ser bem escolhido. O atrativo nem sequer é o carro, é quem vai comprar o carro, não é? Que pode adquirir mulheres tão bonitas como aquelas. Está a tocar os interruptores evolutivos todos, não é? E ao que parece, o princípio do handicap está disseminado entre nós, é exibido...

com muita regularidade todos os dias. Sabe o que é que eu me lembrei por causa do princípio do handicap? Eu lembro de estar a gravar aquela conversa sobre nutrição. com a Ana Carvalhos, que foi um dos episódios do podcast, e a certa altura eu falava com ela... Explica a filantropia também, entre outras coisas, não é? O princípio do handicap. Sim. Pois, curioso, porque eu tinha olhado para a filantropia desse ponto de vista. Eu tenho tanto que posso deitar algum...

Exatamente. É uma espécie de potlates moderno, não é? E umas tribos que potlates acumulavam recursos e depois destruíam os recursos em frente à outra tribo para provarem. No fundo é um handicap coletivo, não é? É, e porque essa questão da filantropia há alguns hábitos. históricos, nesse sentido, que isso é um handicap porque não é reciprocidade. Reciprocidade era se nós obtivéssemos uma coisa em troca, não é? Exatamente. Uma das aulas em que eu trabalho...

O meu principal tema de investigação na universidade, nos anos atrás, foi feito de trabalho académico. É o tema da confiança. A confiança tem raízes evolutivas. Deus logo. Porque se baseia na semelhança, a semelhança gera atração, etc, etc. Exatamente. Uma das coisas que para mim ficou clara é que um dos comportamentos mais eficazes para construir uma relação de confiança, para se tornar um potencial parceiro de confiança, é exibir exatamente o handicap.

que aliás isso já acontece quando você tem uma marca que diz assim se você não gostar eu devolvo o dinheiro isso é o princípio do handicap e porque mesmo que venha a acontecer alguém exigir em termos estatísticos compensa largamente essas empresas exibirem esse handicap

Estarem dispostos a suportar isso. Sim, sim, sim, curioso. Essa aplicação é uma série de coisas muito diferente. Começa a ver as coisas nessa perspectiva. Começa a olhar para o lado e está a vê-los constantemente. Eu tendo a concordar que... Embora se possa vir à arte, as artes, de uma forma geral, as várias artes, desde a música, a pintura, etc. Como...

Handicap e Comportamento de Risco Masculino

Podem-se ver também como exaptações e não adaptações, ou podem-se se calhar ver como um misto, mas se for como adaptações, o valor... Foi sempre um puzzle, a questão da arte, não é? Exatamente. Das várias artes. Pode ser visto como um princípio de handicap também.

Isso foi visto como um princípio de dicapos, explica muita coisa. Por exemplo, eu explico como é que uma vez num programa de televisão nós tivemos cá em Portugal, daqueles que eram, não sei se eram Fatos X, se eram um desses, ganhou um indivíduo que já não era nenhum jovem, por causa eu gostei muito, o Berga, acho que era Berga.

que ele chamava ganhou, não sei se foi um fator X sim, eu lembro vagamente disso mas o que eu sei giro por causa do handicap é que lá no meio das mulheres todas aos gritos estava uma com um cartaz a dizer assim faz-me um filho Sim, que é o clássico. Exatamente. E, portanto, o farmofilha é uma forma de dizer, ok, eu achei curiosíssimo essa questão da seleção, de tornar-se atrativo para ser escolhido. Claro, claro. É difícil destrinçar o...

Às vezes o handicap da sinalização mais geral. Mas o handicap é uma forma de sinalização. É uma forma, mas é uma forma específica. É, é, é. E exatamente é a mais valiosa. Porque é dizer que só alguém capaz... Tem tantos recursos que está disposto a...

Sim, estás a prejudicar. Exatamente. Aparentemente, estás a prejudicar. O ganho é vista médio ao longo prazo. Estás a prejudicar de forma direta para ter um benefício maior de forma indireta. Depois não cheguei a explicar. Em relação à nutrição, havia uma certa... O altruísmo também pode ser assim explicado.

Exatamente, sim. E também tem a ver com a reciprocidade. Tem a ver, mas isso é outra forma de algo. Já lá vamos, só para terminar aquele ponto que eu acho engraçado. Na certa altura nós falávamos de uma coisa que para mim sempre foi um puzzle, de que eu faço parte, que é o facto de... os homens tendencialmente...

e sujeitarem-se a coisas que são, obviamente, mais do ponto de vista nutricional, por exemplo, como beber mais álcool, coisas desse género, relativamente às mulheres, que é um bocado uma estupidez e tomam comportamentos mais de risco a esse nível. E isso, sob o ponto de vista do princípio do handicap, é fácil. sempre te explicava. Não é? Quer mostrar? Eu sou tão... Eu sou tão saudável...

Posso beber 10 cervejas. Esse que, aliás, usa a ave, o Amos de Zavi, esse é um dos exemplos que ele utiliza, por exemplo, comportamentos ligados a excessos de álcool e outros, para ser explicado por esse princípio. É, eu acho que... percebe-se perfeitamente. E o que é curioso, mais do que isso, e é de outro aspecto de giro desta área, é a pessoa autoanalisar-se sobre esse prisma, que é nós percebemos em nós próprios as forças nesse sentido.

Quer dizer, se nós vimos socialmente, raramente uma mulher tem esse instinto, dessa espécie de competição. Porque ela escolhe. Exato. Exatamente, é isso mesmo. E não tem aquela necessidade. Quando? Aliás, todos nós devemos lembrar disto. Qualquer mulher, em princípio, estou sempre falando em termos genéricos e gerais, não vale a pena pegar em exceções, porque as exceções controlam a regra, não controlam a regra. O disclaimer de toda esta conversa é que estamos a falar tendencialmente.

Quando uma mulher acorda de manhã e decide assim, hoje vou ter sexo. Essa mulher tem. Tem. Nem se quer precisar ir ao cabeleireiro. Tem. Sim, claro. Tem. O homem não. O homem se acorda amanhã e diz, eu hoje vou ter sexo, só o pode fazer, só o pode fazer para ter mesmo, se não for escolhido, só pode fazer ou através da poliandria oportunista, que é a prostituição, pagando ou violando.

Mercados de Relacionamento e Custos

não te transforma isto se dá uma noção da diferença de poder que tem e é a última análise a arena gira toda em torno disso. E há um fenômeno engraçado que eu já observei algumas vezes, que está relacionado com isso, que é nós temos, se nós compararmos o...

há dois mercados de relacionamento, há o mercado de curto prazo e longo prazo. Curto prazo, ocasional, e o de longo prazo, uma relação sustentada. E no mercado de curto prazo, que é esse que o Paulo está a falar, há claramente um excesso de oferta ou procura, dependendo de como quisermos olhar, mas no fundo há um...

um excesso de homens e um déficit de mulheres. E há mais homens à procura do que mulheres à procura. Exatamente por esse motivo. No longo prazo é ao contrário. No longo prazo há mais mulheres do que homens. Porque lá está por esse lado da nossa... Isto tendencialmente, não é? Obviamente que há homens e mulheres em ambos e o suficiente para ambos funcionarem e no caso de longo prazo a monogamia funcionar. Mas observa-se isto que é curioso. Eu sempre achei isso engraçado.

O que transforma a arena da competição pode-lhe dar outros contornos no futuro da arena da competição, mas eu penso que tenderá, ainda durante muito tempo, a manter-se esta linha de divisão dos custos de reprodução, que é isto que trata entre os custos. Os da casalamento e os dos parentes, os da casalamento continuam a pertencer basicamente ao homem e os parentes continuam a pertencer ao homem. E esta é assim há milhares e milhares de anos, continua a ser assim.

tem sido esta a estratégia no fundo que a natureza tem seguido e acho que quando houver necessidade de alterá-la a própria natureza encarrega-se a resolver quando isso tornar um conflito a natureza acaba por resolver esse conflito e escolhendo a estratégia que depois em função dos resultados

tende a ser embutida no funcionamento, no programa geral, no funcionamento da natureza. Às vezes eu costumo dizer assim na brincadeira, quem não gosta do que eu estou a dizer, manda um e-mail para main.natureza arroba evolução Ponto V, não é? V é do universo.

Evolução Cultural e Religião

que aliás inclusive hoje algumas ideias da seleção natural estão a ser aplicadas à própria física à física à maior escala, à astrofísica e alguns endividam a pensarem que a ideia do multiverso poderá ter a ver com as questões de seleção natural em termos físicos, não é? Porque a ideia, o conceito da seleção natural é de tal ordem potente que quando se entende o conceito, quando se faz realmente um conceito, começa-se a ver o facto da evolução permanentemente a funcionar.

Desde logo, o algoritmo da evolução se entra em três coisas. Diversidade, seleção, transmissão. E quando começamos a olhar para isto, não consigo perceber como é que a cultura pode estar fora disto. A evolução genericamente é a mudança das coisas ao longo do tempo. Esta mudança acontece sempre por uma imperiosa necessidade de diversidade. Dentro da diversidade são feitas a retenção ou a seleção.

de coisas que funcionam e depois são transmitidos e continuam até novamente a alterar-se. E a cultura humana entrou nessa... Absolutamente. Os memes fazem parte... de todo este caldo evolutivo como os géneros fazem parte dos membros é o conceito do Richard Dawkins é o equivalente do género é o equivalente cultural do género aliás o Brett Weinstein que falávamos há pouco tem aquele conceito muito engraçado do que eu

achei uma bela ideia em relação à religião, que é um tema que me interessa imensa, já falei no podcast, e ele fala da religião como... nessa lógica dos memes, como não uma verdade factual, mas aquilo que eu chamo de uma verdade metafórica. O que é que ele quer dizer com isso? Ele quer dizer que evolutivamente, não necessariamente agora... eu acho que agora já não é, na maior parte dos casos, mas evolutivamente a religião dando respostas...

factualmente erradas, dava respostas que, do ponto de vista evolutivo, se as pessoas as seguissem, as tornavam mais aptas a reproduzir-se. Ou seja, toda a moralidade, por exemplo... da religião cristã, da religião judaica, por exemplo, não é difícil perceber que aquilo deu vantagens evolutivas àquelas comunidades. Eu concordo e até reforço isso com duas ideias. Uma ideia é a ideia da agência, não é?

a nossa perspectiva para a agência, a incapacidade de perceber um efeito sem ter uma causa. Exatamente. A segunda, porque gosta mais uma vez a ver com a bioeconomia da natureza, isto é... A capacidade de acreditar numa coisa que, para mim, para muitos, por mais evidente, não existe, mas pode ter feito sentido do ponto de vista coletivo. E do ponto de vista bioeconómico, porquê? Porque é um erro que, para o nosso computador, pode ser entendido como um erro tipo 1.

E como nós sabemos, o erro tipo 1, nós estamos preparados para o cometer porque é compensador. O erro tipo 2 pode só se cometer uma vez, não é? Exatamente. E há cautela, não é? Acho que até, não sei se era o Descartes, havia um filósofo qualquer que até dizia que, por exemplo, não...

Convinha muito mais acreditar do que não acreditar. Porque se acreditar e não existir, não há problema nenhum. Se existir mesmo, vamos ter problemas que não acreditavam. Há cautela, mas por defeito, cometer um erro tipo 1. Não sei quem é que tinha um tipo que tinha um... tinha no gabinete uma ferradura ou alguma coisa do género e alguém entrava lá, ele era um académico conhecido e perguntava... É uma personagem histórico conhecida, um intelectual conhecido, agora não me lembro quem é.

Então, mas o senhor acredita nisso? Acredita que isso dá sorte? Não acredito nisto, mas dizem que funciona mesmo porque não acredito. Exatamente. Exatamente, exatamente. Essa é boa. Mas esse fenómeno tem tido, tem... Apesar, enfim, de olharmos para muitas coisas e a religião está entre as várias causas de morte dos seres humanos, não é? Por exemplo... E é um fenómeno bastante mais complexo do que isto.

inevitavelmente. Ou seja, eu acho que isto que ele diz é verdade, mas a religião tem uma série de benefícios e malefícios. Mas aqui é a atenção que tem que ver-se os níveis de análise da coisa, como sempre, senão é falácia ecológica.

Complexidade da Religião e Felicidade

lógico, porque vamos lá ver, uma coisa a falar disso do ponto de vista da crença individual. Do estado interno do indivíduo, na relação com. Outra coisa é falar da religião enquanto instituição e com as questões todas ligadas ao poder que estão associadas à questão da instituição. Isso é que eu digo que é mais do que isso. Exatamente, tem vários...

níveis de complexidade. Com as regras também. Rituais, partilha, oxitocina, tem a ver com isso tudo. O efeito, no fundo, do ponto de vista mental, em muitos desses rituais, pode gerar secessões de bem-estar, como as que geram quando estão... Estamos no Estádio da Luz a cantar o I Nacional, não é? Portanto, esses rituais de maior escala hoje parecem corresponder à possibilidade de gerar estados mentais e estados de satisfação e prazer através da libertação da oxitoação.

no nosso cérebro, por exemplo, equivalentes a outros rituais que eram feitos antigamente e que hoje em dia são mais difíceis de fazer não só rituais, como interações, porque hoje a escala é abissal. E se não for através desses rituais é difícil hoje em dia muitas vezes conseguir interações como se conseguia.

Portanto, esse fenómeno, como muitos outros, tem vários níveis, tem várias complexidades e tem que ser analisado com cuidado para não dar respostas muito simples. Todavia, eu continuo a achar absolutamente inacreditável. inacreditável, como é que teorias como a do criacionismo são seguidas. Eu nessas questões, inclusive, já tive uma vez alguém, nem foi cá, e curiosamente nem foi cá em Portugal. Bocava com a questão do papel de Deus, uma certa coisa que estávamos a falar.

E porque a pessoa dizia-se que era crente e que era religiosa e pronto, tudo bem. Eu normalmente perguntei à pessoa, como costumo perguntar sempre, que é a minha preocupação, é se houve vozes. Não ouve vozes, ok, pronto, tudo bem. Enquanto não ouvir vozes, não há problema. Quando não está a ouvir vozes, é que eu acho que é mais complicado, não é? Sim. Mas acho inacreditável.

Como é que, de facto, ainda se... No século XXI, como é que nós continuamos a ter... Embora tenha vindo a cair, todos os números mostram isso. Todos os estudos mostram isso. A crença religiosa, a crença religiosa, tem vindo a cair. Já para não falar que, enfim, uma parte significativa do mundo é composto por indivíduos que estão na Ásia e, portanto, não têm sequer esses creches religiosos que nós temos. E a religião...

E isso vai ao encontro com aquilo que o Paulo dizia, da complexidade deste assunto. A religião, enquanto conceito, é um bundle, é uma aglomeração de várias coisas diferentes. Várias coisas, estamos a falar de coisas diferentes. E cada religião... é um conjunto diferente dessas coisas. Há um lado de práticas, há um lado de regras, há um lado de crença num ente superior. Há um conjunto, há um lado de moral, há um...

Eu acredito que muitas vezes, em termos individuais, isso possa ser um bom ansiolítico, não tenho dúvidas disso, que a pessoa se sinta confortável e que se sinta... se sinta melhor, não é? Não está aqui aquela... essa coisa da felicidade, não há disso, porque acho que, enfim, a vida não tem... Não tenho nenhum sentido, não tenho nenhum propósito, não tenho nenhum propósito, e a última coisa que quem deve querer saber é se alguém está feliz ou não está feliz. Agora, também aí...

quer na procura de uma explicação, de uma agência qualquer, ou de um agente qualquer, uma causa para um efeito que eu vejo e desconheço a causa, nós não lidamos bem com essa questão. Quer nessa perspectiva, quer na perspectiva da pessoa sentir-se melhor. é mais uma vez uma questão adaptativa também, porque se a felicidade, através da crença ou de outra forma qualquer, fosse atingida e ficássemos nela, tornava-se degenerativa. E, portanto, estar sempre à procura dela é uma forma de adaptação.

E até aí, nessas coisas que se criam, do ser feliz, não sei o quê. Mas há coisas que eu vejo todos os dias que me rio muito quando as vejo e leio. Aquela... Aqueles slogans do tipo sonha muito, acredita muito que vais conseguir. Quem sonha muito, acredita muito e vai conseguir. Os segredos, os segredos de autoajuda. Basta acreditar para conseguir. Todos os que acreditam conseguem.

Há um lado disso, isto é o enorme exagero, mas há um lado disso... É fármaco. Exato, que é uma verdade metafórica. Não, e é fármaco. É um fármaco que acredito que possa funcionar para muita gente. Eu estava a ouvir uma coisa no outro dia, exatamente...

nada com isto. Não sei de quem era, por acaso. Acho que era daquele tipo do Sapolsky. Não sei se sabe quem é. Que é biocomportamental, que é uma personagem muito interessante. Ele tem um curso disso que está até no YouTube. Está, exatamente. E ele dizia... que, por exemplo, isto era a propósito da depressão, salvo erro, e ele dizia que

As pessoas que atribuíam sucessos a fatores intrínsecos e insucessos a fatores extrínsecos eram as que tinham mais, no fundo, sucesso evolutivo neste sentido. Eram aquelas que... que estavam melhor e que, portanto, que viviam bem e, portanto, no processo evolutivo, eram aquelas que tinham menos depressão e, portanto, que estavam em melhor posição. E é engraçado. No fundo, era uma ilusão. No fundo, o que elas faziam era se correu bem e nós...

conhecemos pessoas assim, e o extremo disto é um completo imbecil, não é? Se isto me correu bem, é mérito meu. Se correu mal, é porque foi um fator qualquer extrínseco a mim. Arrange facilmente uma explicação que não me envolve na equação. E é quase um teórico da conspiração. Paulo, vamos terminar o nosso tempo. Eu queria só fazer uma última pergunta antes de passarmos ao livro e queria...

Diversidade de Papéis no Grupo

Vou-lhe deixar aqui um reto. Se o Paulo alinhar, um dia deste voltamos a falar, porque isto também tinha ainda... Muito mais temas ainda do que falar para além deste. Só ainda, antes de passar ao livro, havia aqui um ponto de... Como eu disse, havia muitas outras coisas, mas há um que está relacionado com este e acho importante para fechar este ciclo, que é quem nos estiver a ouvir...

Pode estar a estranhar aqui uma coisa, porque é certo que nós estivemos a fazer esta conversa falando do que é tendencialmente verdade, ou seja, em média, mas também toda a gente conhece... a variabilidade que existe. Há um lado da variabilidade, que não está ausente da nossa conversa, mas há outro lado que me parece especialmente verdade na espécie humana. Ou seja, se nós pensarmos apenas na seleção natural, a seleção natural terá a produzir um caminho.

E, portanto, tenderá a haver uma certa homogeneidade. A espécie humana, por na espécie humana o desenvolvimento ter passado a ocorrer de uma forma... O desenvolvimento não, a evolução, ter passado a correr de uma forma grupal. O Hofstede, ele próprio fala nisso. No fim do livro dele, ele tem um capítulo ultra interessante sobre isso. Mas sempre foi. Sempre foi. Sempre foi isto, é...

Mas nós, os primatas já são sociais, nós tornámos-nos culturais, não é? Sabe porquê que as pessoas estão passando a vida agarrada do telemóvel? Exatamente por causa disso. Por causa da prossocialidade, não é por causa... Muita gente pensa que está a ler as coisas mal, pensa que as pessoas estão...

Estão afastadas, estão isoladas. Não exatamente. Ao contrário. Sim, sim. É o excesso de sociabilidade que nos faz estar constantemente atrás dos telemóveis. Sim, nós estamos feitos para isso. E o meu ponto é que nós, a humanidade evoluiu em grupo.

E dentro desse grupo é muito visível, se nós olharmos para trás, que há papéis muito diferentes dentro desse grupo. E isso explica esta complexidade. Ou seja, dentro do mesmo grupo, por exemplo, desde tempos imemoriais, desde a pré-história, que havia o equivalente aos padres atuais. Ou seja, havia...

Pessoas naquele grupo que tinham... Havia uma segregação de funções. Eu acho que isso explica... Isso traz complexidade a isto, o que torna interessante e também aconselha alguma cautela e explica a diversidade que nós temos até de personalidades, por exemplo. Porquê que há personalidades tão distintas? Porquê que há pessoas...

Porque é que há uma pessoa ultra extrovertida e um quase ermita, não é? A minha intuição é que a explicação está exatamente na evolução de ser um grupo e o grupo absorver e até ser favorável ao grupo é heterogeneidade e não o contrário. Bom... Wimbo Hofstedt fez um trabalho com o pai do Big Five. Considerou que uma parte significativa da variabilidade de traços de personalidade é explicada pelas dimensões dele.

o neuroticismo é muito mais prevalente na distância ao poder alta do que baixa e na necessidade de controle da incerteza também alta do que baixa Sim, eu relacionaria mais com a questão da incerteza Agora, eu não sei não sendo uma causa, obviamente, sendo um fator de contexto que ajuda a explicar uma certa variabilidade desse traço. No entanto, eu acho que pode ter a ver, e o que eu estou a dizer não é nenhuma explicação, é um contributo aos meus 10 cêntimos.

Eu acho que a evolução na nossa natureza grupal, como de outras espécies, fez com que no nosso caso, em concreto, porque a dependência dos outros é determinante, nós somos altericiais e, portanto... É uma condição, ou seja, sem a qual não. Sem o grupo não nos conseguimos sobreviver. Temos interesse que o próprio grupo seja bem-sucedido.

O sucesso do grupo durante esta reta do metro dependeu sempre, e sobretudo a partir da maturidade da altura, da coordenação do próprio grupo. Exato. E grupos mais bem coordenados têm melhores resultados que grupos mal coordenados. E portanto, papéis diferentes. Papéis diferentes. E a essência dos papéis da liderança, por exemplo, pode facilmente estimular o aparecimento de diferentes traços de personalidade. Dá o exemplo.

O líder natural, para ser eficaz, tem que ser, desde logo, um guerreiro, tem que lutar pelo grupo. Tem que ser um vigilante. Tem que estar atento às ameaças. Aí a questão do mais alto, mais uma vez. Ver por uma que os outros. Tem que ser um diplomado. Tem que estabelecer relações com outros grupos. Porque os grupos também dependem de outros grupos. Mas ele tem que ser isso tudo? Ou diferentes líderes? Não, espera. Tem que ser...

um gestor porque era ele que tinha que fazer a gestão dos recursos desde a água aos mantimentos tem que ser um professor passar a informação aos outros e tem que ser um árbitro

para regerir os conflitos que aparecem. E a essência destes seis papéis, digamos assim, está obviamente mais facilmente associada, se quisermos, a determinados traços de personalidade que são visíveis mais nos papéis do que noutros, na minha opinião. O que é que acontece? O que acontece é que enquanto... estes papéis normalmente estavam dispersos por vários indivíduos dentro do grupo.

atualmente são exigidos a cada um de nós ao mesmo tempo. E a pressão é muito maior e faz com que torne-a muito mais difícil ser isto tudo ao mesmo tempo, ser um líder arco-íris, se quisermos. Ser capaz de ser isto tudo. E há muitos falhanças.

tem a ver com isso. E que se podem refletir. Também se podem refletir e eventualmente ter contribuído para o desenvolvimento do método de traços de personalidade e que depois as questões culturais do coletivo, já supra nós, nem sequer eu, é supra nós mesmo, amplificam.

ou ser mais fecundo, um terreno mais fértil para terminar de estraços. O Officer diz que sim, algumas coisas não me chocam. Não me chocam que, de facto, a persistência da distância ao poder alta, que gera... ressentimentos face à desigualdade em uma certa situação explica o neuroticismo, por exemplo os dados estão aí

E há que pensar neles. Exatamente, e faz sentido. E esses perfis diferentes de líder, por exemplo, é muito curioso, porque são contingenciais em certo sentido, são também adaptações diferentes a realidades diferentes, ou seja, realidades diferentes. Uma realidade podia necessitar mais de um líder gestor e outra mais de um líder diplomata e outra mais de um líder não sei o quê. e isso, por exemplo, afetava o sexo masculino, mas no sexo feminino...

a mesma coisa aconteceria. Ou seja, nós estamos a falar... Por isso é que eu dizia que isto aconselha alguma... Não é alguma cautela. É não deixar de reconhecer essa complexidade. Por exemplo, do lado das mulheres haveria também mulheres que assumiam o papel maternal e...

e outras que assumiriam o papel de, por exemplo, recoletor, e algumas até que assumiriam o papel guerreiro, por exemplo, em algumas tribos. Ou seja, essa cultura tem sobre ela esta complexidade, embora não deixe de ter uma orientação, embora não deixe de ter uma tendência...

Livro Recomendado e Livre-Arbítrio

claro por cima dela. Enfim, como diz este, isto agora nunca mais terminava. Paulo, para terminar, então convido a sugerir o livro. O livro. O livro que eu sugiro, infelizmente não é em português. Não há problema. é o livro do Sam Harris o Free Will é um livro muito pequenino lê-se muito bem e aconselho a quem o vá ler que vá preparado para o ler duas vezes pelo menos e mais não digo

Foi um dos livros que mais me marcou e me mudou, foi este livro, do Sam Harris. Eu nunca li o livro, já ouvi várias vezes falar sobre isso ao Sam Harris.

podcast que nós falámos ainda em off e que ambos ouvimos várias vezes e é muito difícil de compreender ele próprio eu estou sempre sempre que apanho coisas com ele sempre que ele faz sessões públicas alguém faz uma pergunta sobre isso sim e é difícil e é o tema que provavelmente e está muito relacionado com isto eu diria que para terminar de uma forma polémica, até que vou-me embora, eu diria que...

Não sei se conheces aquela ideia de que a maior invenção do diabo foi fazer-nos acreditar que não existe. Já tinha ouvido já. Eu tenho um ditado inspirado nesse. que é assim, eu acho que a maior, seguramente de longe, a maior de todas as criações da evolução.

foi gerar em nós a ilusão do livre-arbítrio. Eu acho que essa foi uma das maiores invenções da natureza. Eu não digo mais nada. Agora já sei que isto vai ser interpretado. Ah, destino. É só isso. Não, não há problema, porque o clube é do Sam Harris. Exatamente. Se correr mal, entre abordarem mal, escrevam para o Sam Harris. É só isso. Paulo, obrigadíssimo. Muito gosto. Tem gostado do 45 graus?

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Agradeço desde já aos patronos João Vítor Baltazar, Ana Mateus e Salvador Cunha pelo apoio muito generoso. Até ao próximo episódio.

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